Televisão

Maximum Pleasure Guaranteed estreia-se no Apple TV+ com Tatiana Maslany

Dez episódios, David Gordon Green na realização e a primeira aposta solo no regresso de Tatiana Maslany
Martha O'Hara

A Apple TV+ coloca Tatiana Maslany ao volante de uma carrinha e pergunta até que ponto as coisas têm de descarrilar para que uma mãe que leva os filhos ao futebol deixe de fingir. Maximum Pleasure Guaranteed, a comédia negra de dez episódios criada por David J. Rosen, estreia-se na plataforma com Maslany como Paula Sanders: uma mãe recém-divorciada cuja vida arrumada se transforma numa cadeia de chantagem, braço-de-ferro suburbano e cadáveres em sítios onde não deveriam estar. A série inteira é um veículo Maslany, e a Apple sabe-o.

Não houve uma série protagonizada por Maslany desde o fim de Orphan Black, e essa ausência é o motor do posicionamento estelar. Ganhou o Emmy por interpretar nove clones distintas numa única série canadiana de ficção científica e depois entrou na Marvel como Jennifer Walters em She-Hulk: Defensora de Heróis, onde deixou claro que o seu sentido cómico esteve sempre debaixo das clones dramáticas. Maximum Pleasure Guaranteed é a primeira propriedade que volta a pedir-lhe que sustente uma série do princípio ao fim. A decisão de casting já é a notícia.

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David Gordon Green realiza os episódios e divide o crédito de produtor executivo com Rosen, o que retira a série do território habitual da comédia de plataforma e a aproxima do cinema de autor. O percurso de Green vai de George Washington e Pineapple Express até à trilogia recente de Halloween; a sua presença numa comédia negra de dez episódios é o sinal criativo mais forte que a Apple mandou sobre o projeto. O teaser, intitulado «Maximum Chaos», entrega o pitch nos primeiros noventa segundos e fecha com um plano do rosto de Maslany a fazer algo que os seguidores de Orphan Black reconhecerão: o brilho de uma mulher competente a calcular se consegue esperar que o problema passe ou se tem de agir.

A arquitetura de produção aumenta a aposta. A Genre Films, casa de Simon Kinberg e Audrey Chon, desenvolve a série no âmbito do seu first-look com a Apple TV+; Bard Dorros produz para a Anonymous Content, a empresa cujo catálogo televisivo inclui True Detective, Mr. Robot e The Knick. A Apple Studios produz. A Counterpart Studios fecha o pacote. Nenhuma destas casas trabalha em material morno, e juntá-las às quatro em torno de um único arco de dez episódios lê-se como confiança no guião antes do que como rampa de lançamento para uma franquia de várias temporadas.

À volta de Maslany, o elenco está montado com cuidado. Jake Johnson interpreta Karl Hendricks, o rosto reconhecível de New Girl e da saga animada de Spider-Verse, encaixado no que parece estruturalmente a desviação secundária: o homem que aparece para complicar a história que Paula está a contar a si própria. Brandon Flynn, de Por Treze Razões, entra como a figura jovem cujo envolvimento com Paula despoleta a queda; Murray Bartlett, fresco de The White Lotus e The Last of Us, acrescenta outra camada de pedigree reconhecível. Dolly De Leon é a detetive Sofia Gonzalez, a pressão processual a subir o passeio do bairro, carregando o peso que conquistou em Triângulo da Tristeza. Jessy Hodges, Jon Michael Hill, Charlie Hall, Kiarra Hamagami Goldberg e Nola Wallace fecham o banco. É mais profundo do que sugere o cartaz.

O registo cómico é o equilíbrio que a série tem de acertar. A Apple TV+ teve êxito limitado com comédia negra em câmara única fora de Bad Sisters e Loot; a sua marca de ficção pende para o drama prestígio, não para o registo suburbano de chantagem que a AMC e a FX dominam há quase uma década. Maximum Pleasure Guaranteed entra precisamente nesse terreno. Se o público da plataforma a recebe onde o canal acha que vai receber é a pergunta em aberto que os dez episódios têm de responder.

O lançamento é a conta-gotas, não em maratona. Dois episódios estreiam no dia da estreia; os seguintes chegam às quartas-feiras até meados de julho. A Apple foi consistente com este formato nas suas comédias e thrillers de ficção, e a opção mantém a série em conversa durante cerca de dois meses em vez de a fazer desaparecer num único fim de semana. Para uma ficção sustentada no desempenho da protagonista, o semanal é a escolha de distribuição mais honesta: deixa o trabalho de Maslany acumular-se.

David J. Rosen não tinha ancorado antes uma série num rosto deste tamanho. A combinação de um showrunner em estreia, de um realizador com linhagem de cinema de autor, de um elenco encabeçado por uma vencedora do Emmy que regressa à televisão, de uma equipa de produção de casas prestígio e de um espaço na Apple TV+ lê-se como a aposta da plataforma: o veículo certo para uma protagonista que regressa é um arco contido de dez episódios sem expectativas de franquia agarradas. Maximum Pleasure Guaranteed é a prova. As próximas dez semanas decidem se a aposta resulta.

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