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Beauty in Black regressa à Netflix: a novela que a plataforma cancelou vai afinal ter quarta temporada

Liv Altman

Kimmie foi posta fora de casa pela mãe e acabou a trabalhar num clube de striptease; está agora sentada à mesa de uma das famílias mais ricas da história, suficientemente perto para respirar o dinheiro que nunca lhe deveria ter chegado. Essa distância — do chão de um clube a uma cadeira do império Bellarie — é todo o motor da novela de Tyler Perry, e a terceira temporada obriga-a a atravessá-la mais depressa do que gostaria quem já lá está sentado.

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Beauty in Black é a novela de Perry para a Netflix, construída em torno dos Bellarie, uma família cuja fortuna assenta num império afro-americano de cosmética e cabelo e nos segredos que mantêm esse dinheiro em circulação. Duas mulheres ocupam o centro. Kimmie, interpretada por Taylor Polidore Williams, sobe a partir do nada e descobre a cada passo quanto custa a subida. Mallory, a quem Crystle Stewart dá corpo, já vive dentro do sucesso que Kimmie persegue e defende o seu negócio e a sua imagem com mão bem mais fria.

A construção é mais hábil do que a fama sugere. Kimmie e Mallory não são apenas uma heroína e a sua rival: são duas leituras da mesma fronteira. Uma trepa para a fortuna por baixo, a outra já está dentro e vigia a porta. A série mantém os percursos separados e depois fá-los colidir, de modo que a distância de classe nunca precisa de ser enunciada. Perry escreve, realiza e produz quase sozinho, com diálogos que dizem em voz alta o que está em jogo e um enredo que prefere avançar a demorar-se — o mesmo motor que manteve The Haves and the Have Nots durante anos na OWN.

Essa linhagem é o que há de mais interessante. A novela de família dinástica é uma das formas mais resistentes da televisão americana. Dallas e Dinastia ensinaram às estações que o público seguiria durante uma década a crueldade de uma família rica; Empire provou que um império familiar negro podia levar a mesma arquitetura aos anos do prestígio. Beauty in Black é a versão refeita para a maratona, e o elenco guarda essa memória: Debbi Morgan, premiada com um Emmy diurno por All My Children, move-se pela órbita Bellarie e faz a ponte com a tradição que a série prolonga.

O que a superfície de novela transporta é, na verdade, uma história de mobilidade dentro da riqueza negra: a fantasia de passar do clube à administração e o preço dessa passagem. A porta que Kimmie tenta transpor não é a sociedade branca; é uma família que já lá chegou e que agora patrulha o seu próprio perímetro. A chantagem e os corpos enterrados são o sistema de entrega. O argumento por baixo pergunta quem tem direito a pertencer — e quanto custa a quem estende a mão.

Beauty in Black
Beauty in Black. Taylor Polidore Williams as Kimmie in episode 306 of Beauty in Black. Cr. Charles “Chip” Bergmann/Netflix © 2026

Daí uma notícia que reordena toda a temporada. A Netflix terá cancelado Beauty in Black e depois mudou de ideias: o que foi anunciado como terceira e última temporada já não é o fim, porque foi encomendada uma quarta. A novela que devia fechar continua aberta, não por arrumação, mas porque um drama protagonizado por pessoas negras que enche a lista dos mais vistos vale mais a decorrer do que concluído. O lugar que Kimmie finalmente conquista torna-se a pergunta que a temporada não consegue responder: um lugar na família é acesso ou captura? Perry nunca foi sentimental quanto a isso.

A terceira temporada de Beauty in Black chega em oito episódios na Netflix, num único bloco e novamente escrita e realizada por Perry. Regressa o elenco principal — Polidore Williams e Stewart no centro, com Ricco Ross, Amber Reign Smith, Debbi Morgan e Richard Lawson na órbita Bellarie — e empurra Kimmie mais para dentro da família do que alguma vez esteve, enquanto uma guerra interna ameaça derrubar todo o império.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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