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‘Lincoln in the Bardo’: Starburns junta Meryl Streep e Tom Hanks na sua aposta em stop-motion

Martha O'Hara

A stop-motion é o negócio mais ingrato do cinema: meses de trabalho para segundos de ecrã, uma arte tão lenta que nunca conseguiu transformar-se num negócio fiável. A Starburns Industries está a tentar resolver essa equação da maneira como Hollywood resolve quase tudo — à força de nomes sonantes. A adaptação de Lincoln in the Bardo pelo estúdio juntou um elenco de vozes suficientemente forte para encabeçar três filmes normais, uma aposta de que o prestígio literário e o peso das estrelas podem tornar legível, para compradores que de outra forma nunca a financiariam, uma animação de autor.

Como o The Hollywood Reporter revelou em primeira mão, Meryl Streep, Colman Domingo, Bill Hader e Tom Waits juntaram-se ao ensemble, engrossando um alinhamento que já incluía Tom Hanks, Willem Dafoe, Jonathan Bailey e Peter Dinklage. Só Streep dá voz a quatro papéis — uma mulher chamada Abigail Blass, outra chamada Elizabeth Crawford, um anjo enviado para persuadir almas perdidas a sair do bardo, e um demónio determinado a aprisionar lá uma criança para sempre.

O projeto reúne o realizador Duke Johnson com a Starburns, o estúdio de animação por detrás de Anomalisa, o drama em stop-motion de 2015 que valeu a Johnson uma nomeação para os Óscares e provou que o formato conseguia transportar sentimentos adultos e pouco glamorosos. George Saunders adapta o seu próprio romance de 2017, que venceu o Booker Prize graças ao seu coro polifónico de fantasmas de cemitério. A conceção de Johnson divide o filme em dois: Hanks interpreta um Abraham Lincoln devastado pela dor, em imagem real, a chorar o seu filho Willie, de onze anos, enquanto os mortos que se aglomeram à volta do rapaz são representados em stop-motion.

O elenco parece menos uma leitura de mesa do que uma galeria de vozes escolhidas pelo timbre e pelo carácter. Waits interpreta Jaspar Randall, um artista de salão de dança tão morto há tanto tempo que se reduziu a uma mancha cantante no chão do cemitério; Hader faz de vigarista e de um dos três elementos de um trio chamado os Três Libertinos. Para um filme em que cada rosto é esculpido à mão, um elenco tão reconhecível é também um trunfo de marketing — uma forma de vender bonecos à custa das pessoas que lhes sopram a vida.

Esse argumento está a ser apresentado abertamente. A CAA Media Finance e a WME Independent estão a mostrar o filme a distribuidores no mercado do Festival Internacional de Cinema de Toronto, sem data de lançamento ou distribuidor doméstico definidos até ao momento.

É um truque de prestidigitação bem conhecido de Hollywood, mas ao contrário: em vez de esconder estrelas caras dentro de um blockbuster, a Starburns empilha-as atrás de bonecos — apostando que um Booker Prize e uma dúzia de gargantas famosas podem finalmente fazer a arte mais lenta do cinema andar à velocidade de uma venda.

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