Actores

Paul Rudd, o actor mais britânico de Hollywood que ninguém esperava

Penelope H. Fritz

Durante dezassete anos, cada vez que Paul Rudd aparecia em programa de televisão para promover um filme, mostrava um excerto de Mac and Me — o desastre cinematográfico de 1988 com o Ronald McDonald — como se fosse o seu trabalho mais recente. Sem que ninguém lho pedisse. Quando lhe perguntavam o porquê, dizia que a autopromoção directa lhe parecia «insincera». Uma forma de subversão impecavelmente educada, executada ao longo de duas décadas.

Paul Stephen Rudd nasceu a 6 de Abril de 1969 em Passaic, no New Jersey, filho de pais judeus anglófonos cujas famílias tinham raízes em comunidades asquenazitas da Europa de Leste, antes de se estabelecerem em Londres. Aos dez anos mudou-se para Lenexa, no Kansas. Estudou teatro na Universidade do Kansas e passou pela British American Drama Academy em Oxford, onde se dedicou ao drama jacobeu — um percurso de formação mais inglês do que americano, que moldou o seu sentido de ritmo cómico de forma mais duradoura do que qualquer coisa que veio depois. Entre etapas, trabalhou numa fábrica em Overland Park a preparar presuntos.

A primeira viagem relevante foi Clueless (1995), a adaptação de Emma de Amy Heckerling, onde Rudd interpretou Josh — o meio-irmão sensato, a única consciência de Beverly Hills. Tinha vinte e cinco anos e o papel exigia que fosse a pessoa mais honesta num filme cheio de personagens em constante auto-representação. É uma especialidade rara: saber exactamente quando não fazer nada.

A parceria com Judd Apatow transformou a sua carreira. Virgen a los 40, Knocked Up, I Love You, Man, This Is 40 construíram um universo de comédia assente na vulnerabilidade masculina, com Rudd como instrumento central. Em I Love You, Man, sustenta um filme inteiro na premissa de que um adulto tem medo de fazer amizades novas — transformando isso em algo simultaneamente ridículo e emocionalmente preciso.

Os anos da Marvel trouxeram complicações. Integrado no Universo Marvel no final de 2013, Rudd apareceu em cinco filmes e escreveu dois. Ant-Man and the Wasp: Quantumania (2023) revelou os limites do dispositivo: colocado no centro de uma narrativa épica que a personagem não foi construída para suportar, o filme recebeu as piores críticas da sua fase Marvel. Rudd não comentou publicamente. O silêncio era já uma resposta. Regressa em Avengers: Doomsday, previsto para Dezembro de 2026.

A televisão abriu-lhe território diferente. Living with Yourself (2019), série Netflix que ele próprio desenvolveu e produziu, deu-lhe um papel duplo que valeu uma nomeação para o Globo de Ouro. Em Only Murders in the Building recebeu a sua primeira nomeação para o Emmy por uma actuação que funcionou quase exclusivamente em flashback. Uma segunda nomeação no mesmo ano veio pela narração de Secrets of the Octopus — tornando-o no mais improvável candidato a distinções no género dos documentários sobre vida selvagem.

Power Ballad, estreado no SXSW 2026, recebeu críticas que o apontam como o melhor filme de John Carney desde Once: uma comédia musical sobre um cantor de casamentos em declínio que descobre que uma estrela de boy band lhe terá roubado uma canção. Estreia nos EUA a 5 de Junho de 2026. Tom McCarthy — o realizador de Spotlight, Óscar de Melhor Filme — escala-o ainda para The Statement, drama histórico sobre uma conferência climática real de 1980 na Florida, ao lado de Paul Giamatti, Evan Peters e Tatiana Maslany.

É casado desde 2003 com Julie Yaeger, argumentista e produtora, e vive com ela e os dois filhos em Rhinebeck, Nova Iorque. Com Jeffrey Dean Morgan é co-proprietário de uma confeitaria local. Em 2021, aos cinquenta e dois anos, a revista People elegeu-o o homem mais sensual do mundo. O Festival de Tribeca de 2026 dedica-lhe uma retrospectiva. Aos cinquenta e sete, esse reconhecimento chega ou cedo demais ou exactamente na hora certa.

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