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Avatar: O Último Airbender regressa à Netflix e entrega a segunda temporada a Toph e a Ba Sing Se

Jun Satō

Uma rapariga cega coloca-se no centro de um círculo de combate e espera que o chão fale. Não vê o rapaz que avança, e não precisa. Sente o passo chegar pela pedra, mede-lhe o peso e deita-o de costas antes de ele perceber o que é ler a terra. É Toph, e a sua entrada resume aquilo que a segunda temporada do Avatar em imagem real procura: um mundo em que o espectador acredita com o corpo, e não apenas com os olhos.

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A primeira temporada carregava dois pesos em simultâneo. Tinha de apresentar um universo e, ao mesmo tempo, deixar para trás a memória de um filme muito criticado. Esta herda algo mais difícil e mais invejável: o melhor material da franquia. O segundo livro retira Aang da estrada aberta e mete-o no Reino da Terra, um continente há uma geração sob ocupação, e termina dentro de Ba Sing Se, uma capital amuralhada que a produção diz ter erguido em grande escala. A história trata essa cidade como o lugar mais perigoso onde estas crianças entraram, precisamente por parecer um refúgio.

Tudo neste livro é questão de superfície, e é aí que uma versão em imagem real ganha ou perde o mundo. Dominar a terra é o mais pesado dos quatro elementos: a água corre, o fogo esconde-se na luz, o ar é quase só movimento. A pedra tem de cair. Uma rocha que flutua parece desenho animado; uma rocha com massa parece um planeta com regras. Toph luta baixa, de pés firmes e imóvel, deixando o chão mover-se em vez de se lançar, e só essa decisão é o teste de credibilidade da temporada.

A cidade é a outra metade do problema, e a mais interessante. Ba Sing Se não é tanto um cenário como um argumento: anéis de classes empilhados atrás de uma muralha, uma arquitetura da calma imposta. Lá dentro, uma polícia secreta mantém a ordem com uma única regra, a de que ninguém mencione a guerra às portas. Os muros mantêm a Nação do Fogo de fora e a mentira por dentro. O que começou como aventura para crianças entrou, sem levantar a voz, numa história sobre como uma população sobrevive aceitando não olhar.

Toph é o motor que empurra a série para fora da infância. É a primeira do grupo que não quer proteção. É mais forte do que quem tenta abrigá-la e importa-se mais em fugir de uma família que a escondeu do que com um destino que não é seu. À volta dela, o elenco que regressa traz o resto do clima: o Zuko de Dallas Liu persegue um trono que já não o quer, a Azula de Elizabeth Yu chega como a irmã prodígio enviada para o trazer de volta e o Iroh de Paul Sun-Hyung Lee continua o único adulto que oferece chá em vez de guerra.

Nada disto é novo para quem guardou perto a série animada, e é justamente aí a pressão. O segundo livro de 2005 é tido como o auge da franquia, o ponto em que o desenho deixou de ser para crianças e começou a confiar-lhes o luto. A imagem real não pode viver de memória: tem de construir uma Ba Sing Se com clima e classes a sério e deixar Toph ser no ecrã tão atrevida e ingovernável como era no papel. A fidelidade não é imitação.

Avatar: The Last Airbender - Netflix
Avatar: The Last Airbender. Gordon Cormier as Aang in season 2 of Avatar: The Last Airbender. Cr. Courtesy of Netflix © 2026

E o ofício só leva a história até à beira daquilo que não resolve. Dominar um quarto elemento não vai pôr fim a uma guerra que os adultos começaram e depois entregaram a um menino de doze anos. O Reino da Terra é onde Aang aprende que ser o Avatar é, sobretudo, carregar os fracassos dos outros. A temporada deixa a pergunta em aberto: o que devemos às crianças a quem entregamos as nossas guerras por terminar?

A segunda temporada adapta o Livro Dois: Terra em sete episódios, menos dois do que os oito da estreia; a série foi renovada para uma segunda e uma terceira temporada de uma vez, e a terceira vai encerrar a história. Christine Boylan e Jabbar Raisani assumem como showrunners, com Albert Kim, criador da série, como produtor executivo, e Miya Cech, escolhida entre mais de seis mil castings, entra no papel de Toph. Chega à Netflix a 25 de junho.

Elenco

  • Gordon Cormier — Aang

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