Tecnologia

Apple Music torna obrigatório o rótulo de IA — um terço dos lançamentos já é gerado

Susan Hill

Cada nova música submetida ao Apple Music passa a exigir uma declaração. Artistas e editoras têm de declarar quando a IA teve um papel material na criação de uma faixa, na sua letra, na sua capa ou no seu videoclipe. Façam a declaração com exatidão ou arriscam a remoção da plataforma.

A regra torna obrigatório o que a Apple introduziu como opcional em março de 2026. Por trás dela está um número que muda a forma como pensa na música que enche as suas playlists: mais de um em cada três de todos os novos uploads mensais no Apple Music são agora inteiramente gerados por IA, segundo o vice-presidente da Apple Music, Oliver Schusser.

A parte impressionante é o que se segue. Apesar de inundar um terço da fila de uploads, a música gerada por IA representa menos de meio ponto percentual do tempo de audição real na plataforma. Os ouvintes, sem que lhes tenham dito para o fazer, já se afastaram dela.

Esse fosso é precisamente o que tornou um rótulo voluntário insuficiente. Quando a grande maioria da música de IA permanece por descobrir nos catálogos de streaming, os músicos que competem pelos mesmos lugares enfrentam um problema que a boa vontade só por si não resolve. Um compositor que passa meses numa peça e um algoritmo que gera mil faixas durante a noite estão tecnicamente na mesma fila. O rótulo opcional não fez nada para os distinguir.

As ‘Transparency Tags’ da Apple vão mais longe do que a listagem de faixas. O requisito cobre composições — ou seja, letras — bem como capas e videoclipes. Qualquer conteúdo materialmente produzido por um serviço de IA generativa é abrangido, embora a Apple não tenha publicado um limiar percentual para o que significa ‘material’. Essa definição está a ser desenvolvida em consulta com a indústria musical.

Outras plataformas enfrentam os mesmos números, de forma menos discreta. A Deezer reportou que as faixas geradas por IA representam agora aproximadamente 44% dos uploads diários — um número que subiu de praticamente zero há três anos. O Spotify não anunciou um sistema de rótulos obrigatório, mas disse que está a avaliar políticas de conteúdo de IA. A abordagem da Apple aposta que a transparência é suficiente sem restrições.

O requisito de declaração aplica-se globalmente. O Apple Music está disponível em 167 países, e os artistas que submetem através de distribuidores importantes — DistroKid, TuneCore, CD Baby — encontrarão a declaração de IA no seu fluxo de upload independentemente da localização.

O que o rótulo não pode fazer é mover o problema. Milhares de álbuns gerados por IA já estão nos catálogos de streaming com contagens de ouvintes de um dígito, ocupando espaço nos resultados de pesquisa e nas recomendações de playlists. O rótulo diz-lhe o que algo é. Não altera onde cai.

A Apple planeia tornar os rótulos ‘Made With AI’ ativos ainda em 2026. A comunicação do lançamento com distribuidores e editoras importantes seguir-se-á nos próximos meses.

Etiquetas: , , , , ,

Discussão

Existem 0 comentários.