Críticas

Underneath the Same Moon: um romance entre a amnésia e um amor perdido e reencontrado

Liv Altman
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A cena é simples, mas marcante: um homem abre os olhos numa cama de hospital, com a confusão estampada no rosto ao perceber que a aliança no dedo não é aquela de que se lembra de ter comprado. É assim que começa Underneath the Same Moon, uma mistura de comédia, drama e romance realizada por Bob Wasson em 2019, que nos pede que suspendamos a descrença em nome de uma história de amor.

A premissa é, sem dúvida, intrigante: Carl acorda de um coma sem qualquer memória dos últimos cinco anos. A sua última recordação é a compra de uma aliança — só que não era para a mulher com quem está agora casado, mas para uma ex-namorada. Segue-se uma viagem de carro em que Carl tenta conciliar os desejos do coração com uma mente em branco. A realização de Wasson e a montagem do filme mantêm um ritmo vivo, impedindo que a história se enrede nas suas próprias complicações.

É nas interpretações que Underneath the Same Moon mais se destaca. O protagonista sustenta o peso emocional do filme com um carisma natural, tornando palpáveis a confusão e a vulnerabilidade de Carl. O elenco secundário, incluindo a mulher de Carl e o seu melhor amigo, dá um sólido apoio e confere autenticidade aos momentos de ternura e humor. A química entre Carl e a ex-namorada é particularmente convincente e acrescenta novas camadas ao conflito central.

A originalidade do filme está na premissa — a amnésia como artifício narrativo para explorar o amor e a identidade —, mas a execução nem sempre está à altura. O enredo depende muito da perda de memória de Carl, que por vezes parece mais um expediente do que um ponto de partida para uma exploração mais profunda. Algumas situações de humor roçam o pirosismo, sobretudo nas cenas em que Carl interage com o novo companheiro da ex-namorada. Além disso, o ritmo, embora geralmente sólido, perde por vezes alguma consistência: certos momentos emocionais resultam melhor do que outros.

Em termos de género, Underneath the Same Moon percorre vários territórios sem se comprometer por inteiro com nenhum. Isso pode dar-lhe, por vezes, um tom irregular, embora também proporcione uma experiência variada, capaz de agradar a um público mais amplo. O filme tem, sem dúvida, o coração no sítio certo, e os temas do amor, da identidade e da descoberta de si próprio têm um apelo universal.

No fim de contas, Underneath the Same Moon é um sólido filme independente que cumpre o que promete: emoção, humor e uma viagem sentimental envolvente. Deverá tocar sobretudo os espectadores que apreciam dramas românticos com um toque de fantasia e uma pitada de angústia existencial. Para quem valoriza interpretações autênticas e narrativas que desafiam as convenções, este filme oferece uma experiência gratificante.

Isso não significa que não tenha falhas. A dependência da amnésia como motor do enredo pode parecer, por vezes, um atalho narrativo, em vez de uma exploração significativa da identidade. As mudanças de tom entre comédia, drama e romance podem ser bruscas, e o filme nem sempre consegue encontrar uma voz consistente. Ainda assim, as interpretações são suficientemente fortes para o atravessar nos momentos menos conseguidos, e o seu núcleo emocional é genuíno.

É possível estabelecer paralelos com outros filmes que exploram temas semelhantes, como 50 First Dates ou The Vow, mas Underneath the Same Moon encontra o seu próprio espaço graças à combinação singular de humor e emoção. Não procura fazer grandes declarações cinematográficas: concentra-se antes no percurso íntimo do protagonista.

Para quem gosta de narrativas centradas nas personagens, que misturam humor e drama, vale a pena ver Underneath the Same Moon. É um filme que nos pede que acreditemos no poder do amor e na complexidade da memória humana, mesmo quando a lógica parece apontar noutra direção. As interpretações são fortes, a realização é segura e os momentos emocionais acertam no alvo mais vezes do que falham.

No fim, Underneath the Same Moon deverá encontrar o seu público entre quem aprecia romances independentes com um toque de excentricidade e muito coração.

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