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Dekanalog aposta na estreia singapuriana ‘Amoeba’ e fica com a América do Norte

Jun Satō
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Raramente uma estreia do Sudeste Asiático salta diretamente do circuito de festivais para uma estreia nos cinemas da América do Norte e, quando acontece, a decisão diz tanto sobre o distribuidor como sobre o filme. A Dekanalog, a boutique nova-iorquina que construiu a sua reputação a importar vozes internacionais singulares, acaba de fazer esse tipo de aposta em Amoeba, a primeira longa-metragem da singapurense Tan Siyou — uma aposta de que uma história hiperlocal sobre raparigas de escola e um mito de gangsters enterrado pode encontrar público do outro lado do oceano.

A empresa adquiriu os direitos para a América do Norte junto do agente de vendas Diversion, com sede em Banguecoque, num acordo negociado por Mai Meksawan, da Diversion, e George Schmalz, da Dekanalog. É uma aquisição característica para um distribuidor cujo catálogo inclui nomes como Quentin Dupieux e Lemohang Jeremiah Mosese: filmes que viajam pela autoria, não pela franquia. Para a Diversion, que ainda está a vender o título noutros territórios, a venda coloca uma bandeira no mercado de cinema de arte mais competitivo do mundo.

Amoeba é uma história de crescimento com uma corrente política subterrânea. Acompanha Choo, uma rapariga de 16 anos que abandonou a escola, interpretada por Ranice Tay, que regressa à sua escola de elite só para raparigas chinesa e se junta a três colegas rebeldes. Confrontando professores autoritários e a doutrina escolar, as quatro raparigas desenterram as lendas apagadas de gangsters que outrora dominaram as ruas da Singapura colonial — e decidem formar o seu próprio gangue. Filmado pela diretora de fotografia Neus Ollé, o filme transforma a rebeldia adolescente num confronto com a conformidade e a memória nacional.

O filme chega à América do Norte já laureado. Após a sua estreia mundial na secção Discovery do Festival Internacional de Cinema de Toronto, varreu grande parte do circuito asiático: Melhor Filme Juvenil nos Asia Pacific Screen Awards, uma nomeação para os Golden Horse para Tan como melhor nova realizadora, Melhor Filme na secção New Horizons do QCinema, e três prémios em Pingyao, incluindo melhor atriz para Tay. Esse pedigree — uma realizadora estreante com um registo crítico quase unânime — é precisamente o capital que a Dekanalog está a comprar.

Produzido pela Akanga Film Asia, de Singapura, juntamente com um leque de coprodutores europeus, Amoeba estreou em Toronto em setembro de 2025 antes de seguir para Busan e outros destinos. A Dekanalog ainda não agendou o seu lançamento na América do Norte, e a distribuição testará se um drama adolescente singapurense pode converter o reconhecimento dos festivais em vendas de bilheteira no circuito de arte.

Há uma simetria elegante no acordo: um filme sobre quatro raparigas a escavar a história enterrada de uma cidade, a insistir que pertencem a ruas que nunca foram feitas para elas, acaba de conquistar um lugar nos ecrãs mais protegidos do mundo.

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