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Coslada Radial chega à sexta edição: a dança contemporânea reclama as ruas de uma periferia de Madrid

Lisbeth Thalberg

Cada setembro, Coslada — um subúrbio pós-industrial a leste de Madrid — vive uma transformação singular. As suas praças, parques e o Teatro Municipal tornam-se palco de um festival de criação contemporânea que, em seis edições, se afirmou como um dos pontos de encontro mais consistentes entre cultura municipal e criação profissional na região. O VI Coslada Radial não é principalmente um evento que acontece num teatro: é uma proposta sobre onde pertence a arte, e para quem.

A dança ancora esta edição, com curadoria de Juan de Torres Larumbe — director da companhia residente Larumbe Danza. Cinco companhias chegam de quatro regiões espanholas com propostas que quase nada partilham em termos de técnica. Da Galiza, Baunsbak, de Elvi Balboa, coloca o corpo numa nova física do ressalto, construída em torno de jumping boots como instrumento fundamental do movimento. De Málaga, Gravedad mutua, da REA Danza, suspende dois corpos em cordas aéreas e converte a gramática da confiança e do peso em coreografia. Da Comunidade Valenciana, Rito, da OtraDanza — criação de Asun Noales e Susana Guerrero — sobrepõe mitologia antiga, grega e mixteca, à história da vanguarda da dança do século XX, reunindo escultura, luz, som e movimento num mesmo espaço.

De Madrid, Elías Aguirre traz Flowerheads Show, em que três figuras de estética barroca habitam um peculiar «jarím das delícias» povoado por insectos, flores e anfíbios, com música original de Ed is Dead e José Pablo Polo. A companhia jovem LD2, com doze bailarinos entre 14 e 17 anos, apresenta Grounded Gravity — uma peça de energia colectiva explosiva coreografada por Larumbe para a ocasião. A LD2 é ela própria um argumento sobre o local: nasce dos Talleres Larumbe, um programa de formação de quinze anos que acompanhou jovens em Coslada e aponta para uma ecologia sustentável da dança.

Performer inside Teatro Municipal de Coslada, La gran fiesta by Nelson Galtero
Imagen: Nelson Galtero / VI Coslada Radial

Teatro e instalações experienciais completam a programação. O Teatro Ruido Interno funde presença em palco e realidade virtual em Cervantes encantado, explorando o Século de Ouro e a obra de Cervantes. Menina, do 7 Bubbles, é uma deambulação itinerante inspirada em Velázquez e no escultor Juan Muñoz, que transforma a figura da menina num enorme joão-teimoso e convida o público a acompanhar a busca pelo ponto de vista ideal. A Cosmos Creativo e a MyH Producciones trazem Universo Accesible, uma viagem astronómica pela arte e pela ciência guiada por um actor e uma inusitada inteligência artificial.

O que perpassa toda a programação é o décimo aniversário do Teatro Municipal — que confere a esta sexta edição uma ressonância particular. La gran fiesta, de Nelson Galtero, retoma a sua estreia de maio: uma experiência narrativa imersiva nos espaços habitualmente fechados ao público do teatro, construída em torno da história de Carmen, uma galinha cujo dono a leva ao teatro como último recurso. No sábado, dia 19, Coslada enamorada entra na sua segunda fase: a escultura da cidade, a Mujer de Coslada, de Antonio López, responde à declaração de amor do teatro feita em maio, com os cidadãos como testemunhas. Um terceiro acto em Dezembro concluirá o ano do aniversário.

Hugo Nieto assume a direcção artística pelo sexto ano consecutivo. O festival realiza-se entre 18 e 20 de setembro em espaços públicos e fechados de toda a cidade. A maioria das actividades é gratuita; as que requerem controlo de lotação pedem uma contribuição simbólica de um euro. Concertos nas noites de sexta e sábado completam os três dias. Programa completo em coslada.es/radial.

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