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Gal Gadot, a heroína a quem não deixaram escolher o seu final

Penelope H. Fritz
Gal Gadot
Gal Gadot
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento30 de abril de 1985
Petah Tikva, Israel
OcupaçãoAtriz, produtora
Conhecido porLiga da Justiça de Zack Snyder, Mulher-Maravilha, Velocidade Furiosa 5
PrémiosSaturn · SeeHer Award, 2018 · Hollywood Walk of Fame star, 2025

Há uma Gal Gadot pública — luminosa, moralmente inexpugnável, construída para encarnar um ideal de força feminina — e há uma outra, aquela que percorre esta década de forma consideravelmente mais complicada desde que o estúdio decidiu prescindir dela sem a consultar. É a tensão entre estas duas versões que torna o seu percurso digno de análise.

Cresceu em Rosh HaAyin, no centro de Israel, filha de um engenheiro e de uma professora. Em criança praticou dança, natação e basquetebol com dedicação. Aos dezoito anos inscreveu-se no concurso Miss Israel quase por capricho — disse mais tarde que não esperava vencer e que ficou atónita quando ganhou. O serviço militar obrigatório seguiu-se: dois anos como instrutora de preparação física de combate nas Forças de Defesa de Israel. Foi precisamente essa formação que o realizador Justin Lin citou ao explicar a sua escolha para o papel de Gisele Yashar em Fast & Furious, em 2009.

A estreia estabeleceu o que distingue a sua presença em cena: uma economia física que comunica competência sem a enfatizar, uma quietude que se lê como autoridade natural. O personagem regressou em duas sequelas e desenvolveu uma história sentimental com Han Seoul-Oh cujo desfecho surpreendeu mais do que o argumento anunciava.

A entrada no universo DC, em dezembro de 2013, foi anunciada sem aviso prévio. Gadot estudava direito e relações internacionais na IDC Herzliya enquanto mantinha a carreira de modelo; não era a escolha óbvia para uma franchise que havia falhado repetidamente ao tentar criar uma protagonista feminina de fundo. A realizadora Patty Jenkins descreveu a decisão como intuitiva e definitiva. O filme de 2017 arrecadou mais de 820 milhões de dólares no mundo, recebeu 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e abriu uma discussão sobre o que pode ser um filme de super-heróis quando a câmara trata a sua protagonista como uma pessoa completa. A interpretação de Gadot — contida, precisa, genuinamente comovente nos momentos em que Diana enfrenta o mundo humano — esteve no centro dessa recepção.

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O que se seguiu é mais difícil de narrar de forma simples. Wonder Woman 1984, lançada no final de 2020, recebeu críticas mistas: a arquitectura narrativa pareceu confusa, as ambições temáticas superiores à execução. A ruptura mais significativa veio, contudo, não do público, mas da reestruturação corporativa: o reboot do DCU conduzido por James Gunn e Peter Safran dispensou todo o elenco original, e Gadot não foi convidada para a nova fase. O papel que a tornou conhecida em todo o mundo será interpretado por outra actriz num filme intitulado Paradise Lost.

A sua resposta foi apostar em papéis que parecem contraintuitivos para alguém identificada com a clareza moral. Em Red Notice, na Netflix em 2021, interpretou uma inspectora da Interpol cujo charme se revela ser a sua arma mais eficaz — uma personagem construída para que o espectador nunca consiga ler as suas lealdades com exactidão. O filme tornou-se o título mais visto da Netflix no momento do seu lançamento. Heart of Stone, em 2023, explorou um registo semelhante: uma agente cujas verdadeiras alianças permanecem deliberadamente opacas.

Gal Gadot in Heart of Stone
Gal Gadot in Heart of Stone. Photo via The Movie Database (TMDB)

O capítulo mais escrutinado desta fase foi Branca de Neve, a adaptação em live-action da Disney de 2025, em que Gadot interpretou a Rainha Má. A produção acumulou controvérsias antes de estrear: as declarações abertamente pró-Israel de Gadot e as posições igualmente explícitas da sua co-protagonista Rachel Zegler a favor da Palestina transformaram o período de promoção num evento geopolítico tanto quanto cinematográfico. O filme arrecadou 205,7 milhões de dólares mundialmente face a um orçamento estimado entre 240 e 270 milhões. As críticas à sua interpretação foram divididas. Gadot disse depois que gostaria de repetir o papel. Foi uma resposta característica de alguém que passou grande parte da carreira a ouvir onde estão os seus limites.

Os próximos projectos reflectem a lógica de produtora que desenvolve com o marido Yaron Versano através da Pilot Wave. Recovery Agent, anunciado com a Paramount em Janeiro de 2026, adapta a série de romances de Janet Evanovich sobre uma especialista que recupera objectos de alto valor em circunstâncias perigosas; Gadot está envolvida como produtora e possível protagonista. A sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood foi inaugurada em 2025, durante aquele que pode ser o período comercialmente mais difícil da sua carreira. Continua a ser uma das poucas actrizes capaz de sustentar uma franchise de 300 milhões de dólares — enquanto a indústria decide se quer que seja ela a fazê-lo.

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