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Pré-venda de ‘A Odisseia’ de Nolan é a maior da AMC desde 2022 e prova que o grande formato é o fosso

A epopeia da Universal rodada em IMAX esgotou o 70mm um ano antes: a sala premium é a única coisa que o streaming não consegue copiar
Veronica Loop

Durante cinco anos, Hollywood discutiu consigo mesma se o acontecimento na sala é um hábito em extinção ou um recurso renovável. ‘A Odisseia’ de Christopher Nolan encerrou o debate com um relatório de vendas. A adaptação de Homero produzida pela Universal não exibiu um único fotograma ao público e, ainda assim, já fez o que quase nenhuma estreia de estúdio consegue hoje: tornar o maior ecrã da cidade no bilhete mais escasso da cidade.

Como o Deadline avançou primeiro, a pré-venda do primeiro dia para as sessões em grande formato premium foi a mais forte que a AMC registou para qualquer grande título de estúdio em quatro anos. O termo de comparação importa mais do que o superlativo. Desde 2022, apenas os filmes-concerto distribuídos pela própria AMC — os de Taylor Swift e Beyoncé — estrearam com mais força. Entre as longas-metragens de ficção, nada se aproximou.

É o dividendo de uma estratégia que Nolan capitaliza desde que ‘Oppenheimer’ transformou um drama de três horas, denso em diálogo e sobre física, num fenómeno IMAX de mil milhões de dólares. Filma para os maiores formatos de propósito, trata a sala como parte do texto e habituou o público a acreditar que ver a sua obra em pequeno é ver uma versão inferior. A Universal, que o levou da Warner Bros. precisamente com essa premissa, está agora a receber pela aposta.

O que os números revelam é onde reside de facto o poder de fixar preços na exibição. O ecrã de grande formato premium — IMAX, 70mm, Dolby — é o único produto que uma sala de estar não consegue reproduzir, e os exibidores passaram a crise a construir mais salas assim precisamente para uma noite como esta. O site da AMC ruiu na quinta-feira sob filas de uma hora, enquanto a Regal e a Cinemark não relataram nenhuma: um sinal de que o apetite é de toda a indústria, mas a infraestrutura para o converter não está distribuída por igual.

O filme estreia a 20 de julho, com as salas de grande formato a reservarem uma janela de exclusividade de três semanas; as sessões em 70mm e 70mm IMAX esgotaram com um ano de antecedência e ainda restam mais de seis milhões de lugares nos formatos IMAX, Dolby e Prime. As sessões padrão entram à venda mais adiante neste verão.

Para já, os únicos títulos que alguma vez venderam mais depressa num dia de estreia na AMC são um concerto de Taylor Swift e um de Beyoncé — o que faz de Nolan, por improvável que pareça, o único cineasta de ficção cujo nome move bilhetes como uma digressão de estádios.

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