Televisão

Vox Machina: a saga mais sombria chega à 4.ª temporada na Prime Video

Jun Satō

A Lenda de Vox Machina começou como um jogo. Não uma ideia para uma série animada, não um projeto em desenvolvimento — uma campanha de Dungeons & Dragons filmada ao vivo, improvisada por atores de voz que não faziam ideia de que estavam a construir algo que duraria décadas.

Os mercenários Vox Machina — interpretados pelos mesmos membros de Critical Role que os conceberam à mesa de jogo — estão de regresso à Prime Video para uma quarta temporada. A saga que começou como campanha de financiamento coletivo e se tornou ordem de múltiplas temporadas da Amazon chega agora ao que os seus criadores sempre souberam que estava a chegar: os capítulos mais pesados, onde a comédia coexiste com a perda.

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O estúdio Titmouse, fundado por Chris Prynoski, transformou sessões gravadas num mundo animado de florestas tingidas de tinta e interiores com luz de tocha. A animação recusa a lisura digital predominante: os corpos têm peso, a violência tem impacto visual, e a classificação TV-MA não é censura mas escolha estética. Exandria tem, nas mãos do Titmouse, a rugosidade de algo feito à mão — porque foi.

Laura Bailey dá voz à arqueira Vex’ahlia, Taliesin Jaffe ao artilheiro Percy, Ashley Johnson à clérigo Pike, Liam O’Brien ao ladino Vax’ildan e Marisha Ray à druida Keyleth. São os mesmos jogadores que, num estúdio com câmeras de jogo, interpretaram estas personagens durante centenas de horas antes de existir qualquer guião. O diálogo tem o ritmo de pessoas que se conhecem há anos porque, fora de cena, conhecem-se há anos. Isso é impossível de imitar.

Nada disto estava previsto como série de televisão. A campanha de financiamento coletivo pediu recursos para um especial animado único e recolheu fundos suficientes para ordens de múltiplas temporadas. A Amazon assumiu a partir daí, mas o que tinha sido um projeto de paixão tornou-se um dos títulos animados de referência da plataforma, sem perder a energia da sessão de jogo: digressivo, centrado nas personagens, disposto a gastar uma cena numa piada ou numa ferida.

A saga vinha escurecendo por decisão. O que começou como uma história sobre mercenários à procura de dinheiro fácil foi, temporada a temporada, pedindo-lhes que se tornassem aquilo que evitavam — protetores, e depois algo mais pesado do que isso. Os jogadores de Critical Role sabem para onde a primeira campanha vai; a conclusão é conhecida dentro da comunidade que a seguiu ao vivo durante anos. A série navega em direção a esses capítulos mais tardios com a confiança de um projeto que conhece o seu destino.

A quarta temporada estreia na Prime Video a 3 de junho. O que está em jogo não é se Exandria sobreviverá — é se a animação feita à mão pode continuar a crescer para fora de uma mesa de jogo e permanecer fiel à imperfeição deliberada que a distingue. Até agora, os traços de tinta têm respondido por ela.

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