Desporto

Estados Unidos – Paraguai: um 4-1 que disfarça a meia hora que os EUA entregaram sem Pulisic

Kenji Nakamura

A decisão mais determinante de Mauricio Pochettino na noite de sexta-feira não deu golo: retirou um do relvado. Ao intervalo, com os Estados Unidos a vencer por 3-0 e a praticar o futebol mais fluido do seu mandato, o selecionador trocou Christian Pulisic e enviou a noite em duas direções ao mesmo tempo. O 4-1 final parece um passeio. Não foi. Foram duas equipas com a mesma camisola, separadas por uma única substituição, e a distância entre elas é a verdadeira história da estreia dos Estados Unidos no Mundial, em Los Angeles.

Durante 45 minutos os anfitriões foram uma máquina, e a máquina tinha um desenho. Tyler Adams e Weston McKennie seguravam o duplo médio; os laterais subiam; e Pulisic recebia o espaço entre as linhas do Paraguai para fazer o que quisesse. Tudo passava por ele. O primeiro golo, aos 7 minutos, foi o desenho em miniatura: Pulisic partiu dois defesas, a bola cruzou a área por McKennie e entrou após o desvio infeliz do desesperado Damián Bobadilla. Gustavo Alfaro tinha construído um Paraguai baixo, teimoso, obcecado pela baliza a zero. Em sete minutos a sua última linha já tinha sido atravessada.

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O que se seguiu só afiou o argumento. O primeiro de Folarin Balogun, à meia hora, nasceu de um cruzamento de Pulisic que o deixou sozinho no meio para finalizar; o segundo, momentos antes do intervalo, foi um lance individual sumptuoso ao ângulo, um corte e um remate medido a 98 km/h. Um terceiro golo de Balogun foi anulado por fora de jogo, consequência de uma linha adiantada deliberada que o Paraguai nunca resolveu. Setenta e cinco por cento de posse, oito remates a dois, quatro à baliza a zero. Andrés Cantor chamou-lhes os melhores 45 minutos da era Pochettino, e o marcador não discordou.

Então Pochettino desligou a máquina. Pulisic — enorme, mas com um torneio longo pela frente e um corpo a preservar — não voltou; entrou Sebastian Berhalter no seu lugar. O tecido conjuntivo foi-se com ele. Os Estados Unidos já não conseguiam quebrar uma linha, porque quem quebrava as linhas estava no banco, e as chegadas de McKennie perderam quem as alimentava. A posse evaporou-se, o estádio que tremera na primeira parte silenciou, e o Paraguai, de repente com ar, cresceu. O amarelo a Adams pouco antes da hora de jogo foi o sinal de uma equipa que agora perseguia o jogo em vez de o ditar.

A simetria foi quase demasiado limpa. Bobadilla, autor do autogolo, tinha sido substituído por Maurício — e foi Maurício quem empurrou para o fundo o lançamento em profundidade de Julio Enciso, aos 73 minutos, para o 3-1. A equipa intocável durante 45 minutos parecia agora, na meia hora seguinte, uma formação a defender uma vantagem que já não controlava por completo.

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Giovanni Reyna devolveu o brilho aos 98 minutos, enrolando um remate ao poste mais afastado com o exterior do pé: o último lance da noite, e belíssimo. Mas foi um clarão individual, não o sistema a reiniciar. Nessa altura os Estados Unidos geriam uma vantagem em vez de impor uma forma, e a segunda parte tinha sido, em silêncio, do Paraguai.

Nada disto apaga o brilho da primeira parte. Um 4-1 numa estreia de Mundial — a primeira vitória do país por mais de um golo no torneio em 24 anos — é uma declaração em casa, e aquele futebol foi de facto eletrizante. Mas uma crónica tem de perguntar o que a noite provou, e a resposta corta dos dois lados. Pochettino construiu uma equipa que, com Pulisic entre as linhas, desmantela à vontade uma seleção sul-americana bem organizada. Construiu também uma que, sem ele, não segurou a bola quinze minutos perante um adversário que se limitou a subir as linhas.

E isso conta para lá da estética. Num Grupo D que inclui também a Turquia e a Austrália, a diferença de golos é o primeiro critério de desempate depois do confronto direto, e o golo que a prudência de Pochettino permitiu pode decidir se os Estados Unidos terminam em primeiro ou segundo — e que adversário de mata-mata isso lhes reserva. A pergunta de fundo as eliminatórias colocá-la-ão a sério: quando um treinador tem de poupar o seu melhor jogador, ou o perde, o plano sobrevive à ausência? Na sexta-feira, não. Os melhores 45 minutos da era Pochettino e os mais reveladores chegaram no mesmo jogo — e só metade deles vai viajar.

Mundial 2026 · Los Angeles Stadium
Damian BOBADILLA 7'
Folarin BALOGUN 31'
Folarin BALOGUN 45'+5'
REYNA 90'+8'
MAURICIO 73'
USA · 4-2-3-14-4-2 · Paraguay
24Matt FREESE
2DEST
3Chris RICHARDS
5Antonee ROBINSON
13REAM ★
16Alex FREEMAN
4Tyler ADAMS
8MCKENNIE
17TILLMAN
10Christian PULISIC
20Folarin BALOGUN
12Orlando GILL
3Omar ALDERETE
4Juan Jose CACERES
6Junior ALONSO
15G. GOMEZ ★
8Diego GOMEZ
10Miguel ALMIRON
14Andres CUBAS
16Damian BOBADILLA
9Sanabria
19Julio ENCISO

Eventos do jogo

🔁 Sebastian BERHALTER ↔ Christian PULISIC
MAURICIO ↔ Damian BOBADILLA 🔁
⚽ Damian BOBADILLA
7'
9'
Juan Jose CACERES 🟨
⚽ Folarin BALOGUN
31'
⚽ Folarin BALOGUN
45'+5'
53'
Miguel ALMIRON 🟨
🟨 Tyler ADAMS
59'
62'
Alex ARCE ↔ Antonio SANABRIA 🔁
🔁 Timothy WEAH ↔ Sergino DEST
72'
🔁 Ricardo PEPI ↔ Folarin BALOGUN
72'
73'
MAURICIO ⚽
79'
Diego GOMEZ 🟨
79'
Ramon SOSA ↔ Miguel ALMIRON 🔁
79'
Gustavo VELAZQUEZ ↔ Juan Jose CACERES 🔁
79'
Alejandro ROMERO GAMARRA ↔ Diego GOMEZ 🔁
🔁 Giovanni REYNA ↔ Malik TILLMAN
82'
88'
Alex ARCE 🟨
90'+3'
Junior ALONSO 🟨
⚽ REYNA
90'+8'

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