Filmes

Fox mantém a compra da Roku por 22 mil milhões de dólares apesar do escrutínio do Departamento de Justiça

Molly Se-kyung

O negócio de media mais consequente do ano não é sobre uma série ou um portefólio de estúdios — é sobre quem controla o primeiro ecrã que um telespetador vê quando a televisão liga. A aquisição de 22 mil milhões de dólares da Roku pela Fox Corp é uma aposta na posse desse portal, e esta semana a empresa deixou claro que não tenciona deixar que um obstáculo regulatório a atrase.

Intervindo na conferência Goldman Sachs Communacopia, em São Francisco, o presidente e diretor de operações da Fox, John Nallen, afirmou que o negócio está a caminho de ser concluído e classificou a nova exigência de informação do Departamento de Justiça dos EUA como “totalmente expectável.” Como o Deadline noticiou em primeira mão, a Fox e a Roku receberam cada uma um chamado segundo pedido do DOJ — um instrumento antitrust de rotina que prolonga o prazo de análise, e não um veredito de que os reguladores pretendem bloquear a fusão.

A lógica por detrás da compra é a integração vertical a uma escala que Hollywood raramente tenta. A Fox traz uma base sólida de informação, desporto e entretenimento, juntamente com a Tubi, o seu serviço de streaming gratuito suportado por publicidade; a Roku fornece o sistema operativo incorporado em dezenas de milhões de televisões ligadas, além dos canais de publicidade e os dados de primeira mão que os percorrem. Combinadas, as duas empresas colocam nas mãos de uma única companhia tanto o conteúdo como a prateleira digital onde o público o encontra.

Para o negócio do cinema, essa associação reconfigura a economia da distribuição. Quem possui o portal da televisão ligada determina a forma como os serviços de streaming concorrentes — e os filmes neles contidos — são apresentados a mais de 100 milhões de lares. É o mesmo receio que tem assombrado todas as fusões entre plataforma e conteúdo desde que os estúdios eram donos das salas que exibiam os seus filmes, e é por isso que o diretor executivo Lachlan Murdoch se tem esforçado por dizer que a Fox espera que a Roku continue a operar como um negócio separado.

O negócio segue agora um calendário regulatório. O segundo pedido prolonga o período de espera ao abrigo do Hart-Scott-Rodino Act por 30 dias após a Fox e a Roku terem cumprido substancialmente as exigências, e ambos os lados continuam a esperar fechar o negócio no primeiro semestre de 2027. Wall Street reagiu à espera de forma desigual, com as ações da Fox a ficar aquém das da Roku na sessão que se seguiu.

A mensagem de Nallen foi cuidadosamente calibrada: um segundo pedido é o pedágio, não o bloqueio, no caminho para possuir a caixa que se coloca entre o público e tudo o que este vê.

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