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The Champion, drama de futebol espanhol da Netflix: craque do Atlético e um tutor tímido

Martha O'Hara
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The Champion (El campeón), de Carlos Therón, remake espanhol do italiano Il campione, põe o rapper Swit Eme no papel de um prodígio instável do Atlético de Madrid e Dani Rovira no do professor de psicologia contratado para o pôr na linha.

The Champion (El campeón) é uma comédia dramática desportiva espanhola de 2024 produzida para a Netflix, realizada por Carlos Therón a partir de um argumento de Joaquín Oristrell e Joan Gual. O rapper Marcel Serrano, conhecido como Swit Eme, interpreta Diego, um avançado de 20 anos do Atlético de Madrid, ao lado de Dani Rovira, no papel de Álex, o professor de psicologia contratado para o fazer regressar ao bom caminho. O filme estreou-se mundialmente na Netflix na sexta-feira, 12 de julho de 2024, e tem 106 minutos de duração.

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A premissa é explicada na sinopse oficial. Diego acaba de ser eleito o melhor jogador jovem da Europa e, aos 20 anos, está a caminho de vencer La Liga com o seu clube. Mas o seu feitio impulsivo e conflituoso esgotou todos os que o rodeiam e, depois de um confronto violento durante um jogo o deixar no banco, o clube, cansado dos seus excessos, contrata Álex, um professor de psicologia introvertido e solitário, para melhorar o seu comportamento. Nenhum dos dois tem outra alternativa senão aprender a compreender o outro.

De que trata o filme

Dificilmente os dois homens poderiam estar mais distantes. A vida de Diego organiza-se em torno do seu talento e do seu valor de mercado, e a cobertura da semana de estreia destacou o interesse do filme pela exposição de um futebolista moderno nas redes sociais e pelo efeito que essa exposição tem no seu jogo. Álex, segundo a informação publicada por altura da estreia, é um professor universitário com problemas pessoais e financeiros próprios, o que explica em parte por que razão aceita um trabalho tão invulgar. A história assenta nessa troca: o futebolista tem de aprender a ouvir e o professor tem de sair do seu próprio isolamento.

À volta deles gravita um pequeno círculo com interesses próprios. Pablo Chiapella interpreta Tito, o pai de Diego, para quem a carreira do filho e o dinheiro que esta pode gerar estão acima de tudo, e que vê a chegada de Álex como uma ameaça. Luis Fernández interpreta Juanma, que se torna cúmplice do pai num plano para o futuro de Diego de que o jogador nada sabe. Cintia García interpreta Ceci, Carlos Librado «Nene» é Héctor e Pere Brasó é Delgado. Para lá disso, é melhor deixar o enredo para o filme, e nada do que aqui se conta vai além do que a Netflix e a cobertura da semana de estreia tornaram público.

Uma história italiana transportada para Madrid

The Champion é um remake. A sua origem é Il campione (2019), a primeira longa-metragem do realizador italiano Leonardo D’Agostini, que a escreveu com Antonella Lattanzi e Giulia Steigerwalt. No original, Andrea Carpenzano interpretava Christian Ferro, um avançado da AS Roma talentoso e indisciplinado, e Stefano Accorsi dava vida a Valerio Fioretti, o professor reservado que o clube contrata para o ajudar a concluir os exames finais do ensino secundário. D’Agostini contou que a ideia nasceu dos anos turbulentos de Mario Balotelli no AC Milan e da decisão do clube de lhe atribuir um tutor.

O filme italiano foi reconhecido no seu país. Produzido por Matteo Rovere e Sydney Sibilia através da Groenlandia, com a Rai Cinema, venceu dois Nastri d’Argento em 2019, para melhor realizador estreante e melhor produtor, e valeu a D’Agostini e a Accorsi nomeações nos prémios David di Donatello de 2020. A versão espanhola mantém o par central formado por uma jovem estrela e um mentor relutante, mas troca a AS Roma pelo Atlético de Madrid e os exames escolares por um professor contratado para corrigir o comportamento do jogador.

A equipa por trás do filme

Carlos Therón, nascido em Salamanca em 1978, é um dos realizadores de comédia comercialmente mais fiáveis de Espanha. Estreou-se na longa-metragem com Fuga de cerebros 2 (2011), e o seu Es por tu bien (2017), com perto de 1,6 milhões de espectadores, foi o filme espanhol de maior sucesso do primeiro semestre desse ano. Seguiram-se Lo dejo cuando quiera (2019) e Operación Camarón (2021), além de Fenómenas para a Netflix e episódios de séries de televisão como Los hombres de Paco, El barco e Mira lo que has hecho. The Champion é o seu segundo filme para a plataforma e uma aproximação ao drama por parte de um realizador cujas longas-metragens mais conhecidas são comédias.

