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Hugh Grant, do galã a vilão: a metamorfose mais surpreendente do cinema britânico

MCM Pipeline
Hugh Grant
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento9 de setembro de 1960
Hammersmith, London, England
OcupaçãoAtor
Conhecido porThe Gentlemen – Senhores do Crime, Um Lugar Chamado Notting Hill, O Amor Acontece
PrémiosVolpi Cup · Globo de Ouro · 3 BAFTA

Ninguém esperava que Hugh Grant fosse capaz de assustar. Era o actor que o público britânico e mundial tinha escolhido como emblema do encanto desajeitado — o tipo de homem que gagueja em momentos decisivos e que, de alguma forma, isso funciona. Heretic, o thriller psicológico da A24 estreado em 2024, mudou essa percepção. Grant interpreta o senhor Reed, um homem que convida duas jovens missionárias para casa e as conduz a uma armadilha sem saída. A performance valeu-lhe uma nomeação para os BAFTA.

Não tinha planeado ser actor. Estudou literatura inglesa no New College de Oxford, licenciou-se com distinção em 1982, e os seus horizontes apontavam para a crítica de arte ou para a academia. A representação chegou por acaso. O primeiro papel profissional foi em Maurice de James Ivory (1987), que lhe valeu o prémio de Melhor Actor no Festival de Veneza.

O que Quatro Casamentos e Um Funeral fez à carreira de Hugh Grant em 1994 foi um dos acidentes mais curiosos do cinema britânico. A comédia de conjunto tornou-se o filme britânico mais rentável da década. O seu protagonista — cabelos despenteados, gaguez calculada — ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA de Melhor Actor. Ganhou também uma imagem que tentaria abandonar durante anos: o romântico relutante, o cavalheiro inglês em versão autodepreciativa.

Hugh Grant
Hugh Grant. Depositphotos

A década seguinte foi uma série de variações sobre o mesmo tema. Notting Hill com Julia Roberts, O Diário de Bridget Jones, Love Actually, About a Boy: filmes que extraíam a imagem Grant e a devolviam a um público que pedia exatamente isso. Ele cumpria, sem sempre com entusiasmo.

A verdadeira ruptura biográfica veio de fora: o escândalo das escutas telefónicas de 2011 fez de Grant um dos críticos mais proeminentes da imprensa tabloide britânica. Cofundou a campanha Hacked Off, prestou depoimento em comissões parlamentares e chegou a acordos históricos com o Mirror Group Newspapers em 2018 e com a News Group Newspapers, proprietária de The Sun, em 2024. As receitas do primeiro acordo foram doadas à Hacked Off. O segundo descreveu-o publicamente como dinheiro de silêncio que se recusava a aceitar calado.

A viragem criativa veio com Paul King, que o escolheu como o grande vilão de Paddington 2 em 2017. A performance valeu-lhe uma nomeação aos BAFTA. A Very English Scandal (BBC, 2018) e The Undoing na HBO (2020) confirmaram a nova direcção.

Em 2023, interpretou um Oompa Loompa em Wonka, um traficante de armas em Operation Fortune e um villain memorável em Dungeons & Dragons: Honra Entre Ladrões. Heretic (A24, Novembro de 2024) concentrou esta nova fase. No início de 2025, regressou como Daniel Cleaver em Bridget Jones: Mad About the Boy.

Casou com Anna Elisabet Eberstein em 2018; têm cinco filhos. Quarenta anos depois de Oxford, a trajectória de Hugh Grant é mais clara do que jamais pareceu: um actor que se tornou mais interessante ao deixar de ser o que todos esperavam que fosse.

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