Música

Shakira aposta que três remixes de Dai Dai resistem à ressaca do Mundial

Alice Lange

Três remixes de «Dai Dai» — a colaboração entre Shakira e Burna Boy que serviu como hino oficial do Mundial de Futebol — chegaram às plataformas de streaming, expandindo para novos territórios sonoros a canção mais ouvida do torneio.

O tema original carregava um peso desmedido. Shakira encabeçou a cerimónia de abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México, onde a canção foi ouvida por uma audiência contada às centenas de milhões através de emissões simultâneas. Uma canção nascida num estádio enfrenta um desafio específico quando o estádio esvazia: nada na experiência dos ouvintes esteve verdadeiramente relacionado com a música.

O pacote de remixes complica essa equação. Três versões reimaginadas de uma canção com uma identidade fixa de estádio não são um movimento de catálogo — são um argumento. O argumento é que «Dai Dai» tinha algo dentro da produção que valia a pena separar do contexto do Mundial, e que existe um ouvinte que quer ouvir como isso soa.

A leitura cética é mais difícil de ignorar. Os hinos de torneios têm uma meia-vida historicamente curta assim que o evento termina. Os números de streaming nas primeiras semanas de disponibilidade são modestos — a contagem de ouvintes no Last.fm situa-se em dígitos únicos — o que sugere que a maior parte do público da canção a consumiu em contexto, em vez de a ter procurado depois. Um pacote de remixes lançado após o pico tende a ter melhor desempenho quando o original cruzou formatos por mérito próprio durante o evento, e não apenas por causa da colocação nas emissões.

O pacote de remixes de três faixas de «Dai Dai» já está disponível no Spotify e em todas as plataformas de streaming. Se «Dai Dai» pertence ao Mundial ou ao catálogo é a questão que os remixes estão silenciosamente a impor.

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