A Netflix mergulha na gastronomia e na alma mexicana através do seu mais recente e delicioso programa gastronómico, “Santas garnachas”, uma vibrante exploração do coração e da alma da culinária mexicana através de um dos seus alimentos de rua mais adorados: a garnacha.
Preparem-se para uma viagem repleta de sabor, com molhos que, avisamos já, vão deitar por terra qualquer dieta conhecida pelo ser humano.
A premissa da docussérie: simplesmente, as garnachas
Uma viagem pela gastronomia, pelas suas gentes, pelas ruas e pela essência do México. A série não se limita a mostrar o quão deliciosas são as garnachas, aprofunda também a paixão e as opiniões que rodeiam este prato icónico. Um rico mosaico de variações regionais e preferências pessoais que existem dentro do mundo das garnachas. Não há uma única definição ou versão perfeita de uma garnacha, mas sim uma infinidade de interpretações que são apreciadas e defendidas pelos seus respetivos fãs. Esta diversidade inerente e os fortes sentimentos que evoca formam o tema central ao longo dos episódios.
“Santas garnachas” é uma viagem factual e reveladora à história, à cultura e à preparação deste apreciado alimento básico mexicano.
Um sabor da história: o tapete cultural das garnachas
A palavra “garnacha” tem vários significados em espanhol. Para além da sua conotação culinária, pode referir-se a uma vestimenta semelhante à toga de um juiz, a uma casta de uva tinta popular na América do Sul ou até a um carro antigo na América Central. No âmbito da comida no México, “garnacha” tornou-se um termo geral que é frequentemente utilizado para descrever qualquer tipo de comida de rua frita, sobretudo se for à base de massa de milho.
No entanto, a forma original da garnacha, que continua a ser um alimento básico tradicional nos estados do sul do México e ao longo da costa do Golfo, é um disco de massa de milho frito que é depois coberto com uma grande variedade de ingredientes, dependendo da região específica.
O estado de Oaxaca destaca-se repetidamente como uma região importante para as garnachas. No Istmo de Tehuantepec, uma região dentro de Oaxaca, as garnachas são preparadas tradicionalmente como pequenos discos de massa que são fritos em banha de porco até ficarem crocantes. São depois generosamente cobertas com carne guisada desfiada, pedacinhos de cebola, um molho picante, queijo fresco esfarelado e uma refrescante cobertura de repolho, que é uma combinação de repolho demolhado em vinagre. Estas garnachas oaxaquenhas não são apenas um petisco rápido; são um espetáculo comum nas bancas de comida de rua e também ocupam um lugar especial como prato habitual durante as velas, festivais vibrantes que celebram a época da colheita.
Curiosamente, a Guatemala também é apontada como local de origem de um prato semelhante conhecido como garnaches. Estas garnaches guatemaltecas consistem em tortillas de milho fritas cobertas com feijão refrito, repolho ralado, queijo e outras guarnições. Esta ligação sublinha a herança culinária partilhada da região e sugere possíveis intercâmbios históricos e culturais que moldaram as tradições alimentares tanto do México como da Guatemala.
A comida de rua no México, incluindo a adorada garnacha, tem uma história que remonta à época pré-hispânica, entrelaçando-se profundamente com a identidade cultural da nação. Transcende o seu papel de mero sustento, evoluindo para uma profunda experiência cultural e uma importante fonte de orgulho nacional. A preparação e o consumo destes alimentos são considerados atos culturais, profundamente enraizados no estilo de vida mexicano. As garnachas são frequentemente apreciadas durante os convívios com familiares e amigos, e o seu apelo é tão forte que são muitas vezes consideradas irresistíveis. Isto realça o papel social das garnachas, que atuam como peça central das experiências comunitárias e fortalecem os laços dentro da sociedade mexicana.

Delícias regionais: uma garnacha para cada paladar
“Santas garnachas” parece adotar uma definição ampla e aventureira da garnacha. A série propõe aos espetadores um vislumbre de criações “malucas”, “extravagantes” e “nunca antes vistas”. O programa aventura-se para além do estilo tradicional oaxaquenho para mostrar as inovadoras e diversas interpretações deste prato encontradas em todo o México.
A região do Istmo de Oaxaca é especialmente conhecida pela sua versão distinta da garnacha. Trata-se de tortillas fritas do tamanho de um biscoito que são generosamente cobertas com carne de vaca tenra e condimentada, um saboroso molho de chipotle e o célebre queijo añejo da região, que é feito com leite de vaca e seco ao ar, o que lhe confere uma textura quebradiça e um sabor salgado concentrado.
O estado de Chiapas também se orgulha da sua própria versão deste alimento básico da comida de rua. As suas garnachitas são mais pequenas em comparação com outras variações regionais. Uma caraterística fundamental das garnachitas ao estilo de Chiapas é que as empadas de massa de milho são cortadas ao meio horizontalmente antes de serem fritas, o que resulta numa base excecionalmente crocante para os ingredientes. Os ingredientes mais comuns em Chiapas incluem um molho de tomate condimentado, carne de vaca finamente picada, um repolho em conserva especial e uma pitada do queijo de Chiapas, que é um queijo esfarelado da região.
