Desporto

O regresso de Carlos Alcaraz ao US Open, ao lado de Serena Williams, revelou quatro meses de paragem

Jack T. Taylor

No maior court do ténis, perante uma plateia que ali fora para adorar, o melhor jovem tenista do mundo parecia um homem que tinha perdido a noção das próprias mãos. Carlos Alcaraz estava em Arthur Ashe Stadium ao lado de Serena Williams — uma parceria sonhada para vender bilhetes, não para ganhar troféus — e, durante uma estranha noite, o mais fluente construtor de golpes do desporto jogou como quem ensaia os passos.

A dupla falta chegou logo no primeiro ponto. Depois, serves a bater na rede, um campeão hesitante onde habitualmente é imperial. Alcaraz, que normalmente dobra este court à sua vontade, estava tenso, humano, inseguro. O resultado que se seguiu — uma vitória na estreia, depois uma derrota nos quartos de final — é o menos interessante da noite. O que importou foi ver um grande jogador redescobrir, em público e sem nada em jogo além do orgulho, o que os nervos realmente parecem.

É isto que uma longa paragem faz até aos melhores. Alcaraz não batia uma bola a sério desde que uma lesão no pulso o parou na primavera, riscando-lhe Roland Garros e Wimbledon. Regressou não através de um aquecimento discreto num pavilhão meio vazio, mas aqui, sob os refletores, no maior palco que o desporto tem — e escolheu fazê-lo de mãos dadas com a jogadora mais famosa que o ténis já produziu.

«Fiz dupla falta no primeiro ponto», admitiu Alcaraz. «Estava muito, muito nervoso. Estive quatro meses parado… Quase me esqueci de como se sente.» Leia-se outra vez: o terceiro classificado do ranking mundial, de volta a Ashe, a confessar que se tinha esquecido da sensação de competir. É aí que está a pista. O marcador é uma nota de rodapé; os nervos são o título.

Nada disto foi acidental. O US Open reconstruiu o formato das suas pares mistas exatamente para isto — uma exibição comprimida, repleta de estrelas, encaixada antes do torneio a sério começar, com o prémio para os vencedores engordado até um valor sonante e um quadro preenchido por nomes do singulares que, de outra forma, nunca se dariam ao trabalho de jogar pares. É teatro, e todos em court o sabem. E é precisamente por isso que funciona como rampa de reentrada: um jogador como Alcaraz pode sacudir a ferrugem diante de uma casa cheia sem ter pontos para o ranking nem uma verdadeira derrota em jogo.

Serena Williams foi a razão por que a casa estava cheia. De volta a Ashe pela primeira vez desde a despedida, sem estar inscrita em singulares, era o próprio espetáculo — o ace a 120 milhas por hora, o velho grunhido, o «Come on!» berrado que ainda levanta vinte mil pessoas. «Nunca esperei voltar a este court», disse ela. «Nunca pensei que isto fosse acontecer.» Mas o que estava em jogo, ainda que pouco, pertencia ao homem mais novo ao seu lado. Ela viera acenar; ele viera aprender a jogar outra vez.

O fim chegou contra Belinda Bencic e Flavio Cobolli, que venceram os quartos de final por 5-4(4), 4-1. Alcaraz e Williams nunca criaram um único break point; a devolução, a primeira coisa a faltar a um jogador enferrujado, traiu-os. Cobolli, que antes do encontro apelidara o par de «a rainha do ténis e o rei do agora», capturou o surrealismo depois do jogo: «Jogar contra a Serena e o Carlos em Arthur Ashe não é fácil. Já estava cansado antes do jogo, estou cansado agora.» Bencic confessou que não parava de olhar à volta do court, a perguntar-se como tinha ido ali parar.

Para Alcaraz, o diagnóstico é quase reconfortante. As mãos estavam lentas, os nervos estavam à flor da pele, e nada daquilo contou para coisa alguma. Sai do circo com a única coisa de que realmente precisava — a memória de como a pressão se sente — e com uns dias para a afiar antes do torneio que a vai exigir a sério. A ferrugem saiu no palco de Serena. A fatura chega no sorteio de singulares.

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