Críticas

Os Pombinhos: Issa Rae e Kumail Nanjiani, o crime é a parte mais fácil

Martha Lucas

Há um assassínio em Os Pombinhos, mas não é esse o verdadeiro problema da noite. Michael Showalter usa a premissa de comédia policial como pretexto narrativo para colocar Jibran e Leilani numa situação em que não conseguem evitar a conversa que andavam a adiar: se a sua relação de quatro anos ainda vale alguma coisa, ou se já acabou antes de entrarem no carro.

Issa Rae e Kumail Nanjiani constroem uma química que não é a do romance nascente, mas a do desgaste acumulado — um registo mais exigente que os dois actores gerem com precisão. Leilani já chegou à conclusão que Jibran adia sistematicamente. Essa assimetria é a tensão dramática real do filme, mais honesta sobre o fim de uma relação do que a maioria das comédias românticas.

Showalter, que em The Big Sick demonstrou preferência pela exactidão emocional em detrimento do espectáculo, dirige aqui com pragmatismo: manter a comédia suficientemente escura para que os riscos pareçam reais, suficientemente leve para que o humor funcione. Consegue-o na maior parte do tempo.

O terceiro acto comprime a resolução do caso numa sequência que contrasta com a atenção dispensada ao resto do filme. A revelação do culpado não tem peso dramático — porque não era suposto tê-lo. A resposta à pergunta verdadeira do filme chega nas últimas réplicas.

Os Pombinhos chegou à Netflix em Maio de 2020, depois do lançamento em sala previsto pela Paramount ter sido cancelado pela pandemia. Uma comédia que sabe o que quer e o faz com clareza merece a nota de 7,2 aqui atribuída.

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Michael Showalter

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