“Santas garnachas” leva-nos a descobrir garnachas pouco convencionais, o que indica que os espetadores podem antecipar uma viagem culinária rica e variada por diferentes partes do país. Esta abordagem de mostrar formas tradicionais e inovadoras de garnachas poderá suscitar animados debates entre os espetadores sobre o que realmente define esta icónica comida de rua mexicana.
Conheça os protagonistas: os rostos por detrás dos sabores
Os guias que conduzem os espetadores nesta saborosa expedição pelo mundo da comida de rua do México são Andrés “Peluche” Torres e Memo Villegas.
Memo Villegas assume o papel de anfitrião na série. É um conhecido ator e comediante mexicano, com uma vasta experiência em cinema e televisão, incluindo participações em “Narcos: México” e no popular sketch de comédia “Harina”.
Juntamente com ele estará Andrés “Peluche” Torres. Torres não é apenas criador de conteúdos, é também autor de “La garnacha que apapacha”. Isto indica uma profunda paixão e um amplo conhecimento da comida de rua mexicana, em particular das garnachas. Tem também um canal no YouTube onde explora e mostra a gastronomia local. A participação de um especialista em comida de rua como Torres confere autenticidade e credibilidade à série, garantindo aos espetadores que obterão uma perspetiva genuína e informada sobre o tema.
Captar a essência da cultura da comida de rua
“Santas garnachas” pretende ser mais do que uma simples exploração culinária; esforça-se por captar a própria essência da cultura da comida de rua mexicana. O objetivo é imergir o público nas vistas, nos sons e na atmosfera dos movimentados mercados mexicanos e das animadas esquinas das ruas. A cinematografia desempenha um papel crucial nisto, mostrando a comida a crepitar, os ingredientes coloridos e as expressivas personalidades das pessoas por detrás das garnachas. Dado que a comida de rua é inerentemente uma experiência sensorial, o estilo visual da série é primordial para transmitir isto ao espetador. Ao captar eficazmente a atmosfera vibrante e os detalhes tentadores da preparação da comida, “Santas garnachas” tem o potencial de fazer com que os espetadores se sintam como se estivessem lá, a experienciar as vistas e (quase) os cheiros da gloriosa cena da comida de rua do México.
O efeito “Garnachas”: despertar a curiosidade culinária
“Santas garnachas” chega num momento de crescente fascínio mundial pela cozinha mexicana. A série documental já gerou entusiasmo entre os amantes da comida desejosos de aprofundar o diverso panorama culinário do México. Este maior interesse alinha-se com uma tendência crescente na indústria alimentar, em que os restaurantes mexicanos de todo o mundo incorporam cada vez mais elementos autênticos da comida de rua nos seus menus. Esta adaptação reflete uma importante procura dos consumidores por experiências gastronómicas mexicanas autênticas e tradicionais. As pessoas já não procuram apenas a comida normal dos restaurantes; procuram ativamente os sabores vibrantes e as tradições culinárias únicas que definem a comida de rua mexicana. Um programa como “Santas garnachas” tem o potencial de amplificar ainda mais este interesse, inspirando os espetadores a procurar e a provar diferentes tipos de garnachas, seja em restaurantes mexicanos locais ou talvez até numa viagem ao México.
Um ingrediente fresco na mistura documental
“Santas garnachas” posiciona-se firmemente dentro do género documental. Junta-se a um rico panorama de documentários gastronómicos e programas de viagens que exploram as diversas tradições culinárias encontradas em todo o mundo. Os espetadores familiarizados com séries como “Chef’s Table”, que se aprofunda no mundo da alta cozinha, e “Street Food”, que explora a vibrante cultura da comida de rua em vários países, provavelmente acharão que “Santas garnachas” é uma adição apelativa às suas listas de visualização.
No entanto, “Santas garnachas” distingue-se por se centrar especificamente num tipo particular de comida de rua: a garnacha. Esta abordagem mais limitada permite uma exploração mais profunda do prato em comparação com séries mais amplas como “Street Food: América Latina”, que abrange uma gama mais vasta de comidas de rua em vários países. Ao dedicar a sua atenção unicamente às garnachas, a série tem a oportunidade de oferecer um exame mais matizado e detalhado da sua história, da sua importância cultural, das suas variações regionais e das apaixonadas pessoas que as confecionam. Esta abordagem centrada poderá oferecer uma nova perspetiva dentro do género documental gastronómico, proporcionando aos espetadores uma compreensão mais profunda de uma categoria culinária única, mas incrivelmente diversa, dentro da comida de rua mexicana.
A nossa opinião
Não vejam se estão de dieta. É divertidíssima, deliciosa e encantadora. Todos os episódios se baseiam em conhecer as pessoas que fazem estas iguarias e no nosso amigo Andrés “Peluche” Torres a comer. É impossível não ficar com vontade de assaltar o frigorífico.
No entanto, o melhor desta docussérie está em algo que não se vê: Memo Villegas faz de narrador e os seus comentários tornam este documentário delicioso, também, divertido e encantador. Sources and related content
Onde assistir “Santas garnachas”