Críticas

Backpackers é um thriller passado na selva que nunca nos dá razões para ficar

Martha O'Hara
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Backpackers é um thriller filipino para adultos, e a sinopse publicada resume-se a duas frases. Um rapaz e duas raparigas partem juntos para a selva. Não sabem que um assassino os segue. É toda a descrição disponível, e é apenas com base nela que posso fazer esta crítica. Por isso, vou dizer com clareza o que os próprios materiais do filme assumem e o que deixam de fora.

Bong Bordones realiza o filme. A Enigmatic Film Production apresenta-o como um Enigmatic Original, em associação com a DW17 Entertainment Productions e a HDLab Post Production. O elenco creditado inclui Kevin Dy como Dags, Roi Neri como Vale, Salome Salvi como Kara e Aylene Velasco como Mitch. Contem os nomes. A sinopse fala de três viajantes e os créditos enumeram quatro personagens, mas nada esclarece o papel da quarta, por isso não vou especular. Quatro atores, uma viagem, uma ameaça: um thriller pequeno, de dimensão modesta. Ser pequeno não é um defeito. Significa, isso sim, que o filme tem pouco onde se esconder.

Jovens, um lugar remoto, um perseguidor. Quem vê filmes de género reconhecerá a premissa logo na primeira frase. Tudo assenta na ironia dramática. Nós sabemos que há um assassino, mas os viajantes não, pelo que cada paragem para descansar e cada desvio errado devem ganhar um segundo sentido. É um mecanismo simples e fiável. Indica de onde deve vir a tensão, não o que acontece diante da câmara, e só funciona se o filme explorar continuamente a diferença entre aquilo que nós sabemos e aquilo que as personagens sabem. Um assassino que aparece cedo demais estraga o medo. Se ficar demasiado tempo fora de cena, damos por nós a olhar para o relógio.

O rótulo também importa. O filme é apresentado como um filme para adultos, e a própria sinopse descreve as raparigas como sensuais, por isso a promoção não esconde onde põe o acento. O suspense e a provocação sensual puxam em direções opostas. O suspense pede que contenhamos a respiração e que o corte chegue um instante mais tarde; a provocação quer que o plano se prolongue. Um filme que vende as duas coisas tem de escolher quando elas entram em conflito, mas a apresentação não dá qualquer pista sobre qual delas prevalece. A julgar apenas pelo material promocional, suspeito que o destaque vai para as raparigas, não para o assassino.

Quanto às interpretações, o máximo que um crítico honesto pode dizer com base na ficha técnica é que a premissa exige mais tipos do que pessoas. Dy, Neri, Salvi e Velasco interpretam viajantes que são apresentados já a caminho do perigo. Um thriller deste género raramente dá aos atores tempo para transformarem um tipo numa pessoa por quem o público se preocupe; e, sem essa preocupação, a sombra do assassino tem pouco para ameaçar. Ninguém teme por um desconhecido. Se isso se revelar uma fraqueza, será uma falha de conceção, não de interpretação, e o elenco não deve ser responsabilizado.

A selva é o melhor trunfo da premissa. Dá cobertura ao assassino, deixa a ajuda muito longe e explica por que razão ninguém ouve nada. Estas vantagens vêm incluídas no género. Para que tenham peso, seria preciso perceber que alguém escolheu de onde vem o perigo e porquê, mas o material publicado não mostra nada disso. Se a selva for apenas descrita como perigosa, não passa de cenário. Se o filme explorar as distâncias, os ruídos e os becos sem saída, começa a parecer uma ameaça por direito próprio. A sinopse menciona a selva e não diz mais nada sobre ela, o que, no papel, aproxima o filme mais do cenário do que da ameaça.

Há também a questão do que o filme pede ao público. Ao falar-nos do assassino desde o início, atribui-nos uma tarefa: observar os viajantes e esperar. Só é suportável esperar quando essa espera tem forma, quando o filme aperta e alivia a tensão e nos diz quando devemos preparar-nos para o pior. Uma premissa tão simples depende mais do que a maioria dessa construção. Sem ela, a espera transforma-se numa longa caminhada entre árvores, com algo atrás de nós.

Backpackers (2022) parece um exercício modesto dentro do género e declara as suas intenções sem rodeios: pessoas entram na floresta e algo as segue. A minha reserva é que não declara mais nada. Um thriller tem de nos dar uma razão para ficar para lá da premissa, e o material não oferece nenhuma. Quem vier pela ideia inicial e não esperar mais encontrará aquilo que lhe foi anunciado. Todos os que esperarem algo mais estarão a arriscar.

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