Análise

O maior estudo sobre telemóveis na escola mediu as notas. Nunca foi sobre notas

Molly Se-kyung

A primeira coisa que os professores notaram foi o barulho. Não o mau: os corredores voltaram a encher-se da algazarra de adolescentes a falar uns com os outros, e o silêncio que se instalara sobre uma geração inteira de salas, cada aluno curvado sobre um ecrã privado, quebrou-se em algo mais desordenado e mais vivo. É o pormenor que regressa em cada relato de uma escola que retirou os telemóveis do dia letivo, dos liceus neerlandeses às escolas brasileiras. E é o pormenor que não aparece em parte alguma no número sobre o qual agora todos discutem.

Esse número são as notas, e o maior estudo já realizado diz que mal se mexeram. Um documento de trabalho divulgado nesta primavera pelo National Bureau of Economic Research dos Estados Unidos, assinado por economistas de Stanford, da Pensilvânia, de Duke e do Michigan e baseado em milhares de escolas, conclui que o efeito das proibições no desempenho foi, nas palavras do coautor E. Jason Baron, basicamente próximo de zero. Nenhuma melhoria mensurável em matemática ou leitura. Nenhum movimento em bullying, assiduidade ou na atenção que os próprios alunos declaram. Os céticos tomaram isto por veredicto: era tudo teatro. Enganam-se, mas não pela razão que o outro lado imagina. O estudo não mede se a escola sem telemóvel funciona. Mede o que decidimos contar. E decidimos contar a única coisa de que a medida nunca tratou.

Isto importa a qualquer um que tenha visto o rosto de um miúdo de treze anos amolecer sobre um feed, ou que tenha tentado dar aula a uma sala presente de corpo e ausente em tudo o resto, ou que apenas se lembre de que uma tarde sem vigilância era o lugar onde um eu se construía. A pergunta de fundo não é se podemos obrigar as crianças a tirar melhor nota. É se algumas horas do dia de um jovem ainda podem pertencer a esse jovem, e não a uma plataforma feita para colher cada segundo morto. As notas não conseguem ver essa pergunta. Nunca iriam conseguir.

Convém lembrar por que o enquadramento das notas pareceu plausível. Há uma década, os economistas Louis-Philippe Beland e Richard Murphy estudaram noventa e uma escolas em quatro cidades inglesas e descobriram que proibir o telemóvel elevava as notas dos alunos de dezasseis anos em mais de seis por cento, e em mais de catorze por cento entre os de pior desempenho. Esse dado tornou-se a estatística que sustentava todo o movimento. O novo estudo não o refuta: data-o. O telemóvel da era de Beland e Murphy era uma distração que se carregava; o de hoje é uma economia da atenção em que se vive, calibrada por motores de recomendação que então não existiam.

Olhe antes para o número que os títulos saltaram. A mesma investigação que não achou efeito escolar achou outra coisa: o bem-estar dos alunos piorou no primeiro ano da proibição e tornou-se positivo no terceiro. Lido à pressa, é um empate. Lido com honestidade, é a medição mais reveladora de todo o estudo, porque tem uma forma, e a forma é a de uma abstinência. O que é apenas inútil não dói ao retirar-se. Uma ferramenta cuja retirada arde durante doze meses e só deixa de arder quando um novo equilíbrio assenta é, por definição, uma ferramenta que tinha pega. A queda do primeiro ano não é um custo que precede o benefício. A queda é a prova.

O argumento mais forte do outro lado merece a sua versão mais sólida, porque é sério. A psicóloga Candice Odgers, ao recensear na Nature o livro de Jonathan Haidt A geração ansiosa, sustentou que a ciência não sustenta de facto a ideia de que os telemóveis estejam a recablar o cérebro dos jovens ou a causar uma epidemia de doença mental, e que a correlação entre mais uso e mais sofrimento pode correr em parte ao contrário. Nessa ótica, o smartphone tornou-se um para-raios moral, um único culpado que absorve angústias causadas, na verdade, pela pressão escolar, pelos horários sobrecarregados, pelo fim da brincadeira livre e pela precariedade. E a proibição escolar, acrescentam os críticos, é o gesto mais barato: governa as seis horas no edifício e nada faz com as sete horas de scroll em casa.

É um argumento real, e acerta em cheio: justamente em quem prometeu que a proibição subiria as notas. Não acerta na proibição. Odgers tem razão: o telemóvel não carrega todo o peso dos males de uma geração, e uma escola não conserta uma infância. Mas a escola nunca pretendeu isso. Reivindica jurisdição sobre seis horas, que é exatamente a escala em que pode agir em vez de apenas lamentar. A acusação de álibi pressupõe que os únicos resultados que contam são os que cabem numa regressão. E o que estas políticas produzem com mais constância é precisamente o que aí não cabe: o corredor ruidoso, o refeitório recuperado, a prática social de aborrecer-se numa sala com outros, que é como os humanos sempre aprenderam a estar juntos e que o feed dissolvera em silêncio.

O dossiê internacional confirma-o em várias línguas. Os Países Baixos retiraram o telemóvel das salas do secundário no início de 2024 e, num ano, três em cada quatro escolas assinalaram maior concentração. A França começou a sua pause numérique fazendo entregar os telemóveis à entrada, e o governo quer estender a regra aos liceus no ano de 2026-2027, uma aposta na atenção e não nas notas. O Brasil, que restringiu os telemóveis em todo o país no início de 2025, dá o balanço mais honesto: mais de oitenta por cento dos alunos dizem prestar mais atenção, enquanto quarenta e quatro por cento admitem aborrecer-se mais no intervalo e quase metade dos docentes nota mais ansiedade. Estes dois últimos números costumam servir de acusação. Entendem-se melhor como o preço: o incómodo de receber de volta o tempo vazio que uma máquina preenchia.

Nada disto faz da proibição uma cura, e a versão honesta do argumento recusa essa palavra. Tirar o telemóvel de uma escola é uma intervenção pequena, de mandato estreito: não erguerá um leitor em dificuldade, não curará um adolescente deprimido, não desfará o que se passa nas sete horas de casa. O que pode fazer é cercar uma única clareira protegida no dia de uma criança, um trecho de vida desperta que nenhum motor de recomendação está a explorar, nenhuma notificação está a interromper, nenhuma métrica de envolvimento está a otimizar contra ela. Se essa clareira merece defesa é uma questão de valores, não de notas, e é precisamente a pergunta que a folha de cálculo iria contornar.

Por isso a lição do maior estudo não é a que os seus leitores mais ruidosos tiraram. O que há a reter não é que as proibições falham; é que as defendemos no terreno errado, e esse terreno cedeu exatamente como devia. Deixemos de prometer melhores notas aos pais. Prometamos-lhes o que a medida de facto entrega: algumas horas em que a atenção do filho não está à venda. Uma ferramenta que se pode retirar sem ninguém dar conta é uma ferramenta de que ninguém precisava. Os telemóveis doeram ao ser retirados durante um ano, e isso, não a linha plana do gráfico de notas, é a medição mais honesta de todo o estudo.

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