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Zachary Levi, do Chuck à Broadway: o actor que não parou de se reinventar

Penelope H. Fritz
Zachary Levi
Zachary Levi
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento29 de setembro de 1980
Lake Charles, Louisiana, USA
OcupaçãoActor, actor de dobragem, cantor
Conhecido porThor: Ragnarok, Entrelaçados, Shazam!
PrémiosGrammy · SAG · Tony

Há actores que escolhem os seus papéis e actores que os papéis escolhem. Zachary Levi pertence à segunda categoria. Quando vestiu o fato de Shazam! em 2019 — interpretando um adolescente de catorze anos magicamente transportado para o corpo de um super-herói adulto — não estava apenas a fazer comédia. Estava a jogar com algo que reconhecia em si próprio.

Nasceu Zachary Levi Pugh em Lake Charles, no estado da Louisiana, e cresceu no Condado de Ventura, na Califórnia. Começou a actuar aos seis anos em peças escolares e teatro regional — O Feiticeiro de Oz, Grease — e nunca parou. O palco era um refúgio de uma infância que mais tarde descreveria como complicada e marcada por abusos, mas também uma vocação. Um papel de Jesus numa produção local de Godspell valeu-lhe os primeiros contactos com a indústria.

Depois de Less Than Perfect (ABC, 2002–2006), uma comédia de situação simpática mas sem grande ambição, veio Chuck — a comédia de espionagem da NBC que durou de 2007 a 2012 — e isso mudou tudo. Interpretou Chuck Bartowski, um técnico de informática a quem são acidentalmente transferidos segredos de Estado para o cérebro. A personagem era adorável, ligeiramente desastrada e permanentemente surpresa com as próprias capacidades. Quando as audiências ameaçaram o cancelamento no final da segunda temporada, os fãs organizaram-se; Levi liderou centenas deles até um restaurante Subway em Birmingham, na Inglaterra. Resultou. A série chegou a cinco temporadas.

Em 2010, emprestou a voz a Flynn Rider em Enrolados, o filme de animação da Disney, tendo interpretado com Mandy Moore “I See the Light” — uma canção que ganhou o Grammy de melhor canção para meios visuais. Participou ainda em Thor: O Mundo das Trevas e Thor: Ragnarok como Fandral. Na Broadway estreou em 2013 com First Date e regressou em 2016 com She Loves Me, obtendo uma nomeação para o Tony. Em 2019 chegou o SAG Award pelo trabalho de conjunto em A Maravilhosa Sra. Maisel.

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Shazam! foi o papel que o colocou à cabeça de uma grande franchisa. O filme da DC de 2019 arrecadou 366 milhões de dólares em todo o mundo. A sequela de 2023, Shazam! Fúria dos Deuses, ficou pelos 57 milhões com um orçamento de 125 milhões — o pior resultado do Universo Estendido DC até então. Harold e o Lápis Mágico (2024) também não correspondeu às expectativas de bilheteira. São números difíceis de ler com generosidade. Ainda assim, Levi nunca baseou exclusivamente a sua carreira em blockbusters; a Broadway, a dobragem, a comédia televisiva de conjunto e os projectos de pendor religioso sempre fizeram parte do seu repertório.

O documento mais revelador deste período é Radical Love, as memórias publicadas em 2022. Aí descreve uma infância marcada por expectativas excessivas e abusos, décadas de ansiedade e depressão cuidadosamente escondidas, e um colapso aos trinta e sete anos que o levou a uma clínica com pensamentos suicidas. O livro não foi fruto de uma estratégia de imagem — foi o fim de uma representação que não conseguia continuar a sustentar.

Em 2025, protagonizou O Rapaz Inquebrável, um drama familiar sobre paternidade e deficiência. Nesse mesmo ano tornou-se pai pela primeira vez: o seu filho nasceu em Abril com a sua companheira Maggie Keating. A Fox Nation confiou-lhe a apresentação de David: Rei de Israel, uma docussérie em quatro partes sobre o rei bíblico, prevista para 2026. Está também em produção Free Fall, um thriller de acção sobre alpinismo dirigido por Zoë Bell.

Estes projectos apontam para um actor que deixou de se optimizar para o fato de super-herói e está a encontrar uma forma diferente de existir. Qual seja exactamente, os filmes que se seguirão dirão. Por enquanto, é pai, memorialista e um dos poucos em Hollywood que escolheu dizer em voz alta que tornar-se você próprio demora mais tempo do que tornar-se famoso.

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