Críticas

355, um elenco de estrelas que nunca encontra a sua missão

Liv Altman

Poucos filmes de ação juntaram tanto talento num único plano. 355 coloca Jessica Chastain, Lupita Nyong’o, Penélope Cruz, Diane Kruger e Fan Bingbing no mesmo thriller de espionagem — cinco atrizes com Óscares, nomeações e verdadeiro peso de estrela — para depois lhes pedir surpreendentemente pouco. O resultado é aquele raro blockbuster que parece mais montado do que realizado, saído de um quadro de marketing antes do que de um argumento.

Realizado por Simon Kinberg a partir de um argumento que assina com Theresa Rebeck, o filme segue uma agente da CIA (Chastain) que se alia a contragosto a uma agente alemã (Kruger), uma antiga especialista cibernética do MI6 (Nyong’o), uma psicóloga colombiana (Cruz) e uma reservada operacional chinesa (Fan Bingbing) para recuperar um dispositivo capaz de decifrar qualquer sistema do planeta. Dão a si próprias o nome “355”, o nome de código da primeira espia da Revolução Americana. A intriga salta de Paris a Marraquexe e a Xangai, assinalando todas as casas do cinema de espionagem sem nunca descobrir porque é que isso nos deveria importar.

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Tudo conceito, nenhuma execução

Kinberg, produtor prolífico apenas na sua segunda longa como realizador, encena as sequências com correção e sem assinatura. Os momentos de ação chegam a horas — uma perseguição num mercado, uma fuga pelos telhados, uma infiltração de gala numa leiloeira —, mas estão filmados e montados como qualquer outro thriller de orçamento médio da era do streaming: muito movimento e nenhuma tensão. O argumento pára a toda a hora para explicar o próprio título e para reorganizar alianças que nunca parecem conquistadas. Para um filme sobre as agentes mais perspicazes do mundo, mostra-se curiosamente relutante em deixá-las serem espertas.

355 (2022)
355 (2022)

Cinco estrelas à procura de um filme

O que o mantém de pé é o elenco, a trabalhar muito abaixo do seu teto e ainda assim a elevar o material por puro ofício. Chastain, também produtora e impulsionadora do projeto, traz uma convicção de aço que o argumento nunca recompensa; Nyong’o encontra graça numa hacker mal esboçada; Kruger e Cruz geram uma breve e bem-vinda química de dupla díspar. Fan Bingbing surge tarde e subaproveitada. Passa-se o filme a imaginar a obra mais afiada que estas cinco poderiam ter feito com um realizador que tivesse algo a dizer.

355 queria lançar uma franquia — uma resposta no feminino ao clube masculino do cinema de espionagem — e acabou como um aviso sobre o conceito acima da execução. O público ficou em casa, a crítica encolheu os ombros e uma ideia genuinamente boa esgotou-se num produto genérico. Não é ofensivamente mau; para um filme com este elenco é algo pior: esquecível. O talento no ecrã merecia o thriller de espionagem que este nunca se dá ao trabalho de ser.

Ficha técnica e elenco

Realização: Simon Kinberg. Argumento: Simon Kinberg, Theresa Rebeck. Elenco: Jessica Chastain, Lupita Nyong’o, Penélope Cruz, Diane Kruger, Fan Bingbing, Sebastian Stan, Édgar Ramírez. Estados Unidos, 2022. 122 minutos.

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Simon Kinberg

Simon Kinberg

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