Negócios e finanças

EUA criam apenas 57 mil empregos em junho enquanto 500 mil trabalhadores saem do mercado

Victor Maslow

A economia norte-americana criou apenas 57.000 empregos em junho, menos de metade dos 113.000 antecipados pelo consenso de mercado e o registo mais fraco em mais de dois anos. A taxa de desemprego baixou para 4,2% face a 4,3% no mês anterior, mas esse declínio não é o sinal tranquilizador que parece. A taxa de participação no mercado de trabalho recuou 0,3 pontos percentuais para 61,5%, o nível mais baixo desde março de 2021: o desemprego não caiu porque mais pessoas encontraram trabalho, mas porque centenas de milhares desistiram de procurar.

Para as famílias, a distinção é fundamental. Um mercado de trabalho em que os activos abandonam silenciosamente as estatísticas tem menos solidez estrutural do que os números sugerem. O crescimento salarial manteve-se em 3,5% em termos homólogos, ainda acima do nível que a Fed considera confortável, mas a base está a erodir. Quando a participação cai num mercado já em abrandamento, os ganhos salariais que persistem assemelham-se mais à inércia do que à confiança.

O dado torna-se mais preocupante no contexto. Os empregos de abril foram revistos em baixa em 31.000; os de maio, em 43.000. Em dois meses, 74.000 postos de trabalho a menos foram reportados — o quadro de contratação na primavera era materialmente mais fraco do que aparentava. O número de junho não chegou de forma isolada; completou um padrão.

Lazer e hotelaria perderam 61.000 postos em junho, a reversão sectorial mais pronunciada do mês. Os serviços profissionais acrescentaram 36.000 vagas; a saúde contribuiu com 22.000.

Um número do relatório merece análise directa. O dot plot divulgado após a primeira reunião presidida por Kevin Warsh em junho projectava uma taxa mediana dos fed funds de 3,8% até ao final do ano, implicando pelo menos uma subida de 25 pontos base. Essa projecção assentava em pressupostos sobre o mercado de trabalho que os dados de junho põem agora em causa. Para a Europa, uma Fed hesitante em subir taxas alivia a pressão sobre os spreads de dívida soberana e a política do BCE.

As yields dos Treasuries a dois anos caíram para 4,11% face a 4,19% e o dólar enfraqueceu. A reunião do FOMC termina a 29 de julho. Antes deste relatório, os mercados de derivados atribuíam probabilidades quase iguais a uma subida e a uma pausa. Os dados do emprego deslocaram o equilíbrio para uma pausa — mas com as yields a dois anos ainda acima de 4%, a Fed não fechou a porta a novo aperto. O próximo relatório de emprego, relativo a julho, é publicado a 6 de agosto.

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