Críticas

Lou é um thriller modesto que só Allison Janney consegue salvar

Anna Foerster realiza em 2022 uma perseguição na tempestade, com mais atriz do que argumento.
Martha O'Hara
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Ilha de Orcas, estado de Washington, 1986. Allison Janney é Lou, uma antiga agente da CIA que vive isolada com o cão Jax e que, na noite em que uma tempestade se abate sobre a ilha, se vê arrastada para uma perseguição de que já não julgava fazer parte. Vee, a filha pequena da sua inquilina Hannah, é raptada. Hannah bate à porta de Lou, que pouco falava com os vizinhos, e as duas saem juntas no encalço do raptor.

Lou, o filme de Anna Foerster, é um thriller de ação que depende muito de Janney. A atriz dá-lhe uma presença física e credível, sobretudo no confronto com Philip (Logan Marshall-Green), que culmina na praia. É esse trabalho que segura a narrativa quando o argumento perde o pé.

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O principal defeito está precisamente aí. A revelação de que Philip é filho de Lou, e de que ela o abandonou em criança para não pôr em risco uma missão infiltrada no Irão, tem peso emocional. Só que chega num diálogo durante um impasse armado, e a pressa dilui o efeito. Uma mãe que deixou o filho para trás e que, anos depois, o denuncia às autoridades para proteger outra mãe e a filha desta daria matéria para um filme inteiro. Aqui ocupa poucos minutos.

A realização de Foerster cumpre sem se fazer notar. As sequências de perseguição durante a tempestade fazem o que se pede e deixam pouca marca. Perto do fim, Lou faz explodir o farol para sinalizar um helicóptero da CIA que se aproxima, e a solução soa mais a conveniência do que a escolha corajosa que a história pedia.

No elenco secundário, Jurnee Smollett interpreta Hannah, a mãe desesperada que julgava Philip morto, e está melhor quando a personagem tem de agir do que quando tem de explicar. Marshall-Green é eficaz como antagonista, mas o papel dá-lhe pouco para além da ameaça, e o vilão acaba por não ficar na memória. Ridley Asha Bateman, no papel de Vee, justifica só com a sua presença a urgência das duas mulheres.

A ilha e a noite de temporal criam uma atmosfera fechada, e o filme usa-a para manter a tensão, mas não vai além disso. A tempestade podia ter funcionado como espelho dos conflitos interiores das personagens; ficou como pano de fundo.

Há um pormenor que merecia mais atenção do que o filme lhe dá. Na cena inicial, o xerife, interpretado por Matt Craven, aconselha Lou a usar uma pulseira de cobre para a artrite. É um momento quase doméstico, que sugere um mundo menos hostil do que o da intriga. Mais tarde, quando um telefonema do serviço federal dos US Marshals o obriga a recuar, o xerife vai na mesma até Eagle Bay e entrega a pulseira a Lou. O gesto é discreto, e o filme nunca explora o que ele diz sobre o isolamento da protagonista.

O percurso violento de Lou sofre do mesmo mal. Ela elimina Tony (Daniel Bernhardt) e Gerry (RJ Fetherstonhaugh), amigos de Philip, com uma eficácia que mostra que é mais do que aparenta, e só depois explica a Hannah que passou 26 anos como agente de campo da CIA. Estas cenas são filmadas de forma convencional, sem invenção que as torne memoráveis. É nas pausas entre os golpes, quando Janney deixa a personagem respirar, que o filme se aproxima do que podia ter sido.

A receção crítica foi dividida: o desempenho de Janney colheu os elogios e o argumento as reservas. O texto publicado no site de Roger Ebert observa que a ligação entre as personagens exige uma escrita e uma realização robustas para ser aceite pelo espectador, o que o filme alcança só em parte. O Decider, mais generoso, descreve um thriller de suspense digno, amparado por boas interpretações e pela realização.

A última imagem mostra Hannah e Vee num ferry, enquanto uma mulher com uma cicatriz e uma pulseira de cobre as observa de binóculos. Deixa a história em aberto e sugere uma continuação que o filme não chega a assumir.

É por Janney que se aguenta Lou até ao fim. À volta dela há um thriller de fórmula, com uma boa ideia dramática que ficou por desenvolver.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

  • Ridley Asha Bateman — Vee

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