Música

Victoria Monét revela Frequency of Love e aposta na dimensão onde Jaguar II venceu pela contenção

Noah Brandt

Victoria Monét construiu uma carreira a partir do som de uma decisão contida. O refrão sussurrado que confia numa linha de baixo ao vivo em vez de um drop; o arranjo que deixa espaço onde um disco menor empilharia mais uma voz por cima — essa contenção foi todo o argumento da sua afirmação, e foi por isso que as canções pareciam artesanais em vez de fabricadas. Por isso, o mais revelador sobre o seu regresso não é que ela está de volta. É a bitola que escolheu para si mesma: apontou ao Thriller.

Dizer uma coisa destas em voz alta antes de alguém ter ouvido o disco é enorme, e transforma o anúncio de um regresso numa aposta. A única peça musical que podemos realmente ouvir é o single de apresentação, "Reach Out", e este aponta para um sítio novo. Feito com Kaytranada e D’Mile, troca o calor da sua banda ao vivo por um brilho house etéreo — elegante, atmosférico, feito para uma sala cheia de gente em vez de um par de auscultadores. É um tema deslumbrante. É também uma resposta diferente à pergunta sobre quem ela é.

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A cobertura consensual já classificou a ambição como uma conquista. Os produtores de topo, a tracklist maximalista, a comparação com Michael Jackson — cada um destes elementos é lido como prova de que uma obra-prima está a caminho. Mas ambição e identidade não são a mesma coisa, e a identidade de Monét foi forjada a partir do instinto oposto. O álbum que a tornou conhecida e lhe valeu o prémio de Melhor Nova Artista funcionou porque foi curado: uma sequência apertada de canções que soavam ao gosto de uma só pessoa, intimidade retro-soul escolhida em vez de espetáculo.

"Reach Out" puxa para um caminho concorrido. O centro de gravidade do R&B tem-se deslocado para a pista de dança, e um tema house do Kaytranada — por mais luxuoso que seja — é uma assinatura que muitos artistas estão a usar neste momento. Esse é o risco que o single introduz silenciosamente: não que seja mau, mas que seja legível como uma tendência em vez de como ela. O que distinguia Monét era que não se confundiam os seus discos com os de mais ninguém. A escala tende a limar isso.

Depois, há o tamanho da coisa. Uma tracklist muito longa, produzida executivamente por Camper, é uma aposta de que mais é mais — que a forma de seguir um álbum enxuto e amado é construir uma catedral ao lado dele. Às vezes resulta. Mas Thriller, o disco que ela invocou, tem nove canções; a comparação a que ela recorreu é, ironicamente, um argumento a favor da concisão. A questão em aberto de Frequency of Love é se tornar-se maior aprofunda a identidade que ela tem ou a dissolve na de todos os outros.

Nada disto é um veredito — e essa é a parte honesta que a cobertura celebratória ignora. Temos um single e uma promessa. Julgar um álbum inteiro a partir de um tema de apresentação é exatamente o movimento que transforma antecipação em desilusão, e Monét merece o benefício da dúvida mais do que a maioria. Mas o benefício da dúvida não é uma garantia, e as vozes mais altas já estão a tratar uma pré-encomenda como uma coroação.

Os pormenores, para quem está a tomar notas: Frequency of Love chega a 2 de outubro pela Lovett Music/RCA, com vinte e duas faixas, juntando o single anterior "Let Me" a "Reach Out", cujo videoclip realizado por Dave Meyers e coreografado por Sean Bankhead aposta num visual sépia do início dos anos 90. "Estou muito grata a todos os que fizeram parte desta obra de arte", escreveu Monét sobre o disco — a linguagem de alguém que sabe exatamente quanto apostou nele.

A comparação com Thriller estabelece o único teste que importa a esta escala. Não se Frequency of Love é grande — a tracklist já nos diz que é — mas se, daqui a um ano, ainda estamos a assobiar uma canção dele como ainda assobiamos "On My Mama". Era isso que a contenção lhe garantia. A escala terá de o conquistar.

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