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Dungeons & Degenerate Gamblers leva o seu blackjack sem regras à PS5 e à Nintendo Switch

O roguelike de Michael Davis, inspirado no Taskmaster, chega às consolas com a atualização 2.0.7 e banda sonora alargada
Cassian Vale
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O blackjack é o jogo mais austero do casino: duas cartas, um número e um crupiê que nunca pestaneja. Dungeons & Degenerate Gamblers sempre foi interessante porque recusa essa austeridade. A faísca nasceu de um desafio do Taskmaster em que os concorrentes tinham de memorizar um baralho carregado de cartas absurdas, e o programador independente Michael Davis, que trabalha como Purple Moss Collectors, levou a piada até um roguelike completo, uma exploração de masmorras em que um passe de corredor ou um postal de aniversário podem valer mais do que um ás. A taberna abriu agora as portas a quem joga em consola.

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A mesa continua a fazer a pergunta de sempre, até onde se pode chegar perto de vinte e um sem rebentar, mas o que está em jogo é diferente. Quem perde cada mão sofre dano, mais ainda se rebentar, e os naipes habituais passam a estilos de jogo: copas curam, espadas protegem, ouros pagam e paus batem com mais força. Depois o baralho começa a mentir. Cartas de tarot, cartões de visita, cartões de pontos de lojas e postais de aniversário alteram as pontuações, causam dano direto ou roubam as fichas do adversário. Escolhe-se um baralho inicial, equipam-se Lucky Charms e desce-se por pisos ramificados, a tentar a sorte contra os apostadores mais corruptos da taberna.

Choosing a tarot card to add to the deck in Dungeons and Degenerate Gamblers
Image: Purple Moss Collectors / Yogscast Games

O argumento de design é o mesmo que fez de Balatro um fenómeno nesse ano: pegar num jogo que toda a gente sabe de cor e deixar que as cartas lhe quebrem as regras. Os dois foram depressa comentados lado a lado. A crítica do Rock Paper Shotgun e do PC Gamer achou o acaso frustrante no lançamento, mas os jogadores foram mais generosos, e o jogo tem a classificação «Muito positivas» em mais de 3600 análises na Steam. No anúncio, o estúdio resume o apelo como toda a degenerescência de um casino sórdido sem qualquer risco para as suas poupanças, a sua saúde mental ou as pessoas de quem gosta.

Foi também um negócio a sério. A Yogscast Games, editora de Bristol por detrás de PlateUp!, afirma que Dungeons & Degenerate Gamblers faturou mais de um milhão de dólares no primeiro mês no PC, depois de ter sido lançado em agosto de 2024. A Purple Moss Collectors continua a ser uma equipa minúscula na Nova Zelândia, precisamente o tipo de estúdio que a Yogscast, fundada em 2017, diz ter sido criada para apoiar.

The casino slot machine event used to buy new cards in Dungeons and Degenerate Gamblers
Image: Purple Moss Collectors / Yogscast Games

As versões para consola já estão disponíveis na PlayStation 5 e na Nintendo Switch, lançadas a 9 de outubro de 2026. Chegam com a atualização 2.0.7 em todas as plataformas, que melhora o evento Pachinko, reforça o suporte para comandos e traz ajustes de equilíbrio e correções de erros. Esse trabalho com o comando é importante numa consola, onde um jogo assente na leitura de cartas densas que quebram as regras tem de continuar legível. A banda sonora oficial alargada inclui agora também todas as faixas da atualização 2.0 «Doubling Down» de julho de 2026, que acrescentou quatro pisos novos (Surveillance, Laboratory, Anxiety e Apathy) e mais de 50 Lucky Charms. O jogo completo conta com mais de 300 cartas e 60 adversários, em pixel art suja, e está também na Steam para Windows, macOS e Linux.

Para um jogo sobre a vantagem da casa, a mudança para as consolas é uma pequena aposta própria: que uma sequência de jogadas de blackjack absurdas e autodestrutivas funcione tão bem do sofá como da secretária. No papel, as probabilidades parecem boas.

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