Negócios e finanças

Setor tech supera em sete meses todos os despedimentos de 2025

Victor Maslow

As empresas de tecnologia eliminaram 205.832 postos de trabalho em 264 empresas nos primeiros sete meses de 2026, ultrapassando o total de 123.941 de todo o ano de 2025 antes do final do verão. O ritmo diário — 927 despedimentos — marca o período mais rápido de redução de força de trabalho no setor desde a correção pós-pandemia de 2022 a 2023.

As empresas que lideram este total incluem algumas das mais lucrativas do setor: a Oracle cortou 21.000 posições, a Amazon reduziu a sua força de trabalho em 16.000, a Meta eliminou 8.000, a Microsoft anunciou 4.800 — incluindo 1.600 da sua divisão Xbox — e a Cisco cortou cerca de 4.000 enquanto registava receitas recorde. O padrão — empresas lucrativas a cortar em escala — tornou-se a lógica definidora do balanço de resultados da era da IA.

Os dados de atribuição complicam o enquadramento dos comunicados de imprensa. A investigação que acompanha as razões declaradas ao longo do ano descobriu que a inteligência artificial foi citada diretamente como fator em apenas 7% dos anúncios de despedimento de 2026 no início do ano. Essa percentagem subiu para 40% na primavera. A trajetória ascendente sugere ou uma crescente transparência sobre uma reestruturação já em curso, ou uma mudança na forma como as empresas gerem a narrativa pública em torno da deslocação de postos de trabalho. Qualquer uma das leituras produz o mesmo resultado para os trabalhadores.

O contra-argumento padrão dos executivos — de que a IA cria tantos postos de trabalho quantos os que elimina — tem base nos dados de contratação. A procura por engenheiros de machine learning, gestores de produto de IA e especialistas em infraestrutura de dados aumentou acentuadamente em 2026, e a Microsoft está a cortar 4.800 postos enquanto aumenta o número de funcionários em funções adjacentes à IA. O que as chamadas de resultados ainda não forneceram são provas de que as novas posições chegam a uma escala equivalente e com uma compensação comparável aos cargos que substituem. Essa lacuna entre a alegação e os dados é onde a narrativa corporativa encontra o seu limite.

Para os trabalhadores que se acumulam dentro desses 927 despedimentos diários, o enquadramento setorial oferece um conforto limitado. Os cargos que desaparecem mais rapidamente — suporte técnico, engenharia de software de nível médio, moderação de conteúdo, anotação de dados — são precisamente as posições de entrada e de meio de carreira que outrora serviram como primeiro degrau para os trabalhadores que entravam na economia tecnológica. Deslocar engenheiros e pessoal de apoio a este ritmo difere estruturalmente de uma reestruturação executiva, mesmo quando ambos produzem a mesma linguagem nos comunicados de imprensa.

Os resultados da CoreWeave e da Applied Materials estão agendados para a semana de 10 de agosto — duas empresas cujas receitas dependem quase inteiramente do investimento contínuo em infraestrutura de IA. Se os seus resultados confirmarem outra ronda de expansão de centros de dados, a pressão sobre as empresas tecnológicas lucrativas para demonstrarem retornos sobre esse capital, reduzindo o número de funcionários noutras áreas, deverá prolongar-se até ao outono.

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