Música

Miley Cyrus homenageia a madrinha Dolly Parton: ‘Tenho um anjo do meu lado’

Alice Lange

Quando Miley Cyrus finalmente falou sobre a perda de Dolly Parton, não foi para recorrer à linguagem dum comunicado de imprensa. Recorreu à linguagem da família. A mulher a quem sempre chamou «Tia Dolly» era, escreveu, «a alma mais pura» — e a despedida pública da afilhada não chegou como um resumo duma carreira, mas como um conjunto de instruções que deu a si própria sobre como continuar a viver sem ela.

«O sentimento de perder a minha Tia Dolly é algo que não me sinto bem em partilhar», escreveu Cyrus, traçando uma linha que raramente traçou numa vida vivida em palco. «Os nossos momentos mais sagrados eram privados e vão ficar ali, atrás do palco, debaixo do glamour e entre os nossos corações.» É uma coisa impressionante para uma das estrelas pop que mais se documenta a si própria dizer — que a parte mais real deste laço nunca será publicada, interpretada ou vendida.

Depois chegou a frase que o mundo agarrou: «Tenho um anjo ao meu lado. Sempre tive.» O que lhe deu peso foi a frase que se seguiu. Uma das últimas conversas que tiveram, disse Cyrus, foi sobre «música e metamorfose» — e para quem tenha observado estas duas ao longo de três décadas, essa palavra é toda a história.

Porque Parton não era simplesmente uma madrinha famosa que enviava flores. Era a única constante em todas as Miley Cyrus sobre as quais o público discutiu. Fez de «Tia Dolly» no Hannah Montana quando Cyrus era uma miúda da Disney Channel. Esteve ao seu lado para «Jolene» quando Cyrus era uma adolescente a descobrir o seu registo grave, e novamente anos mais tarde em palcos nacionais. E quando a era de Hannah terminou e os tablóides recuaram diante da reinvenção que se seguiu, a resposta de Parton não foi uma lição. Foi um encolher de ombros cheio de graça: «Vou respeitar as escolhas dela.»

Essa bênção continuou a aparecer no trabalho. Escreveram juntas «Rainbowland». Parton emprestou a sua voz a uma versão reinventada de «Wrecking Ball», a canção que um dia foi tratada como prova do descarrilamento de uma jovem estrela, e transformou-a num dueto entre gerações. A sua mais recente gravação juntas chegou apenas este ano. Metamorfose, por outras palavras, nunca foi a rebelião privada de Cyrus. Era o negócio da família, e Parton era a sua santa padroeira.

É por isso que a parte mais reveladora da homenagem não é a tristeza, mas a ordem de marcha que Cyrus dá a si própria. «A Dolly gostaria que eu sentisse, escrevesse uma canção sobre isso, e depois continuasse e fosse forte», escreveu. Isto não é uma enlutada à procura de conforto. É uma artista a repetir um método que lhe foi ensinado — a convicção de Parton de que mesmo o pior sentimento é matéria-prima, e que a única resposta honesta à perda é fazer qualquer coisa a partir dela.

Cyrus não esteve sozinha no luto. Dionne Warwick, Reba McEntire, Kelly Clarkson e Blake Shelton estiveram entre os artistas que procuraram palavras nas horas a seguir à notícia. Parton morreu terça-feira aos 80 anos no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, em Nashville, depois daquilo a que os seus representantes chamaram uma curta batalha contra o cancro. A sua família disse que ela lhes tinha pedido que partilhassem eles próprios a notícia.

Mas é Cyrus quem recebeu a herança mais estranha: não uma canção, não um dueto, mas uma tarefa. «Vou amá-la para sempre e quero fazê-la orgulhosa», escreveu. Em algum lugar dentro dessa frase está o próximo disco de Miley Cyrus — e o sinal mais seguro de que Dolly Parton, madrinha até ao fim, lhe ensinou exatamente o que fazer com um coração partido.

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