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Mac Allister «muito, muito triste» no Liverpool: sem proposta de renovação

Jack T. Taylor

“Muito, muito triste.” Foi assim que Alexis Mac Allister se descreveu, e não é a frase de um homem a pedir um aumento. É a frase de um futebolista que ganhou uma liga para o Liverpool, que ainda tem anos de contrato pela frente, e que acaba de ser informado — e não cara a cara — que o clube prefere nem sequer falar sobre o seu futuro.

A tentação é arquivar isto no título habitual: médio insatisfeito, ruídos de agente, uma novela de transferências a carregar em silêncio. Essa leitura perde o que realmente o magoou. Mac Allister não foi posto de lado nem congelado. Foi informado, através de um intermediário, que o Liverpool não estava em condições de lhe oferecer um novo contrato — e a ferida está tanto no canal como na mensagem.

“Não houve nenhuma conversa direta comigo — foi com o meu agente”, disse ele. “O que recebi do meu agente foi que não estavam em condições de me renovar.” Para um jogador que diz dar tudo por este clube todos os dias no treino, a ausência de uma conversa cara a cara dói mais do que qualquer rejeição feita em pessoa.

O timing agrava a situação. Mac Allister viu Dominik Szoboszlai e Ryan Gravenberch — os médios com quem construiu e quebrou linhas — assinar novos contratos. “Vejo o Dominik e o Ryan a renovar os seus contratos, e isso deixa-me feliz, eles merecem”, disse ele, “mas ao mesmo tempo deixa-me triste.” Feliz por eles, triste por si próprio: é a frase mais honesta que um profissional pode dizer em voz alta, e a maioria nunca o faz.

Ele não tinha de continuar aqui. “Houve uma oportunidade, como toda a gente sabe”, admitiu sobre um verão em que havia opções de sair. Ficou, e a razão não foi tática nem financeira. “Este é o clube certo. Adoro estar aqui, adoro os adeptos.” Um vencedor do Mundial escolheu a lealdade e recebeu um memorando transmitido por um terceiro.

É aqui que a história deixa de ser sobre um contrato e passa a ser sobre como um clube moderno diz a um jogador o que ele vale. O Liverpool não quebrou nenhuma regra. Um vínculo que ainda dura mais duas épocas é, na folha de cálculo, um problema para outro dia. Mas a folha de cálculo não conta com um balneário a ler cada sinal, nem com um campeão a narrar a sua própria e silenciosa exclusão muito antes de os papéis forçarem a mão de alguém.

O que torna Mac Allister digno de ser ouvido é que ele se recusa a usar a dor como arma. Não está a ameaçar baixar os braços. “Vou dar 100% até ao último dia em que estiver aqui”, disse ele — uma frase que deveria tranquilizar o Liverpool e inquietá-lo na mesma medida, porque é exatamente o profissionalismo que um clube corre o risco de tomar como garantido até que ele saia pela porta sem custos.

Falou na véspera de uma noite da Liga dos Campeões frente ao Atlético Madrid, com o seu contrato a vigorar até 2028, a medalha da Premier League do título que ajudou a vencer ainda fresca. Nenhum destes factos está em disputa. A única coisa por resolver é se o Liverpool decide que um jogador tão relutante em queixar-se é um jogador que vale a pena manter.

Dois anos é muito tempo para se sentir indesejado enquanto se joga como se fosse indispensável. O Liverpool tem tempo para resolver isto. O que talvez não consiga resolver é a memória de como um vencedor da liga soube que era excedentário — através de alguém que nunca esteve na sala.

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