Tecnologia

Google não deixa as escolas desligar AI Overviews sem perder a pesquisa

Adrian Kessler
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A Google vai dar às escolas um botão para ativar ou desativar as suas ferramentas de IA, mas não aquele que muitas pediram. Os administradores das contas educativas da Google poderão ativar ou desativar o Gemini, o Gemini Notebook e o Google Search para os alunos. O que não poderão fazer é manter o Search e desativar as AI Overviews, as respostas escritas por um chatbot que aparecem acima dos links. Uma escola que queira afastar os alunos das respostas geradas por IA terá de prescindir por completo do Google Search.

Isto é importante porque, em muitas salas de aula, o Google é a porta de entrada para a Internet. Nas escolas que dão um Chromebook a cada aluno e recorrem ao Google Classroom para os trabalhos de casa, escolher outro motor de pesquisa não é uma simples alteração nas definições: é uma decisão que cabe ao agrupamento escolar. Os professores que querem que os alunos comparem fontes antes de lerem um resumo enfrentam agora uma escolha sem meio-termo: respostas de IA ou ficar sem o Google.

A alteração foi anunciada por Chris Phillips, vice-presidente e diretor-geral da área da educação da Google, numa publicação de blogue que dizia que o acesso ao Gemini, ao Gemini Notebook, ao Gemini in Classroom e ao Google Search «ficará totalmente desativado nas contas de alunos do ensino básico e secundário até que os administradores escolares o ativem expressamente». A publicação inclui o Search ao lado dos produtos de IA da empresa. Phillips explicou a consequência ao The New York Times, segundo noticiou o TechCrunch: «O Search e a IA estão profundamente integrados», afirmou. Por isso, os alunos das escolas que não aderirem «não terão acesso à pesquisa e verão uma mensagem da escola a indicar que não está disponível».

A Google apresenta a alteração como uma forma de dar mais controlo às escolas. Numa publicação no X, a empresa afirmou que os seus anúncios «dão mais escolha às escolas, não menos», uma vez que os três serviços começam desativados e podem ser ativados um a um. A par dos novos controlos, a Google está a lançar o Guided Learning, um modo que orienta os alunos na resolução de um problema através de perguntas, em vez de lhes dar logo a resposta. Está já disponível em todo o mundo no Google Classroom, e uma versão para o Search será testada em algumas escolas dos EUA ainda este mês.

A opção que os educadores realmente pediram não existe. Duas semanas antes do anúncio, descobriu a Wired, um administrador de sistemas de uma escola básica pediu nos fóruns de apoio da Google uma forma de bloquear as AI Overviews. «Os alunos precisam de ter oportunidade de explorar os resultados da pesquisa, analisar fontes e tirar as suas próprias conclusões, em vez de receberem uma síntese gerada por IA antes sequer de começarem», escreveu o administrador. Ninguém da Google respondeu. A precisão também é motivo de preocupação. Um estudo da Washington University in St. Louis citado pela Wired concluiu que apenas cerca de 42% das AI Overviews podiam ser verificadas integralmente com base nas citações que incluíam. A Google afirma que as sínteses são submetidas a testes rigorosos e estão a melhorar continuamente.

Criar essa opção é possível, mas mantê-la teria um custo para a Google. «A questão é saber se estão empenhados em manter duas versões da pesquisa a longo prazo», disse à Wired Nicole Kerson, antiga gestora sénior de produto do Google Search. «É muito difícil manter um produto dividido em duas versões deste género.» A Microsoft, em contrapartida, disponibiliza uma extensão do Chrome que desativa os resumos gerados por IA no Bing. Alguns agrupamentos escolares criaram as suas próprias soluções: as Fairfax County Public Schools, na Virgínia, desenvolveram uma extensão para o navegador, e outros alteram os endereços de pesquisa. Estas soluções podem deixar de funcionar sempre que a Google muda a forma como apresenta os resultados.

Os concorrentes veem aqui uma oportunidade. O DuckDuckGo, que disponibiliza uma versão do seu motor de pesquisa sem respostas de IA, indicou às escolas instruções para alterarem o motor de pesquisa predefinido. O seu diretor de assuntos públicos, Kamyl Bazbaz, escreveu no X: «Impor a IA às crianças nas escolas: é assim que se comporta um monopolista quando acha que as pessoas não têm poder. Provem que a Google está errada.» O terreno que a Google procura defender é vasto. Segundo números anteriormente divulgados pela própria empresa, há cerca de 50 milhões de Chromebooks nas escolas, e o Google Classroom tem mais de 150 milhões de utilizadores em todo o mundo.

A Google ainda não definiu uma data. Na sua publicação, diz que partilhará informações concretas com as escolas «nos próximos meses, antes de as alterações serem implementadas», e a Wired noticia que as novas predefinições chegam no próximo ano. A publicação aplica a alteração às contas de alunos do ensino básico e secundário, sem mencionar países, e a Google não esclareceu se o calendário será diferente fora dos EUA. Até a mudança ser implementada — e, provavelmente, depois disso —, a única forma de desativar as AI Overviews numa escola que usa o Google é desligar o Google.

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