Desporto

Cristiano Ronaldo, a missão que 973 golos e cinco Bolas de Ouro não conseguiram completar

Penelope H. Fritz
Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento5 de fevereiro de 1985
Funchal, Madeira, Portugal
OcupaçãoFutebolista
Conhecido porOne Direction: This Is Us, Ronaldo, Messi
PrémiosBallon d'Or 2008 · Ballon d'Or 2013 · Ballon d'Or 2014 · Ballon d'Or 2016 · Ballon d'Or 2017 · UEFA Champions League 2008 · UEFA Champions League 2014 · UEFA Champions League 2016 · UEFA Champions League 2017 · UEFA Champions League 2018 · UEFA Euro 2016 (Portugal) · UEFA Nations League 2018-19 (Portugal)

Os números que definem a carreira de Cristiano Ronaldo deixaram há muito de funcionar como simples comparações. Melhor marcador da história do futebol masculino a nível internacional. Mais golos na Liga dos Campeões. Cinco Bolas de Ouro. Cinco taças europeias. Trinta e cinco títulos maiores. E assim mesmo, quando bisou a 21 de maio de 2026 para dar ao Al-Nassr a Saudi Pro League — o primeiro campeonato doméstico dele em Riade —, a pergunta foi a mesma de sempre: porque falta ainda a Taça do Mundo?

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro nasceu no Funchal, capital da ilha da Madeira, o mais novo de quatro filhos de uma família de classe trabalhadora. O pai, jardineiro municipal e auxiliar de balneário num clube local, apresentou-o ao futebol aos oito anos. Aos doze, Ronaldo abandonou a ilha rumo à academia do Sporting CP em Lisboa. Uma arritmia cardíaca aos quinze anos — corrigida cirurgicamente — chegou a pôr em causa tudo o que se seguiria. Recuperou. Dois anos depois, o Sporting deu-lhe a estreia profissional.

O Manchester United contratou-o em 2003 por 12,24 milhões de libras — então o recorde para um júnior na Premier League. Seis anos depois, tinha conquistado três títulos ingleses, uma Liga dos Campeões em Moscovo (2008) e a primeira Bola de Ouro. O Real Madrid pagou 80 milhões de libras em 2009 — recorde mundial na altura — e recebeu 450 golos em 438 jogos, quatro Ligas dos Campeões, duas Ligas e mais quatro Bolas de Ouro.

A transferência para a Juventus em 2018 visava conquistar a Liga dos Campeões para o clube italiano. Não aconteceu. Dois Scudettos chegaram; o título europeu não. O regresso ao Manchester United em 2021 foi ainda mais conturbado: uma entrevista televisiva com Piers Morgan, onde questionou publicamente o treinador Erik ten Hag e os proprietários do clube, levou à rescisão do contrato em novembro de 2022. A entrevista revelou pela primeira vez de forma clara a tensão entre a narrativa que Ronaldo constrói sobre si próprio e a realidade institucional do clube onde jogava.

Na Arábia Saudita, o marcador voltou a responder. O Al-Nassr contratou-o em janeiro de 2023: cem golos em cento e seis jogos de campeonato, vinte e nove na temporada 2025-26, e o título com dois golos a 21 de maio. Com quarenta e um anos, Ronaldo continua entre os avançados mais produtivos do futebol de alto nível.

A 11 de junho de 2026 começa o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. Ronaldo confirmou que será o seu último grande torneio internacional. Portugal, no Grupo K, estreia a 17 de junho frente à República Democrática do Congo. Chega como o maior marcador da história do futebol internacional — 143 golos em 226 internacionalizações — e com a declaração de que pretende retirar-se nos próximos um ou dois anos. O Mundial foi sempre o caso excepcional na carreira de Ronaldo: a competição onde o génio individual é necessário mas não suficiente. Com quarenta e um anos e 973 golos, enfrenta a última variável em aberto.

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