Negócios e finanças

Kelly Ripa ausente do ‘Live’ após uma cirurgia: o talk show n.º 1 do daytime nem estremece

Victor Maslow

Quando metade de uma dupla de renome fica em silêncio durante uma semana, a questão interessante não é como a estrela está a recuperar. É se o programa sequer hesita. Kelly Ripa está sob ordens médicas para se calar enquanto recupera de uma cirurgia oral, e o seu lugar ao lado de Mark Consuelos será preenchido por um elenco rotativo de amigos famosos. O mais impressionante é o quão normal isso parece.

A cobertura mediática instalou-se num registo familiar de saúde de celebridades: o procedimento que evitou durante anos, o silêncio forçado, os apresentadores convidados a entrar um a um. Lido como um negócio, porém, a mesma semana conta uma história diferente. Isto não é a fragilidade da televisão movida a celebridades que os títulos sugerem. É antes o oposto — uma franquia concebida de modo que perder um nome durante uma semana quase não muda nada.

Os factos médicos são diretos. Ripa foi submetida a um enxerto gengival, tecido movido do céu da boca para cobrir gengivas retraídas, um procedimento que tinha adiado durante cinco anos por conselho do seu dentista. É doloroso o suficiente, disse Consuelos aos telespectadores, para que a sua esposa — que famosamente dispensa anestesia na cadeira do dentista — esteja a seguir as regras de recuperação desta vez. “A Kelly manda beijinhos”, disse ele na abertura, antes de admitir que a cirurgia “não era pouco”. Está proibida de falar enquanto recupera e espera-se que volte após cerca de uma semana.

No seu lugar, o programa fez o que sempre faz. Kevin Jonas ocupou o lugar primeiro; outros convidados preenchem o resto da semana. Nada disto é improvisado. Consuelos não é um substituto, mas sim um co-apresentador permanente — e marido de Ripa — e atrás dos dois há uma bancada profunda de celebridades prontas a entrar que a equipa de reservas pode convocar em curto prazo. A secretária foi construída para ter duas cadeiras, e apenas uma delas tem de ser Kelly Ripa em qualquer manhã.

Esse design protege algo genuinamente valioso. “Live with Kelly and Mark,” distribuído a nível nacional em sindicação pela Disney Entertainment e produzido pela WABC-TV, é o talk show sindicado mais visto e mais bem classificado do país — número um em todas as principais métricas pelo sexto ano consecutivo, e primeiro no seu horário há mais de 150 semanas seguidas. No seu pico de temporada, o programa atingiu 2,753 milhões de espetadores, correndo aproximadamente 55 por cento à frente do seu concorrente mais próximo.

O número que realmente paga as contas é mais restrito. O Live lidera o daytime talk entre mulheres dos 25 aos 54 anos — o grupo demográfico no qual as taxas de publicidade diurna são definidas — pelo sétimo ano consecutivo, e por uma larga margem. Essa liderança, e não a presença de qualquer apresentador individual numa terça-feira qualquer, é o que o programa vende aos anunciantes. Uma semana de co-apresentadores convidados não a abala. Numa paisagem diurna que tem vindo a perder programas e espetadores há anos, uma audiência tão grande e tão leal é um ativo raro, e as pessoas que a gerem sabem exatamente o quão cuidadosamente tem de ser defendida.

O que nos traz ao desconforto silencioso por detrás de uma atualização de saúde de rotina. Ripa não é apenas a estrela do programa; é uma das suas produtoras executivas — uma proprietária da própria máquina que agora prova que pode funcionar sem a sua voz. A resiliência que ajudou a construir é real, e é também uma declaração sobre como a moderna franquia de talk shows trata os nomes na porta: valiosos, amados e, durante uma semana, totalmente substituíveis.

O enxerto vai sarar e Ripa voltará à secretária com muito para dizer. A descoberta mais útil do programa esta semana é que, durante cinco manhãs, não precisou dela.

Etiquetas: , , , ,

Discussão

Existem 0 comentários.