Joaquín Oristrell traz ao argumento décadas de experiência. Começou como argumentista do concurso televisivo Un, dos, tres, venceu o Goya de melhor argumento original com Todos los hombres sois iguales, escreveu comédias como ¿Por qué lo llaman amor cuando quieren decir sexo? e Boca a boca, realizou Sin vergüenza e Dieta mediterránea e criou a série de televisão HIT. Em 2026 venceu um segundo Goya, de melhor argumento adaptado, com La cena. Escreveu The Champion com Joan Gual.

Fernando Bovaira produziu o filme para a MOD Producciones, com Simón de Santiago e Urko Errazquin como produtores executivos. Imanol Nabea foi o diretor de fotografia, Carolina Martínez Urbina assinou a montagem e Vicente Ortiz Gimeno compôs a banda sonora. As filmagens decorreram em Segóvia e Madrid, incluindo o Cívitas Metropolitano, o estádio do Atlético, e o nome, as cores e as referências do clube atravessam o filme numa medida raramente vista na ficção espanhola desde que o Real Madrid emprestou a sua imagem a Goal II: Living the Dream (2007). No cinema espanhol, a referência da comédia dramática desportiva continua a ser Campeones (2018), de Javier Fesser, sobre um treinador de basquetebol condenado a treinar uma equipa de jogadores com deficiência intelectual, que venceu o Goya de melhor filme.

Um rapper, um humorista e Amador

Para Swit Eme, The Champion representa a passagem da música para a representação. Marcel Serrano tinha construído o seu nome como artista de hip-hop e só tinha aparecido brevemente na série da Netflix Fanático antes de assumir este papel principal, a sua estreia no grande ecrã. Dani Rovira é a estrela consagrada da dupla: antigo humorista de stand-up, venceu o Goya de melhor ator revelação com Ocho apellidos vascos (2014), um dos maiores êxitos de bilheteira de sempre em Espanha, e desde então participou na sequela, Ocho apellidos catalanes, e em Jungle Cruise (2021), da Disney.

O verão de 2024 foi agitado para Dani Rovira. Em poucas semanas apareceu em El bus de la vida, como um professor de música a quem é diagnosticado um cancro, em The Champion e na comédia Cuerpo escombro, que chegou às salas em agosto. Dois desses três papéis eram dramáticos, parte de uma mudança mais ampla que o afasta do registo puramente cómico que o tornou famoso.

O elenco secundário apoia-se em rostos conhecidos da televisão. Pablo Chiapella interpreta Amador Rivas em La que se avecina desde 2007 e formou-se no grupo de humor de culto responsável por La hora chanante. Luis Fernández ficou conhecido como Culebra em Los protegidos. Carlos Librado «Nene» é ele próprio um antigo futebolista, que jogou nas divisões inferiores do futebol espanhol antes de entrar em filmes como El guardián invisible.

Como correu na Netflix

A estreia aconteceu em pleno Euro 2024: a Netflix lançou o filme dois dias antes de a Espanha vencer a Inglaterra na final de Berlim. The Champion entrou no Top 10 global da Netflix de filmes de língua não inglesa nos seus três primeiros dias, em nono lugar com 2 milhões de visualizações, e subiu ao quarto lugar na semana seguinte, com 2,8 milhões de visualizações e 5 milhões de horas vistas.

Em Espanha foi mais longe, chegando ao primeiro lugar entre os filmes na segunda semana, depois de se estrear em terceiro, e mantendo-se três semanas na tabela nacional. Entrou também no Top 10 de Portugal, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai, e brevemente no de Marrocos e no do Panamá. Essas tabelas semanais são os únicos números de audiência que a Netflix tornou públicos sobre o filme.

A nossa opinião

No papel, The Champion assenta num esquema conhecido do cinema desportivo, o rebelde talentoso e o mentor relutante, transplantado de Roma para Madrid e construído em torno de um clube real e não de um fictício. O seu interesse está menos em saber se Diego vai marcar do que naquilo que as pessoas à sua volta querem dele: um pai focado no dinheiro, um clube focado no título e um desconhecido contratado para se preocupar com ele. O final em aberto da história concentrou grande parte da atenção na estreia, e cada espectador decidirá se essa opção resulta para si.

O que chama a atenção é a mistura de ingredientes: um realizador conhecido pela comédia popular a experimentar um registo mais sério, um argumentista veterano premiado com o Goya a adaptar um filme italiano premiado, um rapper a estrear-se como ator e um humorista a passar para o drama. Com o Atlético de Madrid no centro da história e uma estreia calculada para coincidir com o Euro, é uma proposta contida de 106 minutos dirigida diretamente aos adeptos de futebol e ao público familiar.

Elenco

Fotografias: The Movie Database (TMDB)

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