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Mila Kunis, a actriz que escolheu a comédia quando todos esperavam outro caminho

Penelope H. Fritz
Mila Kunis
Mila Kunis
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento14 de agosto de 1983
Chernivtsi, Ukraine (then Soviet Union)
OcupaçãoActriz, actriz de voz, produtora
Conhecido porCisne Negro, Ted, Amigos Coloridos
PrémiosMarcello Mastroianni Award, Best Young Actor/Actress, 67th Venice Film Festival (Black Swan, 2010) · Saturn Award, Best Supporting Actress (Black Swan, 2010) · Globo de Ouro · SAG · Young Star Award, Best Young Actress in TV Series (1999, 2000)

Mila Kunis tinha catorze anos quando se apresentou à audição de That ’70s Show, uma série que exigia actores maiores de dezoito anos. Disse à equipa de casting que “faria dezoito anos” — tecnicamente verdade — e foi contratada. Esta pequena imprecisão estratégica resume algo essencial no seu percurso: entrar pela porta que estiver entreaberta, com o que se tem na mão.

Milena Markovna Kunis nasceu em Chernivtsi, na Ucrânia soviética, numa família judia cujos avós sobreviveram ao Holocausto. Em 1991, quando tinha sete anos, os seus pais emigraram para Los Angeles com cerca de 250 dólares, fugindo do antissemitismo crescente na União Soviética. O pai Mark, engenheiro mecânico na Ucrânia, passou a entregar pizzas e a pintar casas nos Estados Unidos. A mãe Elvira, professora de física, trabalhou numa farmácia. Kunis chegou ao segundo ano da escola primária sem falar inglês. “Chorava todos os dias”, recordou. “Não percebia a cultura. Não percebia as pessoas. Não percebia a língua.”

O pai inscreveu-a com nove anos numa escola de representação em Beverly Hills, depois de ouvir um anúncio na rádio, e uma agente descobriu-a. Com catorze veio o papel em That ’70s Show, oito temporadas, dois Young Star Awards. Nesse mesmo ano começou a dobrar Meg Griffin em Family Guy, substituindo Lacey Chabert, papel que mantém há mais de vinte e cinco anos.

Mila Kunis
Mila Kunis. Depositphotos

A carreira no cinema arrancou em 2008 e ganhou outra dimensão em 2010 com Cisne Negro, de Darren Aronofsky. Para interpretar Lily, a rival de Natalie Portman, treinou ballet quatro horas por dia durante meses, seguiu uma dieta de 1.200 calorias, perdeu vinte quilos, deslocou um ombro e rasgou um ligamento. Aronofsky escolheu-a por indicação da própria Portman. Em Veneza ganhou o Prémio Marcello Mastroianni de melhor actriz jovem e recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro e ao SAG. A lógica de Hollywood indicava um caminho. Kunis escolheu Ted — a comédia do urso de peluche que arrecadou 549 milhões de dólares no mundo — e construiu uma das carreiras comerciais mais sólidas da sua geração.

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O momento mais difícil chegou em 2023. Danny Masterson, ex-colega em That ’70s Show, foi condenado a trinta anos de prisão por violação. Kunis e o marido Ashton Kutcher — cofundador da Thorn, organização contra a exploração sexual infantil — enviaram ao tribunal cartas de apoio descrevendo a “bondade inata” de Masterson. A contradição com o trabalho de Kutcher era evidente. Publicaram um vídeo de pedido de desculpas. Uma das vítimas classificou-o de “incrivelmente insultante e doloroso”.

Nos últimos anos Kunis tem acumulado o papel de produtora. Luckiest Girl Alive (2022, Netflix) foi também sua produção. No final de 2025 estava em Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery, de Rian Johnson. Em 2026 está a rodar Nightwatching, adaptação do thriller de Tracy Sierra, com Ridley Scott na produção e Amazon MGM na distribuição internacional. Um projecto romântico para a Skydance, The 47 Night Stand, está em desenvolvimento. Trinta anos depois daquela primeira mentira bem calculada aos catorze anos, continua a tomar as decisões que fazem sentido para ela.

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