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Sequela de ‘Barbie’ encalha: o verdadeiro IP da Warner são Gerwig, Robbie e Gosling, não a boneca

Veronica Loop

Quando Barbie se tornou a maior bilheteira da história centenária da Warner Bros., o estúdio parecia ter apanhado um raio: uma licença de brinquedo transmutada num referendo cultural. As conversas paradas sobre uma sequela revelam a correção desconfortável. O valor nunca foi a boneca da Mattel ou a marca saturada de rosa — foram as três pessoas que transformaram um produto num evento. A Warner está a aprender, a um custo considerável, que o seu Barbie IP é Greta Gerwig, Margot Robbie e Ryan Gosling, e que os três percebem exatamente o que essa alavancagem vale.

Como o The Hollywood Reporter relata a partir de uma reportagem do New York Times, as negociações para reunir aquele trio ficaram silenciosas, não colapsaram. Gerwig e o seu parceiro de escrita Noah Baumbach têm, alegadamente, uma história pronta mas estão a retê-la deliberadamente, recusando-se a escrever uma página até que um acordo seja fechado — uma postura que converte o controlo criativo numa moeda de troca. Robbie, que produziu o original através da sua produtora LuckyChap, e Gosling continuam por assinar juntamente com ela.

O impasse é tanto filosófico como financeiro. O Times apresenta David Zaslav — cujo reinado sobre a Warner Bros. Discovery tem sido definido por austeridade, imparidades e matemática de fusões — como a recuar perante termos que considerou demasiado generosos. A Warner contesta essa caracterização, mas o impasse é emblemático do estúdio pós-greve: uma organização treinada para cortar, a negociar com talento que lhe deu a sua maior vitória de bilheteira e que agora espera ser pago como os autores dela, não como os empregados nela.

A pairar sobre a mesa está a Mattel, cujo acordo de direitos com a Warner é um arrendamento, não uma escritura. Se o estúdio não conseguir fechar, o controlo de uma das marcas mais valiosas do entretenimento pode reverter — e a Mattel, ainda a montar uma divisão de cinema cujos primeiros avanços, incluindo uma corrida global de 113,5 milhões de dólares para Masters of the Universe, foram modestos, herdaria a tarefa nada invejável de reconstruir Barbie sem os arquitetos que a fizeram brilhar. Ninguém lucra com um reboot que começa por deitar fora um modelo comprovado.

O relógio é o que força o acerto de contas. A Warner tem até dezembro para chegar a termos antes de a questão dos direitos se tornar aguda, segundo a reportagem; o lado de Gosling estará a pedir cerca de 20 milhões de dólares, e um porta-voz da Warner mantém que o estúdio fez “uma série de grandes ofertas” mas “não conseguiu chegar a um acordo até agora”.

Por agora, o seguimento do filme original mais lucrativo da memória recente existe apenas como uma história que Gerwig se recusa a contar — retida, apropriadamente, por um desacordo sobre o que vale.

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