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Megalyn Echikunwoke, entre a reserva navajo e a espiã wakandiana

Penelope H. Fritz
Megalyn Echikunwoke
Megalyn Echikunwoke
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento28 de maio de 1983
Spokane, Washington, USA
OcupaçãoActriz, realizadora, actriz de dobragem

O apelido Echikunwoke significa «líder dos homens» em igbo, e Megalyn carrega uma linhagem que nunca pôde aprender do homem que lha transmitiu. O pai nigeriano — sobrevivente da guerra civil, estudante de direito em Spokane, Washington — morreu de cancro no fígado quando ela tinha quatro anos. O avô era um chefe tribal igbo; tecnicamente, ela descende da realeza africana. A mãe, americana branca, mudou a família para Chinle, no Arizona, no coração da Nação Navajo. Foi aí que Megalyn cresceu: entre dois mundos que Hollywood nunca soube como ler.

Descobriram-na aos catorze anos, numa produção teatral num campo de verão. Aos quinze já tinha um crédito televisivo. Aos dezassete aparecia de forma recorrente em 24, o thriller político da Fox, como Nicole Palmer, filha do candidato à presidência David Palmer. A velocidade dessa transição — da reserva para um estúdio em Los Angeles — não era algo sobre o qual falasse muito. Já havia aprendido a mover-se entre mundos que não se falam.

O papel mais exigente da sua primeira década chegou em The 4400, a série de ficção científica da USA Network sobre pessoas que regressam de desaparecimentos inexplicáveis com capacidades paranormais. Interpretou Isabelle Tyler, uma personagem que envelhece de bebé a adulta em poucos episódios antes de se tornar a principal antagonista. Tinha vinte e três anos. Em paralelo, o papel recorrente de Angie Barnett em That ’70s Show colocou-a num elenco onde quase todos se tornaram estrelas.

A década seguinte foi uma demonstração de versatilidade sem consolidação. CSI: Miami, 90210, House of Lies, A Good Day to Die Hard — sempre competente, sempre em segundo plano. Em 2018 participou em Night School, a comédia de Kevin Hart que arrecadou mais de cem milhões de dólares, e estreou fora da Broadway na Roundabout Theatre Company em Nova Iorque com Apologia, uma peça britânica de considerável exigência.

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O padrão que emerge ao longo de vinte e cinco anos é difícil de ignorar. Hollywood reconhecia o seu valor. Não sabia o que fazer com ela. O episódio de 2016 em que apareceu como Vixen em Arrow — uma superheroína DC de herança yoruba nigeriana que já havia dobrado na série animada da CW Seed — era talvez o projeto mais ajustado à sua complexidade real. Durou um episódio. Almost Family, o drama da Fox em que era protagonista, foi cancelado após uma temporada apesar das boas críticas. Emily the Criminal em 2022 confinava-a novamente a um papel secundário num dos melhores filmes independentes do ano.

Em 2023 escreveu e realizou ela própria. Weathering chegou à Netflix em abril: vinte minutos de thriller psicológico com Alfre Woodard, Jermaine Fowler e Alexis Louder, produzido pela Lea Pictures de Bradley Cooper. Que uma estreante na realização consiga esse nível de elenco e produtor diz muito sobre a reputação que construiu na indústria.

Em 2025, juntou-se à terceira e última temporada de Alert: Missing Persons Unit na Fox como a tenente Gabrielle Bennett. A série foi cancelada. Continuou a trabalhar. Em 2026, dá voz a Nanali em Marvel 1943: Rise of Hydra, um dos videojogos mais esperados do ano. Nanali lidera a rede de espiões wakandiana em Paris ocupada durante a Segunda Guerra Mundial e é uma das quatro personagens jogáveis.

O próximo projeto em imagem real ainda não foi anunciado. O que já existe — ao longo de vinte e cinco anos de televisão, cinema, dobragem, palco e realização — é uma carreira que tem consistentemente superado o reconhecimento que recebeu. A reserva navajo e a linhagem igbo não lhe deram uma história fácil. Deram-lhe uma mais interessante.

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