A Whitechapel Gallery dedica uma mostra de cariz arquivístico à trajetória de Senga Nengudi, figura central da vanguarda norte-americana cuja prática se fundamenta na intersecção entre a escultura, a coreografia e a performance. Através de registos fotográficos, materiais de arquivo e documentação fílmica de intervenções históricas, a exposição oferece uma análise detalhada da metodologia de Nengudi e da sua influência nas comunidades artísticas de Los Angeles e Nova Iorque.
A produção de Nengudi é caraterizada por uma síntese de referências culturais que abrangem o teatro Noh japonês, a mitologia Yoruba e a improvisação do jazz. Integrando coletivos marcados pela experimentação radical e pelo comentário social, a artista desenvolveu uma linguagem própria através do uso de materiais precários e objetos encontrados, como meias de nylon, areia e pedras. Estas formas escultóricas são concebidas para serem animadas pela interação humana ou por forças ambientais, transformando o objeto estático num campo de ativação performativa.
Um dos núcleos principais da apresentação incide sobre a série R.S.V.P., que marca a introdução de collants de nylon como elemento estrutural na sua obra. Inspirada pelas mutações do corpo feminino e pelas perceções sociais sobre a imagem da mulher, Nengudi utiliza a elasticidade do material como metáfora para a resiliência e a subversão. Estas estruturas, frequentemente preenchidas com areia e fixadas às paredes da galeria, definem espaços imersivos que convidam à participação física, contando frequentemente com a colaboração da coreógrafa Maren Hassinger para a ativação do trabalho através do movimento.
O percurso expositivo inclui ainda documentação de outras intervenções e séries, como as Spirit Flags, que exploram a volatilidade da forma quando exposta a elementos externos, como o vento e a chuva. A exposição destaca o papel de espaços independentes e coletivos, como o Studio Z e a galeria Just Above Midtown, no fomento de práticas que operavam à margem das instituições convencionais, privilegiando a colaboração interdisciplinar. Este diálogo estende-se à obra de Veronica Ryan, também em exibição na galeria, sublinhando a continuidade de certas preocupações formais e a relevância duradoura da prática de Nengudi na escultura contemporânea.
Cronologia e Informações de Visita
A exposição foca-se em obras produzidas num período fundamental da carreira da artista, entre 1972 e 1982. Os trabalhos apresentados incluem a série Spirit Flags (início da década de 1970), a série R.S.V.P. (iniciada em 1976) e as documentações de Performance Piece (1977), Performance with Inside Outside (1978) e o filme da performance Air Propo (1982).
A exposição Senga Nengudi estará patente na Whitechapel Gallery (Galeria 5) de 1 de abril a 14 de junho de 2026. O acesso geral à galeria é gratuito, sendo necessário bilhete apenas para exposições específicas. O horário de funcionamento é de terça-feira a domingo, das 11h00 às 18h00, com horário alargado às quintas-feiras até às 21h00.





















