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O estádio dos Patriots converte-se para receber o Mundial com sete jogos

Kenji Nakamura

A primeira coisa que o Gillette Stadium faz para o Mundial 2026 é arrancar o seu próprio piso. A arena dos New England Patriots — seis troféus Lombardi, duas décadas de domínio NFL — retira o relvado sintético e instala relva natural. A FIFA impõe-o a todos os recintos NFL do torneio. O que torna esta conversão singular em Foxborough é o contexto: este estádio nunca precisou de se provar a ninguém. Ainda assim, muda.

Foxborough já acolheu este torneio. O antigo Foxboro Stadium, erguido neste mesmo terreno, recebeu seis jogos do Mundial de 1994 — a edição que transformou a relação dos Estados Unidos com o futebol e reuniu 3,5 milhões de espectadores em 52 dias. A família Kraft, que construiu o Gillette Stadium em 2002 para lhe suceder, manteve essa ligação. Quando a FIFA voltou em 2026, Foxborough respondeu sem demora.

O estádio abre-se para o céu da Nova Inglaterra — verões húmidos, vento atlântico imprevisível, 65.000 lugares para o torneio. As duas torres de iluminação que ladeiam a estrutura tornaram-se uma referência regional, visíveis a partir da Route 1 nas noites de jogo.

Gillette Stadium illuminated at night in the rain, Foxborough Massachusetts
Photo: 4300streetcar / CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

O New England Revolution, arrendatário MLS do Gillette Stadium desde a inauguração em 2002, garantiu que o futebol nunca abandonou completamente este terreno. Os seus adeptos — entre os mais organizados da MLS — passaram duas décadas a construir uma cultura desportiva num recinto concebido para outra modalidade. A chegada do Mundial não os surpreende. Dá-lhes razão.

O Gillette Stadium acolhe sete encontros no total: cinco da fase de grupos nos Grupos C, I e L, mais um oitavo de final e um quarto de final. A fase de grupos tem encontros de peso. A Escócia defronta Marrocos no Grupo C num jogo que condiciona o percurso de ambas as seleções. A Noruega e a França encerram o Grupo I numa última jornada potencialmente decisiva. A Inglaterra joga contra o Gana no Grupo L — o encontro que encherá este estádio com o tipo de energia que conhece há duas décadas.

As seis bandeiras Lombardi ficam nas vigas. Pertencem a outro desporto, a outra época, a outra definição de vitória. O que o Gillette Stadium leva ao Mundial é mais simples e mais duradouro: um recinto que aprendeu, em vinte anos sob pressão, a suportar o peso de um grande jogo. O relvado está colocado. O mundo chega.

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