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Billie Piper, do número um pop à criadora de televisão

Penelope H. Fritz
Billie Piper
Billie Piper
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento22 de setembro de 1982
Swindon, England
OcupaçãoAtriz e criadora de televisão
Conhecido porDoctor Who: The Day of the Doctor, Evita, A Grande Entrevista
PrémiosNational Television Award, Best Actress (2005) · National Television Award, Best Actress (2006) · 3 BAFTA

A 29 de junho de 1998, as tabelas de vendas britânicas registaram algo invulgar: uma adolescente de quinze anos estreou directamente em primeiro lugar com o seu primeiro single. «Because We Want To» vendeu mais de 80 mil cópias na primeira semana, e Billie Piper tornou-se a artista feminina mais jovem a debutar no número um da tabela britânica. O que a indústria fonográfica não estava a calcular é que ela tinha outros planos.

Nascida com o nome Leian Paul Piper a 22 de setembro de 1982, em Swindon, no Wiltshire, no sudoeste de Inglaterra, começou a dançar aos cinco anos. Aos doze, ganhou uma bolsa de estudos para a Sylvia Young Theatre School, em Londres. Durante a formação, já aparecia em anúncios televisivos e programas infantis. O contrato com uma editora discográfica chegou aos quinze anos. Seguiram-se mais dois singles no número um.

A carreira pop — três primeiros lugares, o álbum de estreia Honey to the B (1998, platina), o segundo Walk of Life (2000) — ficou interrompida, não encerrada, quando Piper a abandonou em 2003 para se dedicar à representação. A reacção da imprensa foi o ceticismo generalizado esperado.

Esse ceticismo não sobreviveu à primeira temporada de Doctor Who (BBC, 2005). No papel de Rose Tyler, companheira do Nono Doutor (Christopher Eccleston), Piper deu ao revival da série um peso humano concreto. Rose é uma empregada de comércio do East End londrino — mãe solteira, namorado desajeitado — de repente lançada pelo tempo e pelo espaço. Piper ganhou o National Television Award de melhor actriz em 2005 e em 2006.

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O trabalho que se seguiu foi deliberadamente variado. Em Secret Diary of a Call Girl (ITV2, 2007–2012), interpretou Hannah Baxter, uma acompanhante de luxo com vida dupla. Nas duas últimas temporadas foi também produtora executiva. Em Penny Dreadful (Showtime, 2014–2016), a dupla interpretação de Brona Croft e do seu alter ego monstruoso Lily exigiu o registo mais teatral da sua carreira.

A narrativa dominante sobre Billie Piper na imprensa britânica centrou-se durante anos nos seus casamentos: com o apresentador de televisão Chris Evans (ela com dezoito anos, ele com trinta e cinco) e com o actor Laurence Fox (2007–2016). Esta narrativa relegou sistematicamente para segundo plano as realizações profissionais de alguém que construiu quatro carreiras distintas. É uma falha crítica.

I Hate Suzie (Sky Atlantic, 2020–2022), co-criada com a dramaturga Lucy Prebble, desmentiu essa narrativa de forma clara. Piper interpreta uma ex-actriz mirim cuja vida pública cuidadosamente gerida desmorona quando fotografias de uma aventura extraconjugal são divulgadas. A série examina o mecanismo: como as mulheres no espaço público gerem a sua identidade sob um olhar permanente. Quatro nomeações aos BAFTA; Piper nomeada dois anos consecutivos (2021 e 2023) como melhor actriz.

Em 2024, em Scoop (Netflix), interpretou Sam McAlister, a produtora que organizou a entrevista da BBC com o príncipe André — terceira nomeação aos BAFTA. Em 2025, regressou ao universo de Doctor Who e integrou o elenco da segunda temporada de Wednesday (Netflix) como Isadora Capri, cantando perante as câmeras pela primeira vez em mais de vinte anos.

O percurso de «Because We Want To» a Wednesday percorre quase trinta anos e um nível de reinvenção que nenhum plano de carreira teria previsto. O que permanece constante é a disponibilidade para ir onde a versão anterior ainda não tinha chegado.

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