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Harry Connick Jr., o prodígio de Nova Orleães que nunca se deixou definir por uma única arte

Penelope H. Fritz
Harry Connick Jr.
Harry Connick Jr.
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento11 de setembro de 1967
New Orleans, Louisiana, USA
OcupaçãoMúsico, Ator, Apresentador de televisão
Conhecido porO Gigante de Ferro, Dia da Independência, P.S. I Love You
Prémios3 Grammy · 2 Emmy

Harry Connick Jr. nunca foi fácil de catalogar. Para os puristas do jazz, foi o prodígio que cedeu ao mercado pop. Para o público das comédias românticas, o pianista erudito que aparecia no ecrã com demasiada facilidade. Para a televisão diurna americana, um apresentador improvável cuja credibilidade musical tornava o formato ligeiramente desconfortável. A pergunta que nunca respondeu em cinquenta anos é qual dessas versões corresponde à pessoa real.

A resposta chegou a 22 de maio de 2026, quando subiu pela primeira vez ao palco da Carnegie Hall de Nova Iorque para estrear Elaboratio — uma composição original em três andamentos dedicada à memória da sua mãe, Anita Frances Livingston. Era uma estreia que demorou décadas a concretizar-se, e que expressou algo que as suas entrevistas nunca conseguiram: o compositor que a indústria interrompia constantemente com discos de êxito era sempre a prioridade.

Nasceu como Joseph Harry Fowler Connick Jr. em 11 de setembro de 1967, em Nova Orleães. O seu pai foi procurador-distrital durante trinta anos e músico nos tempos livres; a sua mãe, advogada e juíza, morreu de cancro dos ovários quando Harry tinha treze anos. A cidade moldou-o: aos nove anos tocou como solista com a orquestra sinfónica da cidade; aos dez, já gravava com uma banda de jazz local. No New Orleans Center for Creative Arts, Ellis Marsalis Jr. e James Booker formaram o seu pensamento musical com uma exigência que não admitia cedências.

A grande oportunidade não veio do jazz, mas de um filme sobre o amor que não acontece. A banda sonora de Harry e Sally em 1990 deu-o a conhecer ao grande público. Vendeu milhões. Ganhou o primeiro Grammy, depois mais dois com We Are in Love. O mundo do jazz admirou a voz e o toque; alguns já questionavam a trajetória.

Essas questões tornaram-se mais agudas em 1994, quando fez digressão com um som funk que parecia contradizer a ortodoxia do stride piano da sua formação. Connick respondeu sem se desculpar: continuaria a fazer a música que fazia, que não era a que ninguém conseguia classificar. Blue Light, Red Light já o havia anunciado.

A carreira de ator começou quase por acidente com Memphis Belle em 1990 e ganhou dimensão com Independence Day em 1996. A voz de O Gigante de Ferro em 1999 revelou uma presença diferente: calorosa, precisa, inconfundível. Comédias românticas seguiram-se — Hope Floats, P.S. Eu Te Amo, Dolphin Tale — e durante algum tempo pareceu que a música se tornava o item secundário de um currículo. Não era.

O que nem os críticos de jazz nem o público das comédias percebeu foi a dimensão que ligava tudo o resto. Nas semanas a seguir ao furacão Katrina em 2005, antes de as instituições organizarem qualquer resposta, Connick estava na cidade. Com Branford Marsalis, ajudou a lançar o Musicians’ Village: oitenta casas no Upper Ninth Ward e o Ellis Marsalis Center for Music. Não foi um gesto de celebridade. Foi o ato de quem entende que Nova Orleães não é um pormenor biográfico, mas uma obrigação permanente.

O seu pai, Harry Connick Sr., morreu a 25 de janeiro de 2024, com noventa e sete anos. A estreia mundial de Elaboratio na Carnegie Hall chegou dezasseis meses depois. Em setembro de 2026, a Harper Celebrate publicará o seu livro Babe: Elaboratio, A Tribute to My Mother.

Esse relato, afinal, sempre foi o essencial.

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