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Copa do Mundo 2026, Grupo L: Inglaterra favorita — mas a Croácia de Modrić não concorda

Jack T. Taylor

A Inglaterra não sofreu um golo sequer nas eliminatórias. Sob Thomas Tuchel: oito jogos, oito vitórias, baliza a zeros em todas as ocasiões — o único clube europeu neste ciclo a encerrar a qualificação sem ser vazado. Este dado não é meramente estatístico. É a assinatura de uma equipa reconstruída estruturalmente: inteligência defensiva primeiro, golos depois e em volume. Em papel, o Grupo L pertence à Inglaterra.

O papel, porém, nunca tem a última palavra quando Luka Modrić está na sala.

A Croácia chega com uma matemática diferente. O percurso até à final de 2018 — ao longo do qual eliminou Argentina, Brasil, Inglaterra e uma França que era possivelmente a selecção mais completa do mundo — não foi construído superando esses adversários no talento. Foi construído resistindo mais do que eles no nervosismo. Zlatko Dalić nunca treinou a equipa mais talentosa de um torneio. Treinou, sistematicamente, uma das mais coesas. Essa distinção percorre oito anos e um continente, e viajará até Dallas.

Inglaterra: a transformação Tuchel

Harry Kane capitaneia a Inglaterra na sua terceira Copa do Mundo — um registo igualado. Mas a equipa em redor dele é substancialmente diferente daquela que continuava a chegar às meias-finais e a perdê-las. A estrutura de Tuchel transforma-se de um clássico 4-2-3-1 num fluido 3-2-5 quando a Inglaterra tem a bola: os laterais invertem a posição, Declan Rice instala-se como travão profundo, e Jude Bellingham — 22 anos, a funcionar como alguém uma década mais velho — torna-se o centro operacional de tudo o que a Inglaterra faz.

Bellingham é o ponto de pressão. Pressiona com uma inteligência que lê o jogo dois lances à frente, cobre o espaço entre linhas antes de os adversários se organizarem, e tem a rara capacidade de alterar o ritmo de um jogo sem bola tanto quanto com ela. Bukayo Saka pela direita testa os defesas no um para um e conquista bolas paradas pela pura insistência. Rice ancora a estrutura.

Aquilo que Tuchel cortou do ciclo anterior diz tanto quanto o que manteve. Cole Palmer fora. Phil Foden também. Trent Alexander-Arnold ausente. O seleccionador tomou decisões implacáveis, e os 26 convocados são fisicamente agressivos, construídos para a carga de um mês em vez de uma única exibição brilhante. Marcus Rashford — recuperado sob Tuchel após uma época difícil — oferece à Inglaterra uma solução ofensiva diferente ao lado de Kane, Saka, Anthony Gordon e Ollie Watkins.

A questão que a Inglaterra carrega para o Grupo L é a mesma que todo registo perfeito de qualificação deixa em aberto: qual versão desta equipa aparecerá quando o torneio realmente começar?

Croácia: o relógio que corre diferente

Luka Modrić terá 40 anos quando disputar a sua sexta Copa do Mundo nos Estados Unidos — uma marca que partilha, de forma notável, apenas com Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Saiu do Real Madrid para o AC Milan esta época, e o seu jogo opera agora menos pelo motor box-to-box do que por uma inteligência posicional tão refinada que parece desacelerar o jogo em redor de si.

Quando Modrić gere o ritmo, a Croácia não precisa de dominar a posse. Precisa de controlar a sua temperatura. A bola circula a passo lento quando ele quer matar o tempo, depois acelera em combinações curtas antes de o adversário conseguir reorganizar o bloco. Joško Gvardiol — um dos melhores defesas da Premier League esta época no Manchester City — confere à Croácia qualidade genuína na linha defensiva. Mateo Kovačić, recuperado de lesão, regressa como o piso resistente à pressão no meio-campo.

Andrej Kramarić como avançado é o arquétipo do perfil croata: sem explosividade, sem física especial, mas tecnicamente preciso em espaços reduzidos com um registo de golos pela selecção que consistentemente supera as expectativas. A Croácia teve um empate na qualificação, frente à República Checa. Não liderará as listas de favoritos. Mas quando o torneio chega à pressão das últimas jornadas do grupo, a Croácia encontra uma velocidade que a maioria das equipas não tem.

Gana: sem quem os qualificou

A preparação de Gana sofreu um golpe sério quando Mohammed Kudus — o avançado do West Ham cujo golo selou a qualificação e o jogador mais criativo no grupo de Carlos Queiroz — foi afastado por lesão. As Estrelas Negras são uma equipa genuinamente diferente sem ele.

Jordan Ayew é o capitão. Antoine Semenyo e Iñaki Williams trazem objectividade e velocidade no ataque, capazes de esticar defesas compactas. Thomas Partey dá ao meio-campo o seu motor e a sua autoridade organizacional. O plantel é jovem — média de idade próxima dos 26 anos — e Gana mostrou em ciclos da Taça Africana das Nações que pode competir com adversários tecnicamente superiores quando a estrutura se mantém. Mas Kudus era o jogador que encontrava soluções quando a estrutura não chegava. A sua ausência deixa uma questão sem resposta clara.

Panamá: o factor de complicação

A segunda participação do Panamá numa Copa do Mundo gira em torno de um jogador acima dos demais. Adalberto Carrasquilla — o Coco, no UNAM Pumas — é a força criativa mais perigosa da CONCACAF fora do México e dos Estados Unidos. Os 157 jogos do capitão Aníbal Godoy representam um recorde nacional e uma experiência organizacional que torna o Panamá compacto, disciplinado e difícil de marcar. A equipa de Thomas Christiansen pressiona alto, transiciona rápido e usa os flancos com propósito. Em 2018, competiram até ao apito final na Rússia.

São os outsiders do Grupo L. Um jogo de torneio contra adversários que chegam com certezas pode recompensar isso.

Os jogos e o argumento

Inglaterra e Croácia defrontam-se em primeiro lugar, no AT&T Stadium em Dallas a 17 de junho — o eixo do grupo. Uma vitória croata reconfigura todos os cálculos. Um empate mantém a pressão sobre a Inglaterra por mais dois jogos. Uma vitória inglesa abre distância difícil de recuperar.

Gana defronta o Panamá em Toronto no mesmo dia. Sem Kudus, a equipa de Queiroz é favorita para avançar — mas as linhas de ataque nesse jogo estão mais próximas do que os nomes sugerem.

A Inglaterra é a favorita para vencer o Grupo L. A Croácia é o único clube do grupo com história em grandes torneios e composição táctica para transformar esse prognóstico em algo menos que uma certeza.

Modrić entra em campo em Dallas em menos de duas semanas. Aos 40 anos, na sua sexta Copa do Mundo, já chega de aceitar as matemáticas dos outros.

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