Desporto

Liga dos Campeões: como 725 libras de um concurso de TV levaram Valdas Dambrauskas e o Sabah à elite

Jack T. Taylor

A história vende-se como um conto de fadas, e a maior parte da cobertura mediática seguiu-lhe o exemplo: um concorrente de um concurso televisivo que, de alguma forma, tropeçou na Liga dos Campeões. Mas um olhar mais atento revela que a sorte não está lá. O que Valdas Dambrauskas fez foi mais raro e mais difícil do que a sorte — ele olhou para uma vida sem carreira profissional como jogador, decidiu que isso não era um veredito final, e gastou tudo o que tinha para o provar.

Esse tudo era um cheque de um concurso televisivo. Na edição lituana do Who Wants to Be a Millionaire?, Dambrauskas recebeu os seus ganhos e saiu, em vez de os arriscar na pergunta seguinte — um primeiro sinal subtil de um homem que sabe exatamente quando vale a pena apostar. Depois fez a coisa imprudente com o dinheiro seguro. Apostou tudo em si mesmo.

O valor era de quatro mil litas, cerca de £725 — aproximadamente metade do salário anual de um lituano médio na altura. A maior parte foi para um voo para Londres e um mês de renda. Aterrou aos vinte e cinco anos com um visto de estudante, sem contactos, sem currículo de jogador e, ao fim de semanas, quase sem nada. Inscreveu-se em ciências do desporto e treino na London Metropolitan University e pagou a vida ao seu redor fazendo de babysitter, trabalhando em lojas e entregando jornais. O seu plano, como mais tarde disse, era simplesmente que “de alguma forma vou tentar fazer estes cursos para obter o badge de treinador.”

A labuta que se seguiu é a parte que o conto de fadas omite. Ele foi voluntário no London Tigers, um clube da nona divisão em Kingsbury, e subiu até à equipa principal. Passou cinco anos nos cursos residenciais das Soccer Schools do Manchester United e passou pelas academias do Fulham e do Brentford. Não houve atalhos em lado nenhum — apenas um homem a colecionar os badges e as horas que a sua biografia insistia que ele não tinha direito.

Quando finalmente voltou para casa, as portas abriram-se em sequência. Primeiro os sub-17 da Lituânia, depois um regresso ao futebol sénior como adjunto no Ekranas, depois no Zalgiris Vilnius, onde começou a ganhar — títulos de campeonato e taças nacionais acumularam-se. Seguiu-se o Ludogorets na Bulgária, uma Taça da Croácia no Hajduk Split, e passagens pela Grécia, Chipre e Hungria. Dez clubes em sete países: o mapa de um treinador que nunca parou de caminhar em direção ao próximo desafio.

O Sabah, em Baku, é a décima paragem, e a que justificou toda a rota improvável. Na sua primeira época, o clube conquistou o seu primeiro título de campeonato e acrescentou a taça — uma dobradinha doméstica para uma equipa fundada há pouco mais de uma década. Depois veio a corrida de qualificação, quatro rondas e um país diferente de cada vez, encerrando com um confronto contra o Hapoel Beer-Sheva que o Sabah recuperou de uma posição desfavorável para vencer. O prémio foi um lugar na fase de liga da Liga dos Campeões.

O que o espera lá redefine tudo o que ficou para trás. Barcelona, Borussia Dortmund e Nápoles viajarão para Baku; o Sabah irá a Villarreal, e a Old Trafford e ao Emirates. Isso significa uma noite contra o Manchester United, cujos cursos de formação tiveram Dambrauskas na equipa técnica — o futebol inglês que ele entrou pela primeira vez por uma porta lateral, com um cheque de concurso televisivo no bolso.

A maioria dos treinadores nesta competição chegaram com uma carreira de jogador como passaporte. Dambrauskas chegou com um recibo. A sua ascensão não é prova de que um concurso televisivo pode fazer um treinador; é prova de que ele se recusou a aceitar que nunca ter jogado profissionalmente significava que não podia comandar o jogo — e que estava disposto a gastar os seus últimos litas para o descobrir. Quando o Sabah sair a Old Trafford, a coisa mais cara no relvado será a coragem que ele comprou por £725.

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