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Emmerdale volta a incendiar um casamento — e Dawn escolhe o homem errado

Liv Altman

Um casamento numa novela britânica nunca é um casamento. É uma contagem decrescente. A tenda branca, os votos mal ensaiados, a família reunida a rigor — neste género, esses elementos não são a promessa de um futuro, mas o cenário montado para a sua demolição, e a Emmerdale passou a vida inteira a provar a regra. Por isso, quando os Dales se juntam para ver Dawn casar-se com Joe Tate, o telespectador experiente não pergunta se vai correr mal. Pergunta com que estrondo.

A cobertura mediática desta semana focou-se na pergunta errada. Cada trailer lido e cada rumor perseguido andam à volta da mesma palavra — quem morre? — como se a resposta fosse a história. Não é. A morte, se vier, é a carga útil. O motor por baixo dela é mais antigo e mais silencioso, e é aquilo que a novela realmente alimenta: uma mulher que não consegue deixar de escolher o homem errado para si.

A Emmerdale aprendeu esta aritmética cedo. Em 1993, fez cair um avião na aldeia e matou quatro dos seus, e dezoito milhões de pessoas viram — a maior audiência que o programa alguma vez alcançou. Fez explodir o Woolpack em 1998. Deixou cair um helicóptero no local em 2013 e enterrou Val Pollard nos escombros. A semana-catástrofe não é uma novidade para esta novela; é a sua catedral, reconstruída de poucos em poucos anos, e o casamento é simplesmente o altar mais fiável para queimar.

Os mecanismos desta vez são puro relógio, e satisfatórios por isso. Dawn tenciona deixar Joe plantado no altar e fugir — com Billy, as crianças e o bebé por nascer de Joe — convencida de que Joe esteve por trás do ataque ao seu ex-marido. Billy sabe melhor; foi o Kev, e Caleb sempre soube. Caleb é o engenheiro da história, sentado em cima dos passaportes falsificados até à manhã do casamento, para que a humilhação de Joe aconteça diante da aldeia inteira, e depois desliza um maço de notas a Billy para pôr a coisa em movimento. Quando Graham apanha Dawn a arrumar o carro, ela dá-lhe com uma pá; segundo os spoilers recolhidos pela TV Guide e outros, ele acorda amarrado enquanto o dia que foi pago para proteger se desfaz.

É aqui que a semana se justifica, e não tem nada a ver com os efeitos especiais. Olivia Bromley, que interpreta Dawn, tem sido invulgarmente franca sobre porque é que a sua personagem continua a voltar para a pior opção. Parte disso, disse ela, é que Dawn é uma viciada que vê o lado bom em Joe contra toda a evidência — ela ama o homem errado e não consegue evitá-lo. Isso não é um buraco no enredo. É o mecanismo de retenção. Uma personagem que aprende a lição vai-se embora; uma personagem presa na mesma má escolha é uma razão para voltar no ano seguinte. Dawn é o recurso renovável da Emmerdale.

O espetáculo está devidamente prometido. No This Morning, Bromley avisou sobre cenas de ação envolvendo “fogo e explosões e calor”, sobre uma semana inteira em que “o público não vai esperar o que vai acontecer”, e recusou-se redondamente a dizer se Dawn sobrevive a isso. Um trailer colocou-a com um véu preto; o rumor tem-na como saindo depois de oito anos, com o ator de Jimmy King também apontado para sair. Nada disto está confirmado — os meios que perseguem a morte admitem-no — e o não-confirmar é que é o objetivo. Uma saída por resolver é uma alavanca que a novela puxa de propósito. Entretanto, a DS Thea Ramsden chega para investigar com uma agenda própria, um rancor contra Kim Tate que tem alimentado há anos, o que vos diz que as consequências já estão a ser ligadas à próxima história antes de o fumo se dissipar.

Esse é o verdadeiro ofício aqui, e merece respeito mesmo enquanto a tenda se transforma em chamas. A Emmerdale não está a construir um casamento. Está a construir a razão pela qual ainda estarão a ver quando o próximo for anunciado.

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