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Amazon divulgou por engano ‘Mutiny’, de Jason Statham, no Prime Video antes da estreia nos cinemas

Molly Se-kyung

Uma janela de exibição em salas de cinema é uma promessa. Diz que um filme acabado existe num único sítio, num ecrã para o qual é preciso sair de casa, e em mais lado nenhum. Os estúdios passam meses a defender essa promessa porque é ela que dá valor a uma data de lançamento. A Amazon quebrou-a para um filme que não fez, não distribui e não tinha qualquer razão para ter em antecipação.

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A empresa colocou Mutiny, de Jason Statham, no Prime Video nos Estados Unidos antes de o filme chegar a um único ecrã de cinema. Não o trailer, que é para isso que aquela página de produto serve. O filme completo, em HD, sentado numa listagem totalmente preenchida: elenco, miniatura, sinopse. Uma página tão completa não é um erro fortuito. Parece um lançamento que saiu no dia errado.

Depois a Amazon marcou o título como indisponível. É essa a frase que todos os relatos repetem, como se isso encerrasse o caso. Não encerra. Indisponível corrige uma página. Não consegue alcançar o ficheiro, e o ficheiro é o que interessa. Durante o tempo em que esteve exposto, qualquer pessoa com um browser podia sacar uma cópia limpa, sem marcas de água, de um filme que devia estrear nos cinemas. Retirar a listagem depois é fechar a porta de uma sala vazia.

Quanto tempo a sala esteve aberta é o único número que vale a pena tratar com cuidado. As contas mais conservadoras da indústria apontam para cerca de uma hora, talvez duas. Outros descrevem várias horas em HD antes de a página ficar offline. Ninguém publicou um valor verificado, e a versão honesta desta história não arredonda a estimativa mais baixa para cima. Uma hora já chega. Uma única cópia completa chega. A escassez não se degrada com elegância; ou está intacta ou desapareceu.

O que acontece a seguir é onde a cobertura se divide, e essa divisão merece respeito. Alguns meios reportam que cópias já estão a surgir em sites de torrent; pelo menos um não viu sinais de que a fuga se tivesse alastrado mais até ao momento da escrita. Ambas as coisas podem ser verdade durante algumas horas, e nenhuma delas sustenta uma contagem de pirataria, porque ainda não existe nenhuma. O custo é real sem ser contabilizável. Atinge com mais força não a estreia americana, mas os compradores internacionais cujas datas de lançamento ainda estão a semanas de distância, e que agora vendem um filme que uma parte do seu público já pode ver.

O pormenor que os artigos mais divertidos omitem é quem fez isto a quem. A Amazon não é um tubo neutro que carregou no botão errado. É um estúdio e um distribuidor, uma empresa que passou anos a comprar o seu lugar no negócio das salas de cinema que outros construíram. Aqui, meteu-se no lançamento de um distribuidor rival e deixou o filme sair mais cedo. O erro é banal: uma implementação foi lançada antes do previsto. A posição que expõe não é. A infraestrutura que transporta metade dos filmes da indústria é propriedade de um dos concorrentes da indústria, e é isto que uma tarde mal parada nessa infraestrutura custa a outra pessoa.

A logística já é quase irrelevante. Mutiny é um thriller de ação de 95 minutos realizado por Jean-François Richet, com Statham no papel de Cole Reed, um homem incriminado pelo assassinato do patrão que embarca num navio de carga e encontra uma conspiração em vez de uma fuga. Estreia em grande nos Estados Unidos a 21 de agosto através da Lionsgate, com a Sky Cinema a tratar do Reino Unido, e chegará ao Lionsgate+ via Prime Video no curso normal das coisas. As críticas são medianas. Isso sempre foi um problema que o filme teria de resolver por si.

A Amazon não tinha explicado publicamente a causa até ao momento da escrita, nem a Lionsgate o fez. Não há tese a retirar do silêncio, apenas o facto dele. O que não está silencioso é o ficheiro. Em algum lugar continua a mover-se, indiferente ao botão que foi carregado para o parar.

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