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Ana Layevska, a actriz de Kiev que Rodrigo García julgou americana e quis continuar assim

Penelope H. Fritz
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Ana Layevska
Ana Layevska
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento10 de janeiro de 1982
Kiev, Ucrânia
OcupaçãoActriz
Conhecido porCantinflas – A Magia da Comédia, Casi Divas, Cansada de Beijar Sapos
PrémiosPrémio TVyNovelas, Melhor revelação feminina · Prémio Palmas de Oro, Revelação feminina

Quando Rodrigo García estava a escolher o elenco de Santita, Ana Layevska fez uma audição com um monólogo em inglês e quase nenhuma informação sobre a personagem. A resposta veio acompanhada de uma correção. O realizador, contou ela mais tarde à ¡HOLA!, tinha partido do princípio de que era americana e propôs reescrever Sierra como uma mulher mexicana, agora que sabia a verdade. Ela convenceu-o a não o fazer. Uma atriz nascida em Kyiv, criada na Cidade do México e fluente em russo, espanhol e inglês acabava de ser confundida com uma americana — e queria manter o equívoco no ecrã.

A história é divertida, mas também resume bem a sua carreira. A televisão mexicana raramente soube o que fazer com ela, além de lhe atribuir uma classe social. O público conheceu-a primeiro como a namorada ingénua de uma telenovela juvenil; durante a maior parte da última década, os diretores de casting têm-lhe oferecido o mesmo papel com roupagens diferentes: a mulher elegante e endinheirada que olha de cima para todos os que estão na sala. «Acontece-me muitas vezes com mulheres ricas e insuportáveis», contou ao Time Out México neste outono. «Quando me dão uma personagem dessas, tento dar-lhe características diferentes, para que não seja sempre exatamente a mesma mulher.»

Anna Serhiivna Layevska era filha única do violinista Serhii Laievskyi e da atriz Inna Rastsvetaeva. Nasceu a 10 de janeiro de 1982, em Kyiv, então uma cidade soviética, e cresceu num lar em que a representação era o ofício da família. Aos cinco anos já tinha um violino nas mãos. A família mudou-se para Moscovo em 1987 e, em 1991 — o ano em que o Estado soviético se desmoronou —, para o México, onde ela chegou aos nove anos. A formação clássica nunca a abandonou; continua a tocar violino e piano. Mas a carreira que essa formação parecia indicar ficou para trás. O seu primeiro crédito televisivo, em Alguna vez tendremos alas, em 1997, deu-lhe o papel de uma violinista russa, como se a indústria tivesse decidido catalogá-la pela única coisa que já sabia a seu respeito.

Frequentou o Centro de Educación Artística, a escola da Televisa que alimentava os estúdios da estação, e foi fazendo pequenos papéis em Preciosa e Amor gitano, além de participar no videoclip de «Carolina», do cantor David. A verdadeira oportunidade surgiu quando o produtor Pedro Damián a escolheu para interpretar Marina Iturriaga em Primer amor… a mil por hora, uma telenovela juvenil protagonizada por Anahí, Kuno Becker e Valentino Lanús. Tinha dezoito anos. O papel valeu-lhe o prémio TVyNovelas de melhor revelação feminina e o Palmas de Oro na mesma categoria; um ano depois, partilhou o protagonismo de El juego de la vida com Sara Maldonado. Hoje, diz que na altura não percebeu inteiramente a dimensão do sucesso que estava a viver.

O início dos anos 2000 mostrou também que as produções fora do México podiam contar com ela. Em In the Time of the Butterflies, o filme da Showtime sobre as irmãs Mirabal, interpretou Lina Lobatón, ao lado de Salma Hayek e Edward James Olmos. No seu país, juntou-se em 2005 a La madrastra, com Victoria Ruffo, no papel de Estrella San Román, e ficou em terceiro lugar no concurso de dança com celebridades Bailando por un sueño, depois de os votos telefónicos do público a terem salvado três vezes de jurados que não lhe davam grande nota. Em 2006, assumiu o seu primeiro papel principal, como Ana Escudero em Las dos caras de Ana, uma produção da Televisa passada em Miami, ao lado de Rafael Amaya. Querida enemiga, de Lucero Suárez, com Gabriel Soto, chegou em 2008, enquanto os filmes Cansada de besar sapos e Casi divas lhe permitiram experimentar um registo mais ligeiro no grande ecrã.

Depois mudou de estação, e os papéis mudaram com ela. Em 2010, assinou um contrato de exclusividade com a Telemundo, a estação norte-americana de língua espanhola, e passou quase de imediato para o outro lado da história: primeiro como antagonista de El fantasma de Elena, depois como a vilã Débora Noriega em Mi corazón insiste en Lola Volcán. Relaciones peligrosas, a versão da Telemundo do drama juvenil espanhol Física o química, deu-lhe o papel de Patty Milano em 2012; em 2013, Dama y obrero voltou a colocá-la no papel principal, como Ignacia, ao lado de José Luis Reséndez. Em 2014, interpretou a atriz Miroslava Stern em Cantinflas – A Magia da Comédia, a biografia de Mario Moreno. Quando regressou à Televisa, em 2016, foi novamente como antagonista: Camila Borges em Sin rastro de ti, ao lado de Adriana Louvier.

