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Dakota Johnson: além das sombras, a actriz que sempre quis ser outra coisa

Penelope H. Fritz
Dakota Johnson
Dakota Johnson
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento4 de outubro de 1989
Austin, Texas
OcupaçãoActriz
Conhecido porA Rede Social, Agentes Secundários, As Cinquenta Sombras Livre
PrémiosBAFTA · People's Choice Award: Favorite Dramatic Movie Actress (2016) · Independent Spirit · TIME 100 Most Influential People (2026)

A versão mais simples da história de Dakota Johnson é a de Anastasia Steele. É também a que ela tem vindo a desmontar, projecto após projecto, ao longo de dez anos. O que distingue a sua trajectória não é o estrelato — muitos actores chegam a ele — mas a deliberação com que construiu o que veio a seguir.

Nasceu em Austin, no Texas, em 1989, numa família em que a fama era um dado ambiental antes de ser uma escolha. A sua mãe é Melanie Griffith, o seu pai Don Johnson, a sua avó materna Tippi Hedren. Aos seis anos, apareceu numa cena de Crazy in Alabama, a fazer de filha da mulher que na vida real era a sua mãe. Depois voltou à escola. Em 2006, tornou-se Miss Globo de Ouro — a primeira de segunda geração na história da cerimónia, dado que a sua mãe tinha exercido o mesmo papel em 1975. A indústria começou a defini-la antes que ela pudesse fazê-lo.

A definição maior chegou em 2015, com Anastasia Steele em As Cinquenta Sombras de Grey. O filme arrecadou 570 milhões de dólares em todo o mundo. As críticas foram na sua maioria severas com o projecto; a prestação de Johnson recebeu mais consideração do que o filme que a continha. O que poucos assinalaram foi que ela estava simultaneamente em A Bigger Splash, o thriller psicológico de Luca Guadagnino filmado na ilha italiana de Pantelleria, num papel de complexidade muito maior. Os dois filmes estrearam no mesmo ano. Um deles tornou-a famosa.

Os anos seguintes traçam uma recalibração artística deliberada. Em 2018, protagonizou o remake de Suspiria de Guadagnino, demasiado denso em metáforas históricas e físicas para o público ocasional. Em 2021, integrou The Lost Daughter, a estreia na realização de Maggie Gyllenhaal para a Netflix, onde interpretou uma jovem mãe com uma precisão emocional que não se anuncia a si própria. Cofundou a produtora TeaTime Pictures, que lhe conferiu controlo sobre o que leva o seu nome. Os papéis tornaram-se mais interiores, mais selectivos.

A trajectória não está, contudo, isenta de contradições. Madame Web, o filme de super-heróis da Sony em 2024, foi quase unanimemente destruído pela crítica. O tropeço convida a uma leitura incómoda: que o compromisso declarado de Johnson com material exigente coexistiu, de forma imperfeita, com decisões tomadas por razões distintas da integridade artística. A sua filmografia é menos uma linha recta do cinema comercial para o de autor do que uma série de ziguezagues entre ambições que não encontram sempre síntese.

O ponto mais bem-sucedido desta fase foi Materialists, o segundo longa-metragem de Celine Song em 2025, após Past Lives. Johnson interpreta Lucy Mason, uma casamenteira nova-iorquina presa entre um cliente abastado e um ex não resolvido, com Chris Evans e Pedro Pascal. O filme arrecadou 108 milhões de dólares com um orçamento modesto e obteve 77 por cento no Rotten Tomatoes. Em abril de 2026, foi incluída no TIME 100 das pessoas mais influentes — um reconhecimento que chegou com o sabor de uma dívida institucional saldada com atraso.

Dakota Johnson in Persuasion (2022)

A sua vida pessoal — uma relação com Chris Martin, dos Coldplay, de 2017 a Junho de 2025 — ocupou páginas de entretenimento sem nunca se deixar verdadeiramente ler do exterior. Johnson forneceu comentários escassos e calibrados. É em si mesma uma forma de controlo editorial.

Em Outubro de 2026, está prevista a sua presença ao lado de Anne Hathaway em Verity, o thriller psicológico de Michael Showalter baseado num romance de Colleen Hoover. Three Incestuous Sisters de Alice Rohrwacher, também com Saoirse Ronan e Josh O’Connor, está em rodagem. A estreia na realização, A Tree Is Blue, encontra-se em desenvolvimento. Como ler uma carreira que começou num fenómeno global e chegou aqui — a listas TIME e colaborações com Rohrwacher — é uma questão que se tornou mais interessante do que a resposta que parecia óbvia.

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