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O comando de GTA VI para a PS5 custa 85 € e é a única coisa que vai realmente possuir no lançamento

Adrian Kessler

A Sony e a Rockstar revelaram esta semana o primeiro hardware do Grand Theft Auto VI, e é exatamente aquilo que uma década de procura reprimida produz: um par de comandos DualSense vestidos a Vice City. Um traz o néon da cidade depois de escurecer; o outro, os pastéis desbotados pelo sol do dia. Ambos brilham com um acabamento de mudança de cor, ambos têm folhas de palmeira moldadas no corpo e o logótipo do jogo à volta dos sticks. Têm um aspeto fantástico. São também o sinal mais claro até agora de como este lançamento vai ser vendido.

Porque um comando não é o jogo. O jogo ainda está a meses de estar nas mãos de alguém, e a máquina construída para vender coisas à sua volta já está a funcionar a toda a velocidade. É essa parte que vale a pena ler com atenção — não o acabamento, mas a sequência. A mercadoria chega primeiro, no seu próprio calendário, com um preço de artigo de coleção, e vai esgotar só com a antecipação. Estão a pedir-te que compres o Grand Theft Auto VI antes de o Grand Theft Auto VI existir como algo que possas realmente jogar.

O preço diz o resto em voz alta. Cada comando tem um preço recomendado de 84,99 dólares nos Estados Unidos, 74,99 libras no Reino Unido e 84,99 euros na Europa. Um DualSense normal, em cores lisas, custa 75 dólares — e isso já reflete um aumento discreto de 5 dólares que a Sony introduziu em 2024, face aos 70 dólares a que o comando foi lançado. Portanto, a edição Vice City é um prémio de dez dólares em relação a um comando normal, por um brilho e umas folhas moldadas. Não é o DualSense Edge de gama superior; os componentes eletrónicos são os do comando normal. Estás a pagar pela pele, e a pele é o objetivo.

É aqui que a história passa de um trabalho de pintura para algo mais afiado. Este comando é lançado no mesmo dia do jogo — e a própria edição ‘física’ do jogo, segundo a descrição da Rockstar, não é física de todo. A cópia em caixa do GTA VI não contém nenhum disco. “As cópias físicas do GTAVI conterão um código que pode ser trocado pela transferência digital do jogo”, disse a Rockstar. “Não será incluído nenhum disco na caixa.” Se comprares a edição standard, recebes uma capa de cartão, um pedaço de papel e uma licença vinculada à tua conta — nenhum disco para emprestar, revender ou colocar numa prateleira.

Coloca estes dois factos lado a lado e o comando deixa de parecer uma prenda para fãs. É, literalmente, o objeto mais físico que este lançamento produz. O jogo é uma transferência que alugas da tua conta; o comando é uma coisa que podes segurar, guardar e um dia vender. A Rockstar desmaterializou o seu maior lançamento e, ao mesmo tempo, vendeu-te uma lembrança tangível do mesmo. O objeto que possuis é o acessório. Aquilo a que vieste é um login.

Nada disto é um acidente de calendário. Quantidades limitadas, uma janela de pré-reserva que abre semanas antes, um lançamento alinhado com o próprio dia do jogo — é uma pista construída para converter entusiasmo em receita muito antes de uma única missão carregar. Os scalpers percebem o modelo perfeitamente; a primeira reação nos fóruns de entusiastas não foi desejo, mas um encolher de ombros sobre a rapidez com que o stock vai desaparecer e reaparecer com um sobrepreço. Quando uma empresa consegue vender um acabamento cromático com um prémio a uma base de fãs tão faminta, o acabamento não é o produto. A espera é.

Compra-o se quiseres — é um comando bonito, e não há vergonha em querer um comando bonito. Apenas tem consciência da troca. Neste lançamento, noventa dólares compram-te um comando de plástico que vais possuir por inteiro e oitenta compram-te um código para um jogo que vais apenas licenciar. A lembrança é mais tua do que a coisa que comemora.

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