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É aqui que se vê a costura da carreira. As vilãs da Telemundo criaram uma imagem comercial que a década seguinte continuou a renovar: a mulher rica, a rival, a mãe preocupada com as aparências. É um espaço mais estreito do que aquilo que já mostrou ser capaz de fazer, e ela deixou de fingir que não é. «Há muito preconceito no casting», disse na mesma conversa com o Time Out, explicando que interpretar bem um determinado tipo de personagem traz mais propostas do mesmo género, e que uma atriz ou repete o arquétipo ou encontra uma forma de o transformar por dentro. Em abril, disse à ¡HOLA! que quer fazer mais drama e menos papéis de «senhora rica e desagradável», substituindo-os por mulheres mais complexas e mais reais. O incómodo para essa reivindicação é que a snobe que interpretou melhor se tornou o seu trabalho mais querido pelo público.

Essa snobe é Silvia Espinosa de los Monteros, de Guerra de Vizinhos, a comédia mexicana lançada pela Netflix em 2021 sobre uma família da classe trabalhadora que se muda para um condomínio residencial exclusivo e os vizinhos que não a podem ver. Layevska interpretou a vizinha. «A Silvia é uma mulher tão histriónica, divertida e exagerada», disse ao La Razón em 2022. «Tem tantas coisas que parecem tão negativas, mas é adorável.» Os espectadores escreveram-lhe para dizer que a série os ajudara a atravessar os confinamentos da Covid, algo que, segundo ela, foi uma das coisas mais extraordinárias que o seu trabalho conseguiu fazer. Na segunda temporada, Silvia perdeu o dinheiro e mudou-se com a família para o bairro operário dos seus rivais, os López, uma inversão que virou o tipo de personagem do avesso. É mais ou menos isso que diz tentar fazer sempre que lhe entregam mais uma mulher rica.

Desde então, o streaming tem-lhe garantido trabalho regular. Participou em La muchacha que limpia e Código implacable, e interpretou Irina Ivanova em três episódios da série Zorro, de 2024. Em fevereiro de 2025, a Disney+ lançou Entre paredes, uma comédia romântica protagonizada por Aislinn Derbez, na qual interpreta Silvana; em março de 2025, a Netflix estreou Bem-vindos à Família, uma comédia em que dá vida a Olga, ao lado de Marimar Vega e Erika Buenfil. Santita estreou na Netflix a 22 de abril de 2026: a série de Rodrigo García é protagonizada por Paulina Dávila, como María José Cano, e Gael García Bernal, e atribui a Layevska o papel de Sierra, cunhada americana da protagonista, uma mãe que finge não saber que a filha adolescente anda com um homem casado. Layevska disse que compreendeu a personagem por também ser mãe e que trabalhar com García era o projeto dos seus sonhos.

O crédito mais recente é no cinema. Un mal partido, a comédia de Salvador Espinosa, estreou em todo o México a 8 de outubro de 2026, com Mauricio Ochmann no papel de Guillermo, um pai superprotetor convencido de que ninguém merece a filha Mía, interpretada por Loreto Peralta, até ela começar a namorar Martín, desastrado mas cativante, a quem José Antonio Toledano dá vida. Layevska interpreta a mãe de Mía, cuja vida fica de pernas para o ar com a chegada do namorado. O filme reúne-a novamente com Sara Maldonado, sua coprotagonista em El juego de la vida há mais de duas décadas, agora no elenco ao lado de Roberto Duarte, como o outro casal de pais. Produzido pela Pampa Films e distribuído pela Buena Vista International, foi rodado na Cidade do México e em Amanalco, no Estado do México.

Fora do ecrã, é casada desde abril de 2014 com o empresário Rodrigo Moreira, com quem se casou em Morelos; a filha de ambos, Masha, nasceu em dezembro de 2017 e o filho, Santiago, em 2020. Quando lhe perguntaram o que a jovem estrela de El juego de la vida pensaria dela hoje, respondeu que ficaria surpreendida por encontrar uma mãe de dois filhos — algo que não era o seu principal objetivo aos vinte anos e que é agora, disse, uma das maiores dádivas da sua vida. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, a cidade onde nasceu passou a ser notícia de primeira página, e ela falou da guerra em termos pessoais. «Custa-me muito, e custa-me ainda mais não poder fazer nada além de rezar pela paz», disse à Chic Magazine, contando o caso de uma fã na fronteira com a Moldávia que lhe escreveu para dizer que o trailer de Código implacable tinha sido um bálsamo para a sua alma.

A questão a que os próximos trabalhos responderão é se a indústria, que continua a vê-la como sinónimo de dinheiro e distância, lhe dará os dramas que agora pede abertamente. O percurso dela dá pistas sobre a forma como irá insistir. Um realizador tomou-a por americana, e ela insistiu em continuar a sê-lo. Quando uma comédia a escolheu para o papel da snobe, transformou-a na personagem sobre a qual os espectadores escreviam cartas. Com Un mal partido ainda em exibição nos cinemas mexicanos e Santita na Netflix, a filha da violinista de Kyiv está a negociar publicamente os termos desse tipo de papel — e, até agora, está a ganhar a discussão por mais do que as folhas de casting fariam prever.

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