Num ano em que Adam Sandler bateu recordes de streaming com um regresso às suas raízes na comédia e flertou com rumores de Óscar por uma atuação dramática cheia de nuances, o seu projeto mais recente parece menos uma paragem de imprensa e mais uma volta de honra. O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Letterman: Adam Sandler, que estreia a 1 de dezembro na Netflix, reúne o ícone da comédia com o lendário apresentador de late-night para um especial independente que trata tanto da arte da comédia quanto do homem por detrás das vozes.
Filmado na Universidade de Nova Iorque (NYU) — a alma mater de Sandler e a cidade onde ele começou nos clubes de stand-up antes da sua grande oportunidade no Saturday Night Live — o especial oferece um cenário que é ao mesmo tempo íntimo e grandioso. É um pano de fundo apropriado para uma conversa que abrange décadas, desde a energia caótica do início dos anos 90 até à estatura reflexiva de um magnata de Hollywood que não tem mais nada a provar.
A Ligação Letterman
O capítulo pós-reforma de David Letterman com a Netflix, O Próximo Convidado Dispensa Apresentações, sempre prosperou com um tipo específico de química. Livre das restrições dos intervalos comerciais da televisão aberta e da rotina noturna, Letterman evoluiu para um entrevistador mais paciente, embora ainda perspicaz. A sua relação com Sandler é evidente desde o momento em que se sentam.
Este não é o primeiro encontro deles. Sandler foi um convidado frequente no The Late Show, onde as suas aparições eram frequentemente marcadas por um charme caótico — vestindo t-shirts enormes, tocando guitarra e geralmente tratando o Ed Sullivan Theater como a sala da sua casa. Neste especial, a dinâmica mudou. Há uma reverência mútua. Letterman, o estadista veterano da comédia, parece genuinamente curioso sobre a trajetória única de Sandler: um comediante que foi criticado por anos enquanto era adorado pelo público, apenas para finalmente conquistar os críticos sem mudar a sua natureza essencial.
Um Ano de Dualidades: Happy Gilmore 2 e Jay Kelly
O momento do especial não é acidental. 2025 tem sido um ano excecional para Sandler, mostrando os dois polos distintos da sua carreira. No início deste verão, Happy Gilmore 2 chegou à Netflix, quebrando recordes de fim de semana de estreia. A sequela do clássico de 1996 viu Sandler vestindo novamente a camisola de hóquei do jogador de golfe movido pela raiva, provando que a sua marca de slapstick e fúria de “criança grande” ainda ressoa com um público global massivo.
Mas, assim que os risos de Happy Gilmore 2 estavam a diminuir, Sandler mudou o rumo. Em Jay Kelly, de Noah Baumbach, lançado em cinemas selecionados em novembro e chegando à Netflix globalmente a 5 de dezembro, Sandler interpreta Ron Sukenick, o gerente devoto da personagem titular de George Clooney. O papel rendeu a Sandler algumas das críticas mais fortes da sua carreira, com elogios a uma atuação que é calma, desesperada e profundamente humana.
Letterman pressiona Sandler sobre essa dualidade. Como se passa de lutar com Bob Barker (ou o seu equivalente espectral) para se manter firme contra Clooney num guião de Baumbach? A resposta de Sandler, típica dele, é modesta. Ele fala sobre “confiar nos amigos” com quem trabalha, seja Tim Herlihy num guião de comédia ou Baumbach num drama. No entanto, o especial revela um artista deliberado que sabe exatamente qual alavanca puxar e quando.
O Fator NYU e a Guitarra
Um dos segmentos mais comoventes do especial envolve Sandler a discutir o seu tempo na NYU. Caminhando pelas ruas de Greenwich Village com Letterman, Sandler reflete sobre a correria dos seus vinte anos — os microfones abertos, os sets fracassados e o impulso implacável de ser engraçado. É um elemento de base que lembra aos espectadores que, antes de ser uma garantia de bilheteira de um bilião de dólares, ele era apenas mais um miúdo de New Hampshire a tentar fazer Nova Iorque rir.
E, claro, há a guitarra. Nenhuma aparição de Sandler está completa sem música. O especial apresenta Sandler com a sua Stratocaster, mas em vez das canções tolas e sem sentido da sua juventude, ele oferece algo mais melódico e reflexivo. É uma referência ao seu aclamado especial de 2018, 100% Fresh, onde o seu tributo musical a Chris Farley se tornou um sucesso viral emocionante. Aqui, a música serve como uma ponte entre as piadas, uma maneira de Sandler expressar emoções que, de outra forma, ele poderia desviar com uma piada final.
Produção e Realização
Realizado por Michael Steed, que comandou grande parte da série O Próximo Convidado, o especial mantém o alto padrão visual do programa. A edição permite que a conversa respire, demorando-se em reações e silêncios que um programa de televisão convencional cortaria. Produzido pela Jax Media e pela própria Worldwide Pants de Letterman, o especial parece polido, mas autêntico.
Os produtores executivos Tom Keaney, Mary Barclay, Justin Wilkes e Yolanda T. Cochran criaram um episódio que se encaixa perfeitamente na linhagem de prestígio da série, que já recebeu figuras que vão de Barack Obama a Volodymyr Zelenskyy. Ao colocar Sandler neste panteão, o programa argumenta implicitamente que ele não é apenas uma estrela de cinema, mas uma figura cultural significativa.
Data de lançamento
O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Letterman: Adam Sandler é imperdível não apenas para os fãs do ator, mas para qualquer pessoa interessada na mecânica da fama e da comédia. Ele captura um momento no tempo em que Adam Sandler está indiscutivelmente no auge dos seus poderes — confortável no seu legado, ousado no seu novo trabalho e ainda capaz de fazer David Letterman rir com um olhar bem calculado.
Enquanto a 6.ª temporada da série surge no horizonte, este especial independente serve como um aperitivo perfeito. Ele nos lembra por que Letterman é o mestre da forma e por que Sandler, depois de todos esses anos, ainda é o tipo com quem queremos passar o tempo.
Onde ver: O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Letterman: Adam Sandler estreia na Netflix a partir de 1 de dezembro de 2025.

