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Charlie Taylor assina pelo Derby County: um seguro inteligente, não uma declaração de intenções

Kenji Nakamura

Tire-se a palavra “gratuito” e a contratação de Charlie Taylor pelo Derby County deixa de parecer um golpe de sorte para ser uma escolha de desenho. Um clube não contrata um lateral-esquerdo experiente por uma temporada para elevar o seu tecto; fá-lo para reduzir o risco de uma época que pode seguir vários caminhos. Isto é um seguro, comprado barato, e a questão interessante não é o preço, mas a forma que ele sugere.

John Eustace passou esta janela a construir uma espinha dorsal que absorve pressão em vez de gerar caos, e Taylor encaixa precisamente nessa ideia. É o perfil de baixo erro, defensivo — um lateral-esquerdo cujo valor está nas posições que não abandona, nas sobreposições em que não arrisca, nos momentos em que simplifica. Derry Murkin, contratado durante o inverno, é a opção atlética e ofensiva que deve dominar o flanco. Taylor é o contrapeso: o homem a quem se recorre quando o plano é ceder espaço e território e manter-se compacto.

Um interruptor, não um titular

Lido tacticamente, o reforço dá a Eustace um interruptor. Murkin dá ao Derby largura e ímpeto quando querem pressionar um jogo; Taylor dá-lhes um lado esquerdo mais plano e conservador para os jogos fora onde a prioridade é a baliza a zero e — porque pode deslizar para o centro da defesa — uma alavanca de emergência se a linha defensiva adelgaçar. Essa versatilidade é a verdadeira utilidade aqui. Não é uma função de destaque. É o tipo de redundância silenciosa que mantém um plantel da Championship de pé ao longo de uma longa temporada.

O que o movimento não faz é abordar as partes do plantel que realmente decidem onde o Derby acaba. O centro da defesa ainda parece leve após a saída de Danny Batth. O meio-campo precisa de pernas e controlo. O ataque continua a ser a questão em aberto. Uma contratação de cobertura para a lateral-esquerda — uma posição para a qual o Derby já tinha um primeiro-capitão — é a caixa mais fácil de marcar na lista, e Eustace marcou-a. As mais difíceis continuam em branco.

O currículo, e a ressalva

A cobertura em torno do negócio, do The72 ao Yahoo Sport, tem-se apoiado no pedigree de Taylor na primeira divisão, e é genuíno: uma longa passagem pelo Burnley, um formado na academia do Leeds que uma vez venceu o prémio de jogador do ano dos adeptos, perto de 170 jogos na Premier League atrás de si. Mas pedigree é um indicador atrasado. As suas duas últimas campanhas foram fragmentárias — uma figura marginal no Southampton, depois uma temporada de empréstimo no Championship ao West Brom para encontrar ritmo. O Derby não está a contratar o jogador que ancorou uma linha defensiva da Premier League durante a maior parte de uma década. Está a contratar a versão dele que passou as últimas temporadas a provar que ainda pode ser útil, o que é uma proposta mais modesta e mais honesta.

Essa honestidade é, na verdade, a força do negócio. Um contrato de um ano a custo zero compromete o Derby a nada. Preserva o orçamento e as vagas de empréstimo para as posições que realmente importam. Dá a um treinador que valoriza a estrutura uma opção fiável e de baixa manutenção que percebe o seu trabalho. O próprio Taylor enquadrou o apelo de forma simples — um grande clube, grandes multidões, uma decisão directa — e não há razão para duvidar.

Só não confundam a competência da transacção com a ousadia de uma declaração de intenções. O Derby resolveu um problema de profundidade e deixou os problemas definidores intocados. Se esta janela for recordada, será pelo que Eustace fizer em relação ao central e ao número 10 — não pelo lateral-esquerdo que contratou, calmamente e a custo zero, para garantir que o chão não cede.

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